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Paulinha vira símbolo da história vitoriosa do 3B

Uma Fera da Amazônia nascida no Careiro da Várzea, que iniciou no futebol aos 20 anos e hoje está consolidada como um dos grandes nomes do futebol amazonense.

Publicado em 17/05/2026 às 09h33
Paulinha vira símbolo da história vitoriosa do 3B
Foto: DeJota

Paulinha é a atleta que melhor representa o Instituto 3B. É quem mais vezes atuou pelo clube (103 jogos), mais vezes balançou as redes (58 gols) e, não por coincidência, foi quando a atacante chegou ao clube em 2019, que as Feras começaram a conquistar títulos, sendo cinco estaduais e dois vice-nacionais. Uma Fera da Amazônia nascida no Careiro da Várzea, que iniciou no futebol aos 20 anos e hoje está consolidada como um dos grandes nomes do futebol amazonense.


A atacante Paulinha disputou o Campeonato Cearense pelo Ceará SC nas últimas duas temporadas, conquistando o título da competição em 2024. (Foto: DeJota)

 

Paulinha é mãe da pequena Paloma, de 12 anos. Gosta da vida tranquila, dorme bastante antes dos jogos e costuma passar o tempo como muitos de nós: no celular. No caso dela, jogando Candy Crush e vendo vídeos sobre culinária no TikTok. Depois de cada partida, a adrenalina é o que toma conta da atleta, que acaba demorando para dormir pensando em como foi o jogo. E se orgulha de, em todos esses anos, jamais ter sido expulsa de uma partida.

Se tem uma coisa que Paulinha não gosta, é de dar entrevistas. Educada, responde aos jornalistas sempre que é solicitada, mas não é algo que faz com frequência. Com a reportagem de A Crítica, presente em Fortaleza para a partida deste sábado, contra o Ceará, a atacante conversou por mais de 20 minutos, o suficiente para contar um pouco sobre a carreira, seus planos e, claro, o confronto que acontece às 14h (horário de Manaus), na Cidade Vozão.

“É um privilégio muito grande pra mim, estou há muito tempo no 3B e fico muito feliz em vestir essa camisa, praticamente proteger esse manto. Isso para mim é muito bom, é um clube onde aprendi muito, então hoje eu carrego isso no peito como se fosse o meu primeiro clube e eu me sinto muito feliz por estar participando este ano, mais uma vez”, comenta Paulinha sobre seus números no 3B.

A atacante jogava nos campos de pelada do Careiro da Várzea, até que aos 20 anos, recebeu convite para fazer testes na Manaus Moderna. Aprovada, Paulinha passou a disputar futsal, torneios de bairro, e o maior campeonato de peladas do mundo, o Peladão. Se destacando entre as demais, Paulinha chegou ao seu primeiro clube profissional: o Iranduba, que vivia o auge levando grande público à Arena da Amazônia em seus jogos.

“Para mim aquele período foi um pouco difícil porque eu não tive base, então aprendi, por bem dizer, na marra. Não tinha muito conhecimento tático, condicionamento físico, mas eu consegui aprender, evoluir e em alguns jogos conseguia me destacar”, afirma Paulinha, que depois de viver a euforia de uma semifinal de Brasileirão Feminino em 2016, disputou o estadual pelo Penarol no ano seguinte.

“Jogamos contra o 3B em Itacoatiara e empatamos em 1 a 1. O Bosco me viu e pediu para que alguém conversasse comigo, e foi quando o (Bruno) Sabóia me indicou, pedindo para eu ir até o 3B conversar. Nessa época eu estava machucada, rompi o LCA do joelho esquerdo e o Bosco perguntou se eu precisava de ajuda. Disse que sim e, com a ajuda dele, fiz minha cirurgia em 2017. Desde lá eu estou no clube e não saí mais”, relata.

Paulinha ainda atuou mais uma vez pelo Iranduba, quando em 2019, houve o empréstimo de praticamente todo o elenco do 3B para que o Hulk, em grave crise, se mantivesse na elite do Brasileirão – o que não ocorreu.

Depois disso, Paulinha atuou apenas pelas Feras, até que em 2024, com o calendário feminino no Amazonas finalizado, surgiu a oportunidade de atuar no Ceará, sendo campeã. Em 2025, veio um novo convite, com o Ceará ficando com o vice, perdendo nos pênaltis para o Fortaleza.

“Eu acho que vai ser o melhor jogo para mim, porque eu vou me sentir bem dos dois lados. Tanto por estar jogando pelo 3B, como também por estar vendo as meninas do Ceará jogando contra mim, então é como se fosse um treino. O Ceará foi um time onde também aprendi muito, onde fiz muitos gols também. Ano passado fiz nove gols no Campeonato Cearense, enquanto não fiz tantos gols assim pelo 3B”, diz a atacante, autora do gol das Feras na vitória sobre o Taubaté, em jogo realizado na última quarta (13).

“Marquei um gol que, pra mim, foi melhor do que se eu tivesse marcado na A2. Marquei logo na Copa do Brasil, então Nossa Senhora, eu fiquei muito feliz, eu tô feliz até agora. Converso bastante com nosso treinador, o João (Carlos Cavalo), que sabe que gosto de jogar solta, e ele tenta ao máximo fazer isso por mim e foi isso que fiz contra o Taubaté. Ele disse para eu sempre entrar na área, que a bola vai chegar, e eu consegui, foi no momento certo e na hora certa”, detalha Paulinha, sorrindo ao lembrar o gol.

Por fim, a atacante declarou quais os seus planos após parar de jogar, surpreendendo na resposta ao falar da filha Paloma: “Quando eu parar, eu gostaria muito que minha filha continuasse, mas aí ela falou pra mim que não quer futebol, porque ela gosta de jogar vôlei. Eu brinco com ela, dizendo ‘Filha, olha pro seu tamanho, não tem como jogar vôlei’, mas ela sabe jogar futebol e esse era o meu sonho. É o meu sonho ainda: parar e ver ela jogar”, finaliza.