Projeto que une o softbol e ações sociais promove evento em Manaus
Conheça o grupo de venezuelanos que usa do esporte para unir seus conterrâneos e realizar trabalho social
O projeto Amigos da Venezuela, um grupo que tem planos para se tornar uma fundação sem fins lucrativos, organizou na tarde do último domingo (20), no bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus, o seu primeiro evento social que, tem como objetivo, reunir o povo venezuelano para relembrar a cultura de seu país e promover ações, como: arrecadação de alimentos e doação de brinquedos para crianças carentes da capital.
O presidente do projeto, o venezuelano Jesus Alberto, de 30 anos, falou ao A Crítica sobre como o tudo começou e o que o motivou para levar a ideia à diante.
“O grupo começou no início do ano, ali no mês de fevereiro. Com a chegada da pandemia, infelizmente nós tivemos que adiar alguns planejamentos, mas agora estamos retomando aos poucos. Nosso objetivo é registrar nossa fundação, estamos começando como um projeto, arrecadamos alimentos, brinquedos para as crianças e trabalhamos essa área social. Neste momento, precisamos de um advogado, para nos ajudar a fazer nosso estatuto e toda nossa documentação para levar no ministério público e nos registrar”, diz o representante do projeto.
Uma das dificuldades que Jesus tinha era achar achar um lugar – que não fossem os abrigos – que reunissem uma grande quantidade de venezuelanos.
“Era difícil concentrar essa quantidade de venezuelano, pois todos vem para Manaus e ficam espalhados, nos abrigos sempre foi bem difícil começar esse tipo de ideia, pois lá é uma área bem sensível”, explica.
Surge uma oportunidade
Após navegar pelas redes sociais, Jesus ficou sabendo da página Guerreros Softbol Clube, criada pelo também venezuelano, Miguel Diaz, para reunir pessoas d e praticar o esporte semelhante ao beisebol. Após um primeiro contato, que aconteceu no dia 6 de dezembro, Jesus Alberto conta que a vontade de acompanhar de perto aconteceu ‘logo de cara’.
“Quando eu conheci o projeto, tive a vontade de acompanhar de perto logo de cara. Quando eu vim aqui pela primeira vez e vi a quantidade de venezuelanos que vinham para participar, fiquei bem animado, pois eram pessoas de todos os tipos: crianças, adultos, idosos. Foi aí que tive a ideia de realizar o evento para aproveitar e ajudar o nosso povo e realizar as ações sociais” conta Jesus.
Para o projeto Guerreros Softbol Clube, Miguel conta que tudo começou em julho deste ano. Como o beisebol é o esporte mais popular da Venezuela, e o softbol tem regras bem semelhantes ao mesmo, surgiu a iniciativa de separar um dia do final de semana (os domingos) para reunir os venezuelanos.
“Tudo começou quando fizemos publicações no Facebook sobre a nossa ideia, a gente criou um grupo de whatsapp, colocamos o link nas redes sociais e foram chegando pessoas para ajudar na nossa prática”, conta.
Miguel também diz que houve uma ajuda da colônia japonesa – que também tem uma liga de softbol – e a partir dessas ajudas e divulgação nas redes sociais, os domingos que antes tinham entre 10 jogadores, agora chegam a reunir até 6 times com 15 jogadores cada.
“No início tínhamos cerca de 10 pessoas e hoje já conseguimos reunir seis times de 15 jogadores para participar. Tivemos uma grande ajuda dos nossos amigos da colônia japonesa, que também praticam o esporte, eles ajudaram na divulgação e agora estamos querendo atingir novos objetivos, tornando oficial a consolidação da nossa liga”, explicou.
A união faz a força
Jesus Alberto conta que o maior sucesso de promover está parceria, é porque ambos os projetos se complementam e acabam se ajudando no fim das contas.
“Aqui deu tudo certo, pois todos se ajudaram e tiveram vontade de contribuir. A gente conseguindo se tornar fundação, poderemos ajudar com que a liga de softbol de Petrópolis seja oficialmente reconhecida”, projeta.
E os planos não param por aí, para a segunda edição do evento – prevista apenas para o começo do segundo semestre de 2021 -, Jesus pretende trazer bandas, distribuir mais alimentos e brinquedos, apresentar a cultura venezuelana para o brasileiro que queira prestigiar e, é claro, fazer competições de softbol.
“Pensamos grande neste processo, a ideia é tentar fazer com que o nossa evento seja o mais organizado e bonito possível. Queremos trazer bandas para tocar músicas da nossa casa, promover distribuição de alimentos, brinquedos, toda a ação social, além de entrenter o público com os campeonatos da liga de softbol”, explica Jesus.
Diferenças do beisebol e softbol
Outro fundador da Guerreros Softbol Clube, é o venezuelano Roberto Manrique, ele explica que uma das grandes diferenças que separa o softbol do beisebol, é o tamanho da bola que se é jogada.
“O beisebol é jogado com uma bola de 8 onças, já a de softbol tem 12 onças. Além disso, existe uma outra posição na hora de lançar a bola, que no caso, é de baixo pra cima, em vez de por cima dos ombros, como é o caso do beisebol ”, explica Roberto.
Além das diferenças citadas acima, outras peculiaridades diferenciam os dois esportes, como por exemplo: as dimensões do campo são menores no caso do softbol, a duração do jogo que, em vez de 9 entradas – como é no popular esporte americano -, no softbol se resume a ter 7 entradas.