Manaus sáb, 7 nov
A Crítica
Esportes

Ufam inaugura Centro de Referência Paralímpico do Amazonas

Projeto pretende iniciar pessoas com deficiência ao esporte de alto rendimento. Inicialmente serão ofertadas quatro modalidades: bocha, natação, atletismo e halterofilismo

Publicado em 29/03/2022 às 22h43
Ufam inaugura Centro de Referência Paralímpico do Amazonas
Foto: Phil Limma

O Amazonas ganhou nesta terça-feira (29) um Centro de Referência Paralímpico, que funcionará na Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (FEFF) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O projeto será desenvolvido em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e tem por objetivo buscar pessoas com potencial e desenvolvê-lo visando o esporte de alto rendimento.  

As inscrições estão abertas para pessoas com deficiência física, visual e intelectual com idade entre 10 e 35 anos e podem ser feitas pelo link https://forms.gle/CRLUiRN786evVMMN8. Inicialmente serão ofertadas quatro modalidades: atletismo, natação,halterofilismo e bocha, de forma gratuita.  

As atividades do Centro iniciam já nesta quarta-feira (30) com a avaliação do halterofilismo. Na quinta (31), será feita a avaliação do atletismo e na segunda quinzena de abril iniciam as avaliações para bocha e natação. Há ainda a expectativa da implantação do tênis de mesa, que será feita assim que o professor da modalidade chegar. Para desenvolver as modalidades, a Faculdade de Educação Física já passou por adaptações nas estruturas que contará com sala de musculação, piscina e pistade atletismo adaptadas para pessoas com deficiência. 

O Centro de Referência foi desenvolvido na esteira do Programa de Atividades Motoras para Deficientes (PROAMDE) que existe há 22 anos na Universidade Federal do Amazonas. O PROAMDE, que atende cerca de 200 pessoas, tem por objetivo desenvolver potencialidades em pessoas com deficiência através de atividades motoras. Com a chegada do Centro de Referência na Universidade, o projeto poderá ser utilizado como um local onde os instrutores poderão observar quem tem condições de se desenvolver no paradesporto, funcionando como iniciação. 

“O PROAMDE tem toda uma história, só que a ideia principal é oportunizar as atividades motoras e agora nós estamos trazendo a ideia de democratização do esporte, principalmente para o esporte de rendimento. O Centro de Referência Paralímpico vai funcionar como mais um espaço para a pessoa com deficiência ter a oportunidade de vivenciar as modalidades esportivas e, muitas vezes, dentro do PROAMDE vai identificar quem tiver as características para essas modalidades e, daí, seguir no desenvolvimento. Uma coisa interessante também é que não é só para os alunos do PROAMDE, o PROAMDE foi uma coisa que nos motivou para que isso acontecesse, mas ele é aberto para pessoas com deficiência até 35 anos”, explicou o professor João Libardoni, diretor da FEFF. 

De acordo com o coordenador técnico do Centro, Keegan Ponce, a Ufam tinha um desejo antigo de desenvolver o Centro de Referência, mas esbarrou em algumas burocracias até que o projeto finalmente andou, até ser lançado na terça-feira. 

“O Comitê Paralímpico Brasileiro desenvolve o Centro de Referência em várias capitais do Brasil, que têm como objetivo trabalhar da iniciação ao alto rendimento e, aqui no Amazonas, por meio da Universidade Federal, junto com o Comitê, a gente montou essa parceria e aí foi enviado um projeto, o Comitê aceitou e foi feito todo um treinamento com os professores que estão trabalhando e, a partir disso, somos contratados pelo CPB e atuamos diretamente aqui na Universidade Federal, já vai fazer essa iniciação esportiva e encaminhar para o alto rendimento”, explicou Keegan frisando a parceria com outros núcleos na cidade de Manaus.

“Existem em Manaus outros centros que fazem esse trabalho, como a Vila Olímpica e a Sejusc (Secretaria de Estado deJustiça, Direitos Humanos e Cidadania) para captar esses alunos e trazer para cá. Buscamos outras parcerias com a Semed (Secretaria Municipal de Educação) e Seduc (Secretaria de Estado de Educação e Desporto) para que o aluno que está na escola e que participa ou não da aula de Educação Física possa treinar com o professor que atua com ele e fazer que participe na aula, e entenda que existe um movimento desportivo para ele. Ou seja, a gente faz o atendimento direto à pessoa com deficiência pensando na formação do professor que está na base”, completou. 

Esteve presente na aula inaugural do projeto a professora Kathya Thomé Lopes, que idealizou o PROAMDE há 22 anos. A docente se aposentou em 2020, mas disse que o sentimento é de dever cumprido ao ver que o projeto, que ela iniciou no ano 2000 com um aluno, deu mais um passo. 

“É uma satisfação muito grande porque você se sente como se seu dever estivesse cumprido. Na verdade, nós iniciamos um programa que continua firme e forte e que tem um propósito, que é o desenvolvimento de pessoas com deficiência, seja ela qual for. Não temos a intenção de ter atletas no PROAMDE, no entanto, muitas pessoas após o desenvolvimento do seu potencial conseguem ver podem mais. Então isso é uma satisfação, porque agora surge um novo potencial do programa, que um não é excludente do outro”, declarou.

Ex-atleta olímpico participou do projeto 

Uma das pessoas que ajudaram a viabilizar o projeto foi o medalhista olímpico Sandro Viana. Medalha de bronze em Pequim 2008 no revezamento 4×100, Viana foi atleta-guia da seleção brasileira por três anos e assumiu como bandeira o esporte paralímpico. Ele contou que conversou com Yohansson Nascimento , vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), e através de treinamentos de atletas de técnicos no Centro Paralímpico, localizado em São Paulo, pôde ajudar na instalação do centro no Amazonas.

“Fui até o vice-presidente do Comitê Paralímpico, o Yohansson, e expliquei que precisávamos de um Centro de Referência no Amazonas e acabou que colocou como prioridade que cada estado tivesse um e isso foi um grande pontapé para que nós conseguíssemos. Além disso, levamos atletas e alguns professores para fazer classificação no Centro Paralímpico e isso foi uma abertura de porta, uma grande vitrine que tá culminando hoje e contribuindopara o Centro de Referência no estado do Amazonas e estou me comprometendo, juntamente com o diretor presidente da FAAR (Fundação do Amazonas de Alto Rendimento), de levar a bandeira paralímpica que está no meu coração. Sei do potencial do esporte paralímpico e tenho certeza que este projeto vai começar a trazer frutos rápido”,comentou.