Primeira partida da final do Brasileirão feminino é duelo entre hegemonia e novidade
A decisão de 2026 terá um ingrediente especial: Corinthians e São Paulo voltam a se encontrar em uma final do Brasileirão Feminino dois anos depois do último confronto pelo título
Corinthians e São Paulo começam, neste sábado, a disputa pelo título do Campeonato Brasileiro Feminino de 2026. O primeiro confronto da decisão será realizado às 15h30 (horário de Manaus), na Neo Química Arena, em São Paulo, com mando das Brabas. A partida terá transmissão pela TV Globo, SporTV, GE TV, TV Brasil, N Sports e UOL.
O campeão brasileiro será conhecido após dois jogos. A segunda partida está marcada para o dia 3 de outubro, também às 15h30, no MorumBIS, casa do São Paulo. O Tricolor terá o mando do confronto decisivo por ter terminado a primeira fase com a melhor campanha entre os dois finalistas.
Apesar de decidir o título diante da própria torcida, o São Paulo não terá vantagem em caso de empate no placar agregado. Se as duas equipes terminarem os 180 minutos com o mesmo número de gols, a definição do campeão será realizada nas cobranças de pênaltis.
A final coloca frente a frente os dois primeiros colocados da fase classificatória. O São Paulo encerrou essa etapa na liderança, com 41 pontos, enquanto o Corinthians terminou na segunda posição, com 38. As equipes já mediram forças durante a competição, pela décima rodada, quando as Brabas venceram por 2 a 1, no Parque São Jorge.
Final reeditada
A decisão de 2026 terá um ingrediente especial: Corinthians e São Paulo voltam a se encontrar em uma final do Brasileirão Feminino dois anos depois do último confronto pelo título. Em 2024, os clubes também chegaram à decisão, e o Corinthians ficou com a taça após vencer o rival por 5 a 1 no placar agregado.
Para o São Paulo, a final representa a segunda participação do clube na decisão desde que o Campeonato Brasileiro Feminino passou a adotar o atual formato, em 2019. A equipe busca conquistar o segundo título brasileiro de sua história. A primeira taça nacional foi levantada em 1997, na edição inaugural do Brasileirão Feminino organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O Corinthians, por sua vez, chega à decisão como atual campeão e principal vencedor da história da competição. O clube soma sete títulos brasileiros e tenta alcançar a oitava conquista da competição nacional. Com a vaga garantida, o Corinthians chega à décima decisão consecutiva do Brasileirão Feminino. Atual campeão, o clube tenta conquistar o oitavo troféu da competição e ampliar sua coleção de títulos na principal competição nacional da modalidade.
A final também deve contar com forte presença das torcidas. Em 2025, quando Corinthians e Cruzeiro decidiram o campeonato, mais de 60 mil torcedores estiveram presentes nos dois jogos. A primeira partida, disputada na Arena Independência, em Belo Horizonte, recebeu aproximadamente 19 mil pessoas. No segundo duelo, realizado na Neo Química Arena, cerca de 41 mil torcedores acompanharam a decisão.
No histórico, as equipes já se enfrentaram 22 vezes em competições oficiais, com 13 vitórias das Brabas, cinco triunfos do São Paulo e quatro empates.
Jhonson ganha espaço na artilharia corintiana
Entre os destaques ofensivos do Corinthians está a atacante Jhonson. A camisa 9 assumiu a vice-artilharia da equipe na temporada de 2026 após marcar duas vezes nos confrontos das semifinais contra o Bahia. Ela também divide a posição com Gabi Zanotti, a artilheira da equipe no ano é a atacante Jaqueline, que soma 13 gols.
Com os gols, a jogadora chegou a 11 em 29 partidas disputadas pelo clube neste ano, igualando a marca da veterana, que também soma 11 gols, mas em 31 jogos. A liderança interna da artilharia pertence a Jaqueline, que marcou 13 vezes em 29 partidas na temporada.
Para Jhonson, 2026 já representa a segunda temporada com maior número de gols desde que chegou ao elenco profissional do Corinthians. Em 2025, a atacante marcou 14 gols em 40 jogos, estabelecendo até então seu melhor desempenho ofensivo pelo clube do Parque São Jorge.
“Fico feliz por estar vivendo mais uma temporada importante pelo Corinthians. Em 2025, consegui marcar 14 gols, que foi até então minha melhor marca pelo clube, e agora, em 2026, já estou novamente entre as minhas melhores temporadas em número de gols. Isso mostra a evolução do meu trabalho e me motiva a continuar ajudando a equipe dentro de campo”, finalizou.
