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A Crítica
Esportes

Representatividade: A força amazonense na campanha da Onça-Pintada

Jogadores naturais do estado do Amazonas são peças fundamentais na vitoriosa campanha aurinegra na Série D

Publicado em 03/09/2022 às 12h52
Representatividade: A força amazonense na campanha da Onça-Pintada
Foto: Jadison Sampaio/AMFX

Entre os rescaldos do acesso conquistado no último fim de semana, onde o Amazonas bateu a Portuguesa-RJ diante de um estádio apinhado de espectadores, o clube amazonense apresentou durante toda a competição uma equipe coesa, mas bastante eclética. 

Um time multifatorial e com boas variáveis no elenco, apresentou elementos que foram decisivos em duelos importantes e que encantaram torcedores país afora. 

Entre fatores que chamam atenção na trajetória aurinegra, além da melhor campanha e do melhor ataque, é o número de atletas nascidos no estado do Amazonas que defendem a equipe ao longo desta edição da Série D. 

Com 26 jogadores no plantel, cinco atletas são amazonenses da terra, são eles: Adriano (Canutama), Cortez (Careiro), Delciney (Manaus), Judá (Manacapuru) e Miliano (Anamã). Sendo os três últimos peças fundamentais na campanha que elevou o clube de divisão. 

Embora pareça um número pequeno, esses atletas ficaram no clube após uma completa reformulação do elenco que hoje é multirregional. Do treinador ao goleiro, existe ao menos um jogador de cada região no elenco.

Contudo, entre os atletas barés, o estado inteiro acaba sendo representado, uma vez que os jogadores chegaram ao clube ainda que fossem de diferentes cidades, abrangendo capital e interior. O que é bastante simbólico, já que o clube carrega o nome do estado. 

Titulares na conquista do acesso, Miliano e Judá falaram sobre a experiência em ter em seu currículo uma conquista tão importante com um clube que carrega o nome do estado em que nasceram. 

“Representa muita coisa, por ser amazonense é um momento que por mim jamais será esquecido, fazer história por esse Amazonas, para mim não tem explicação”, disse de forma sucinta o ala Miliano. 

Já o meia Judá falou sobre a experiência e especialmente para ele, a trajetória tem ainda uma maior importância. Isto porque o meio campista tinha a intenção de abandonar o futebol. Em uma publicação em suas redes sociais, o jogador relatou que se dedicaria ao concurso da Polícia Militar do estado Amazonas, o que colocaria um ponto final em sua carreira. 

Pouco mais de um ano após a decisão, o volante relembra o episódio e os sonhos no futebol. De lá para cá o atleta retomou a carreira pelo Operário de Manacapuru e logo depois acertou com a Onça-Pintada. E com o mundo girando como uma bola de futebol, conquistou acessos pelas duas equipes, com o Sapão da Terra Preta pelo estadual e com o Amazonas. 

“É uma coisa que só eu sei o que tô vivendo. Há um ano eu tinha largado o futebol, já tinha sentado para conversar com a minha família que não queria mais. E querendo ou não, para o jogador amazonense é complicado aqui no estado”, explicou.

Judá  ressaltou que acredita que depois do acesso do último domingo, os dirigentes vão confiar mais e valorizar os talentos da terra. “Sou grato e sou uma prova viva de que o futebol roda muito rápido, ano passado eu tinha largado e fui jogar a Série B do Amazonense no Operário com chuteiras emprestadas dos amigos meus, e agora eu tô na Série C, isso para mim é um sonho que tá se realizando, é apenas um pouco do que ainda vou realizar” disse Judá, prosseguiu: 

“Dois acessos em um ano praticamente, é uma trajetória que está começando a se tornar vitoriosa, estou apenas colhendo tudo o que plantei lá atrás, só Deus sabe o que já passei. E agora é colher mais, quem sabe se Deus coroar a gente com esse título (Série D)”. 

Sobre carregar o nome de seu estado a um acesso de divisão, Judá disse sentir um sabor especial. 

“É uma coisa diferente, até postei no instagram e falei que subir com um time de outro estado é uma coisa. Agora, subir com um time que tem o nome do teu estado, que representa a tua terra, é gratificante. Então eu sou muito grato por isso, pela oportunidade que o Amazonas me deu e grato por estar mostrando o meu valor”, finalizou.