Marco Goiano escreve uma nova história no estado do Amazonas
Jogador havia atuado no Fast em 2020 passou por momentos difíceis quando a esposa, que estava grávida, desenvolveu a forma grave de Covid. No domingo, ele e a família completa, comemoraram o acesso do Amazonas
O Amazonas conquistou um histórico acesso à Série C do ano que vem, a vitória sobre a Portuguesa-RJ pelo placar de 3 a 2 ganhou contornos dramáticos diante de um estádio lotado de torcedores que empurraram o clube rumo a um capítulo antológico de sua história.
Entre os vários personagens que cravaram o nome para sempre na trajetória da Onça-Pintada, está o meia Marco Goiano. O ‘Rei do acesso’ -alcunha pelo qual ficou conhecido após conquistar seis acessos de divisão ao longo da carreira- fez parte do grupo participou ativamente da campanha.
Com dois gols em quatro jogos, o experiente meia de 36 anos aceitou o desafio de compor o grupo amazonense para reescrever um capítulo mais que especial em sua vida pessoal e profissional.
Marco Goiano já era velho conhecido do torcedor amazonense. Em 2020, o meia chegou para a sua primeira passagem no futebol baré, defendendo as cores do Fast, Goiano foi peça fundamental em uma campanha que bateu na trave e acabou eliminado no confronto do acesso.
Na época, a derrota por 3 a 0 para o Novorizontino-SP ficou em segundo plano, uma vez que jogadores e comissão técnica lidavam com outro problema, a Covid-19.
Em meio a uma pujante onda de contaminações, jogadores acabaram infectados e por consequência, todos à sua volta também foram por conta do alto grau de contágio da doença. Mas para Marco Goiano, a batalha foi ainda maior. Com o futebol em segundo plano, sua esposa Joanne de Almeida, grávida, acabou sendo infectada e viu a doença evoluir para o seu estágio mais grave.
Entubada, Joanne deu a luz ao pequeno Ravi e, precisando lidar com a situação desesperadora, Marco Goiano cuidou da transferência de sua esposa para o estado de Goiás, e de seu filho, que prematuro precisava de maiores cuidados.
Retorno
Quase dois anos após esse momento difícil, Marco Goiano retorna ao estado para jogar por um clube que carrega o nome do Amazonas, e segurando as lágrimas, o jogador falou sobre esse retorno e sobre a história escrita.
“Primeiramente eu quero agradecer a Deus. Eu cheguei a comentar com a minha esposa essa semana que eu saí daqui de forma muito triste e, quando eu cheguei na minha cidade ela estava desacordada na UTI. Ela não viu nada do que aconteceu e eu saí daqui com um sentimento de tristeza pela vida dela. Essa cidade e esse estado está no meu coração, mas o Amazonas Futebol Clube representa muita coisa na minha vida, eu com 36 anos e almejo coisas na minha vida e profissionalmente e ,o clube me proporcionou isso. Eu tenho que agradecer a Deus, à minha família, à minha esposa que batalhou para que eu estivesse aqui. Deus ressuscitou ela e hoje não tem coisa melhor que voltar para comemorar o acesso do Amazonas com ela, com o grupo. Eu tenho que honrar a Deus por esse momento”, disse Marco Goiano em tom emocionado.
Igualmente feliz, Joanne e o pequeno Ravi comemoraram o acesso ao lado do atleta. Grata pela vida, a esposa do jogador falou sobre o sentimento de retornar ao Amazonas e de poder cultivar novas lembranças do estado, dessa vez, boas lembranças.
“Eu vou ser muito sincera, eu falei para ele que sofremos tanto nessa cidade e eu sabia que Deus ia nos trazer até aqui de volta. Nós tínhamos que voltar para cultivar boas lembranças daqui. Quando as pessoas me chamavam perguntando porquê eu queria voltar, eu dizia que Deus tinha um propósito em nossas vidas e hoje nós estamos aqui com vida comemorando o acesso. Estou muito feliz e tenho gratidão a Deus. Eu saí daqui praticamente morta e hoje eu tô aqui com vida comemorando esse acesso”.
Antes de retomar a comemoração pelo acesso, Marco Goiano voltou a falar sobre gratidão e enalteceu a torcida, a cidade e o clube pelo ‘recomeço’ no Amazonas.
“Hoje a gente volta com sentimento de gratidão e podendo conquistar mais um acesso na carreira. Ainda tenho sonhos e futebol e quero realizar cada vez mais. Mas eu tenho que agradecer a essa torcida, um clube de três anos e uma cidade que abraçou o futebol e, aqui no Amazonas, no Norte inteiro, a torcida abraça o futebol, então só resta enaltecer a torcida, a cidade e o clube”, finalizou.