Pelo São Paulo, Giovana Crivelari aparece entre os principais nomes do setor ofensivo. A atacante soma seis gols em 20 partidas na temporada.
A jogadora também chega à decisão com marcas importantes pelo clube. No ano anterior, terminou como artilheira isolada do São Paulo feminino, com 15 gols, além de ter participado da conquista da Supercopa Feminina.
Ao longo da passagem pelo Tricolor, Crivelari já ultrapassou a marca de 20 gols e mantém presença frequente entre as titulares da equipe.
“Fico muito feliz por alcançar essa marca com a camisa do São Paulo. São mais de 20 gols pelo clube, e poder contribuir com a equipe, seja marcando gols ou ajudando dentro de campo, é algo muito especial. Espero continuar trabalhando para manter essa sequência e ajudar o São Paulo a conquistar seus objetivos”, disse.
Trajetórias dos técnicos
Thiago Viana está no São Paulo há aproximadamente oito anos. O treinador iniciou a trajetória no clube pelas categorias de base antes de assumir o comando da equipe profissional. Em 2026, ele chega à quarta temporada consecutiva à frente do time principal, consolidando um dos trabalhos mais duradouros do futebol feminino nacional.
Durante sua passagem pelo comando do Tricolor, Viana se notabilizou pela organização tática da equipe. Entre as formações utilizadas com frequência está o sistema com três zagueiras, acompanhado de alas com liberdade para avançar e participar das ações ofensivas.
Na decisão do Brasileirão Feminino, o treinador terá a missão de tentar interromper o domínio do rival e conduzir o São Paulo ao primeiro título nacional neste formato da competição.
“Estar nessa trajetória praticamente há oito anos, passando pelas categorias de base e fazendo a quarta temporada na equipe profissional, é motivo de muito orgulho”, frisou. Já Emily Lima assumiu o comando do Corinthians em fevereiro de 2026 e se tornou a primeira mulher a dirigir a equipe feminina profissional do clube. A treinadora possui licenças PRO da CBF, Conmebol e UEFA.
Antes de chegar ao Corinthians, Emily construiu uma carreira com passagens de destaque pelo futebol de seleções. A técnica comandou a Seleção Brasileira em diferentes categorias, incluindo a equipe principal, além de ter trabalhado nas seleções do Equador e do Peru. No futebol de clubes, também passou por Santos e Levante, da Espanha.
A decisão contra o São Paulo representa a oportunidade de conquistar seu primeiro título do Campeonato Brasileiro Feminino. A última participação de Emily em uma final da competição havia ocorrido em 2015, quando comandava o São José e terminou como vice-campeã.
“É um privilégio para mim poder estar disputando mais uma final na minha carreira, só que agora do lado de cá, espero que possamos realizar uma boa partida, que possa ser um jogo bom para todos”, comentou.
Escalações
O Corinthians ainda tem dúvidas para definir a equipe que começa a final. A principal delas está na defesa. A zagueira Érika sentiu um desconforto no joelho esquerdo e ficou fora da partida contra o Bahia, disputada em 21 de setembro.
No treinamento aberto à imprensa, realizado em 24 de setembro, a defensora acompanhou a atividade do lado de fora do campo e não participou dos trabalhos com o restante do elenco. Caso não tenha condições de atuar, a argentina Agustina Barroso aparece como principal alternativa para completar a linha de três zagueiras, ao lado de Duda Mineira e Thaís Ferreira.
Outra baixa é Ana Vitória, que se recupera de uma lesão muscular na região abdominal. A capitã Gabi Zanotti também é observada pela comissão técnica. Vice-artilheira do Corinthians na temporada, com 11 gols em 31 partidas em 2026, a meio-campista não participou do treino aberto à imprensa. Apesar disso, começou como titular a segunda semifinal e foi substituída no intervalo por Jaqueline. A jogadora permanece como opção para a decisão.O Corinthians deve vir com: Nicole Ramos; Érika (Agustina Barroso), Duda Mineira, Thaís Ferreira; Gi Fernandes, Duda Sampaio, Vic Albuquerque, Belén Aquino, Tamires;
O São Paulo não possui, até o momento, desfalques confirmados por lesão ou suspensão. A provável escalação tem: Carlinha; Bruna Calderan, Tayla, Carol Gil; Duda Serrana, Karla Alves, Robinha, Bia Menezes; Isa Guimarães, Aline Milene, Vitória Amaral.