Nacional e Manaus decidem final do 2º turno do Amazonense a partir das 17h deste sábado (29)
Rivalidade entre tradição e novidade define campeão do segundo turno e garante vaga antecipada na Copa do Brasil
O confronto de número 30 entre Nacional e Manaus vale o título do segundo turno do Barezão 2025, a confirmação da ida à Copa do Brasil – sem a necessidade de aguardar a terceira vaga no início de dezembro – e também a classificação à Copa Verde. Rivais por natureza, Leão e Gavião simbolizam desde seus primeiros embates a ‘tradição’ e o ‘novo’, algo que permanece para o duelo deste sábado, às 17h, na Arena da Amazônia.
Em 29 partidas entre as equipes, o Nacional venceu 12 vezes, sendo 7 destes triunfos nas primeiras quatro temporadas. De 2014 a 2017, o Naça sobrou contra o Manaus, permanecendo invicto nos primeiros 9 jogos, com 7 vitórias e 2 empates. Mas o mesmo ano de 2017 viria a mudar radicalmente a forma como o clube azulino enxergava o clube esmeraldino: de mero ‘filho’ – ou ‘neto’, como alguns chamam -, a rival.
Na época comandado por Igor Cearense, o Manaus estreou com derrota para o Nacional. Com oito clubes, o Barezão 2017 teve uma primeira fase com 14 rodadas, com as equipes se reencontrando na oitava rodada e, novamente, o Leão triunfou, resultando na chegada de Aderbal Lana ao Gavião. De quatro jogos sem vitórias no estadual, o clube esmeraldino engatou uma sequência de oito jogos de invencibilidade e chegou à sua primeira decisão.
Na final, disputada em ida e volta, o adversário do Manaus foi o próprio Nacional. Por ter melhor campanha na classificação geral, o Leão tinha a vantagem de ser campeão em caso de empate no placar agregado. A presença de Aderbal Lana, último técnico campeão estadual pelo Nacional em 2015, deu um ‘tempero’ a mais. No jogo número 10 das equipes, pelo jogo de ida, veio a primeira vitória esmeraldina, por 1 a 0, gol marcado por Wesley Napão. Na volta, 1 a 1 e o título inédito do Gavião, iniciando a sua mudança de patamar.
Entre 2018 e 2024, o clube presidido pelos fundadores Luis Mitoso, ex-presidente do Nacional, e Giovanni Silva, ex-dirigente azulino, viveu de tudo e mais um pouco. Acesso perdido em 2018 e conquistado em 2019 na Série D, quase ter subido mais uma vez de divisão em 2021, queda na Série C de 2023, e conquista de outros cinco estaduais: 2018, 2019, 2021, 2022 e 2024. E considerando apenas 2018 em diante os números diante do Leão mudaram, sendo 8 vitórias do Gavião, 6 triunfos do Leão e 4 empates.
O Nacional, por outro lado, assistiu tudo isso enquanto segue vivendo a maior seca de toda sua história, completando uma década sem conquistar um título. O período de declínio do maior campeão estadual, com 43 taças, coincide com o sucesso do Gavião, já que foram quatro confrontos diretos que os clubes tiveram em mata-mata, com o clube esmeraldino levando a melhor: na final do segundo turno de 2019; e nas semifinais de 2021 e 2022.
No último destes confrontos diretos, em 2023, o Nacional ‘devolveu na mesma moeda’ o que foi feito em 2017. Se o Manaus conquistou seu primeiro título com o técnico mais vitorioso da história do Leão, o clube azulino contratou Welington Fajardo naquela ocasião, dando fim ao tabu e eliminando o clube esmeraldino nas quartas de final. Técnico do vice-campeonato do Manaus na Série D em 2019, Fajardo está novamente no comando do Leão da Vila Municipal, podendo ‘repetir a dose’ sobre o Gavião do Norte 2 anos depois.
Além das eliminações para o Manaus em três fases de mata-mata, o Nacional também foi eliminado pelo Amazonas, nas semifinais de 2023, e para o Manauara, nas quartas de final de 2024. O ‘novo’ – tratado com desdém por torcedores de clubes centenários – se consolidou, mas aos poucos, a ‘tradição’ tenta recuperar o seu prestígio. O desejo de dar fim ao jejum, especialmente em cima do ‘novo’ é grande, não à toa, o presidente do clube, Saullo Vianna, destacou em entrevista que ‘o que quer mesmo é o título’, apesar de recolocar o Leão em competições nacionais: a Copa do Brasil e a Série D – ambas de 2026.
Como vem o Nacional?
De eliminado no playoff do primeiro turno com Cléber Gaúcho, a líder da classificação geral com Welington Fajardo. A grande mudança de chave do Nacional para o restante da temporada foi a chegada do comandante, que está em sua segunda passagem pelo Leão da Vila Municipal. O cenário, antes complicado e ‘sem esperanças’, mudou completamente, com o clube azulino lutando pelo título.
“Quando cheguei, conversei com os jogadores, o astral estava muito baixo. Eu tive que trabalhar muito a questão emocional, pois peguei um trabalho ‘andando’ e temos que, de certa forma, conhecer o grupo, que deu uma resposta. Agora estamos invictos, fizemos a melhor campanha e nos classificamos de forma antecipada para a Série D”, comenta Fajardo.
Como vem o Manaus?
Atual campeão do Barezão, o Manaus tenta o bicampeonato consecutivo. Para isso, precisa vencer o Nacional e, na final geral, derrotar o Amazonas – adversário na decisão estadual do ano anterior. Técnico do Gavião, Júlio Cesar Nunes foi derrotado apenas na estreia, justamente para o Nacional, na Arena da Amazônia, por 1 a 0 – gol de Peninha. Depois disso, a equipe engatou uma sequência de nove jogos de invencibilidade, mas o comandante esmeraldino entende que a partida de logo mais tem um clima diferente.
“Estamos muito alinhados na proposta de jogo que nós temos. O elenco se preparou nesses dois dias. Sabemos que é uma decisão, que tem uma atmosfera diferente, principalmente contra a forte equipe do Nacional. Entraremos cientes da qualidade do adversário, que tem um grande histórico aqui no estado, mas, iremos em busca de nossos objetivos”, afirma Júlio Cesar.