Pátria minha: sangue Azzurra!
Frei Fulgêncio Monacelli, o italiano mais amazonense daqui, garante que não vai ficar em cima do muro na hora da Copa do Mundo
Ele era uma figura fácil de encontrar nas cadeiras do antigo estádio Vivaldo Lima e nunca escondeu ser um “sacerdote” do esporte. Aos 76 anos, o carismático frei Fulgêncio Monacelli, 76, que nasceu na província de Perúrgia, na Itália, veio para o Amazonas em 1964, para trabalhar como missionário nos municípios de Benjamin Constant e São Paulo de Olivença. De lá chegou a Manaus em 1972 para trabalhar na paróquia da Igreja de São Sebastião onde está até hoje.
Este senhor boa praça de barbas longas e sempre bem humorado, acorda diariamente às 5h, senta no mesmo banco do Largo São Sebastião e tem no vôlei a sua paixão. “Ajudei a montar o time de vôlei feminino 13 vezes seguidas. Mas as coisas ficaram caras, e a quadra que usávamos acabou sendo alugada para uma universidade. Mas fizemos grandes jogos”, lembrou.
A 46 dias da Copa do Mundo em Manaus, os torcedores italianos começam a movimentação para ajustar sua agenda e acompanhar “in loco” a squadra azzurra, quanto ela estiver em solo baré. O frei não foge à regra. Ele, inclusive, tenta articular uma missa especial para a seleção Italiana. “Queria muito conseguir realizar uma missa para o Cesare Prandelli (técnico da Itália) e para a equipe. Vou tentar”, afirmou Monacelli.
Em setembro, o frei que já é residente em território manauense há 42 anos, completará 50 anos de missão no Estado. Com uma vida voltada para o desporto e para a religião, contou ainda como começou a ter uma vida esportiva.
“Tudo começou quando saí de casa. Não conhecia bola. Naquela época era apenas escola, ovelha e roça. Quando fui para o seminário em 1948, com 10 anos de idade e depois de ter concluído a terceira série, comecei a ter realmente contato com o esporte e nunca mais parei”, relembrou com saudosismo.
Apesar da paixão pelo esporte, duas modalidades mexem com frei Fulgêncio: o vôlei e o futebol, que ele só praticou quando chegou ao Estado. “No interior brincava um pouco de futebol (era goleiro) e no vôlei, jogava de atacante, devido à altura . Mas depois que vim para a capital, não consegui mais jogar nada”, explica.
Entre os craques do futebol brasileiro, o sacerdote se diz fã de Zico, que teve sua vida marcada justamente por aquele fatídico jogo contra a Itália na Copa do Mundo de 1982.
A Copa favorita do frei
E quando o assunto é: a Copa favorita do frei, ele não demora a responder. É a de 1982, realizada na Espanha, onde a Azzurra acabou com um incômodo jejum de títulos que já durava 44 anos.
E o caneco foi conquistado depois que a Itália eliminou a brilhante Seleção Brasileira, que tinha o próprio Zico, de quem o frei é fã, além de outros mitos como Sócrates, Júnior, Leandro e Falcão.
“Eu estava na Itália e encontrei um grupo de torcedores jovens e nós assistimos (a partida) pela televisão. Fiz uma a poesia alegre na época a respeito da conquista. Até a simpatia de torcedores que não conheciam nossa seleção eu conquistei”, afirma.
Naquele jogo, o atacante Paolo Rossi marcou três gols e eliminou uma das seleções mais brilhantes da história das Copas. Aliás, o frei é fã até hoje do “Bambino de Ouro”.
Memória
“Ele (Paolo Rossi) foi sem dúvida uma surpresa para mim, assim como para muitos italianos. Não era conhecido na época, (antes de defender a Juventus) ele jogava no Perúgia, uma equipe patrocinada por uma fabrica de chocolates. Mas sem dúvida, foi uma grata surpresa. Era como o Zico. Era novo, franzino, mas muito habilidoso”, disse.