Pra você e por você, Pedro Nicolas
13 de novembro de 2023 marca os 10 anos do falecimento de Pedro Nicolas Sena da Silva, promessa da natação amazonense; Legado é mantido por instituto com seu nome
“Segunda-feira vai ser uma data bem dolorosa para mim, pois vivenciei tudo isso. No dia do acidente eu estava do lado dele, senti até o vento do carro, então é bem difícil. Mesmo tendo passado muito tempo, ainda é muito doloroso falar disso”. As palavras em tom emocionado são do treinador Leandro Freire, de 42 anos, referindo-se ao falecimento de Pedro Nicolas Sena da Silva, ocorrido no dia 13 de novembro de 2013, quando o promissor atleta de natação tinha apenas 13 anos.
Há 10 anos, no dia 12 de novembro, em Vitória (ES), Pedro Nicolas e outros três atletas amazonenses – acompanhados pelos pais e o técnico – estavam indo treinar no Clube Álvares Cabral, onde haveria o Campeonato Brasileiro Infantil de Natação. Enquanto andava pela faixa de pedestres, Pedro acabou atropelado por um carro que vinha em alta velocidade, ficando com várias fraturas pelo corpo e sendo levado ao Hospital Infantil de Vitória, mas na manhã do dia seguinte, não resistiu.
Aluno e atleta da Nilton Lins, Pedro Nicolas foi um nadador muito promissor, sendo na época o número 1 do ranking nacional dos 100m borboleta infantil – em piscina de 50m. Acreditava-se que ele poderia repetir o feito do amazonense Eduardo Piccinini, de ir às Olimpíadas (Barcelona 1992), pois as marcas de Pedro eram semelhantes às de Eduardo quando jovem, na mesma prova.

Pedro Nicolas foi n° 1 do ranking nacional dos 100m borboleta infantil (Foto: Divulgação)
Apesar da partida precoce, o legado de vitórias se mantém e o sonho continua através daqueles que o representam no Instituto Pedro Nicolas Sena da Silva (IPNSS), inaugurado em janeiro de 2015. De acordo com Leandro Freire, na Missa de 1 ano do falecimento de Pedro Nicolas, os pais dos atletas se reuniram com o treinador e tiveram a ideia de abrir o instituto, que ficava no Fazendário Clube e, em 2018, passou a ser no Clube da Caixa – localizado na Av. Efigênio Salles, Parque 10.
“No velório dele, que foi aqui na Arena Amadeu Teixeira, umas 15 mil pessoas passaram por lá. Prometi a ele que todos os sonhos que eu tinha com ele, eu ia realizar no nome dele, com outros atletas. Coloquei essa missão para mim e a gente se emociona a cada dia que passa, cada vez mais perto do índice olímpico. A falta de investimento no esporte é complicada e sofremos muito com isso, mas mesmo assim, já alçamos voos muito altos”, explica o treinador.
O número de conquistas do Instituto Pedro Nicolas é impressionante. Clube do ano do Norte por cinco anos seguidos, o IPNSS conta com atletas campeões brasileiros e sul-americanos, finalistas em Mundiais, finalistas no Troféu Brasil – principal competição do país – e convocações nacionais pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).
Caio Arcos – finalista do Troféu Brasil 2023 nos 200m costas -, Caio Sakamoto e Kathleen Manoella – ambos atuais campeões da Travessia Almirante Tamandaré – são alguns desses grandes nomes que representam o instituto, que através de seus atletas, busca viver o sonho almejado por Pedro e mantido por Leandro: chegar às Olimpíadas.
“A gente sabe da responsabilidade que nós temos em carregar esse nome, mas ao mesmo tempo, cada ser humano nessa vida tem sua missão, seu propósito e talvez o meu seja esse, de carregar essa missão que não é fácil. Sou muito feliz com a minha família e em todos os segmentos da minha vida, mas acho que a cereja do bolo, para eu terminar minha missão aqui na Terra, é chegar nas Olimpíadas. Isso é o que me faz levantar com mais esperança todo dia”, declara o treinador, que prossegue.
“A gente desanima de vez em quando, é normal, é do ser humano, mas todo dia eu levanto às 5h com o mesmo pensamento, de ter um atleta nas Olimpíadas. Nosso diferencial é essa união, essa garra, de mostrar para eles que o Pedro vive em nós, vive em quem acredita, vive nos sonhos deles. Cada atleta desses representa o Pedro Nicolas”.

No IPNSS desde a inauguração, Caio Sakamoto, 22, e chegou a participar de competições das quais Pedro Nicolas estava presente (Foto: Divulgação)
Foi muito difícil
Dos quase 250 alunos que compõem o Instituto Pedro Nicolas, cerca de 40 deles são atletas a nível de competição. No dia da reportagem, feita na noite de quarta-feira (8), o treino dos atletas foi realizado na Vila Olímpica e contou com a presença de Caio Sakamoto, que chegou a participar de competições das quais Pedro também estava. Membro da Atlético Sales na época da fatalidade, o nadador faz parte do IPNSS desde a inauguração.
“Eu nado desde muito pequeno, então já acompanhava o Leandro na época, como técnico da Nilton Lins. Cheguei a conhecer o Pedro Nicolas e a competir várias vezes junto, desde as categorias de base, Mirim (9 a 10 anos) e Petiz (11 a 12 anos). Quando aconteceu a fatalidade, eu tinha 12 anos e, mesmo sendo de outro clube, a gente fica sensibilizado. Foi muito difícil para todos nós, até porque era uma pessoa que fazia parte (do nosso meio)”, relembra Caio.
Atualmente com 22 anos, Caio apresentou algumas de suas medalhas: campeão e recordista Norte-Nordeste (2015); campeão da Travessia Almirante Tamandaré (atual campeão); e campeão do Aquathlon Naval (atual bicampeão), conquistada no último domingo (5), no Complexo Turístico da Ponta Negra.
Um gigante das águas com uma motivação gigante, ostentando a medalha do IPNSS – entregue aos atletas que representaram pela primeira vez o instituto em uma competição oficial.
“Ele era uma referência para mim, que era mais novo. Nós não éramos tão próximos assim, mas eu o admirava muito e tinha ele como uma inspiração. Ele nadava muito melhor, já estava numa fase para ser campeão brasileiro, então era tudo que eu já almejava. Quando fundaram o instituto, em 2015, foi quando comecei a entrar de fato na natação competitiva, a nível Brasil e Sul-Americano. Desde lá, venho representando o Pedro Nicolas e nunca deixei de representar”, finaliza.