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Agora é que são elas!

Com o Dia Internacional da Mulher se aproximando, o JORNAL A CRÍTICA reuniu histórias de figuras femininas que, superando obstáculos e padrões, tornaram-se referências em Manaus

Publicado em 05/03/2024 às 20h23
Agora é que são elas!
Foto: Reprodução/Instagram

A mulher deve ser “somente” duas coisas: o que ela quiser e ser respeitada (e celebrada) por isso. Com a proximidade de 8 de março, data em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, o JORNAL A CRÍTICA traz relatos de mulheres que, mesmo com os obstáculo, não se deixaram definir por padrões, rótulos estipulados pela sociedade e buscaram a própria felicidade e espaço, tornando-se referências em suas áreas.

Referência em produção de conteúdo digital, Amanda Monteiro começou a trabalhar com redes sociais há 5 anos e, há pelo menos 4, tem nela a sua única fonte de renda. “Comecei da minha vontade de querer encontrar outras pessoas que gostassem das mesmas coisas que eu. Não conhecia ninguém que falasse de brechó, aqui em Manaus, e o meu conteúdo principal, na época, era esse. Ia nos lugares que eu já conhecia, que eu já comprava roupa, e comecei a gravar a partir disso. E deu muito certo”, revelou a produtora de conteúdo.


Trabalhar com a Internet é delicado, mas, para se blindar e continuar sua trajetória de sucesso em Manaus, Amanda se cercou de pessoas que a inspiram e, principalmente, a respeitam.

 

“A melhor coisa que me aconteceu foi ter criado uma comunidade que se respeita, que não me cobra sobre esses padrões, também. Não recebo mensagens sobre a minha aparência, como eu estou ou comentários indelicados que possam me deixar fragilizada de alguma forma. Todo mundo se respeita bastante”, completou.


Quando começou a criar e fez seu primeiro vídeo, Amanda tinha na cabeça que era impossível uma pessoa como ela, uma mulher careca e gorda, trabalhar da forma que trabalha hoje em dia, de fechar campanhas como fecha. “Achei que teria de me padronizar muito para conseguir trabalhar e crescer. E, pelo contrário, foi sendo eu, não mudando nada esteticamente para agradar ninguém, que eu consegui me tornar referência”, acrescentoü.


Hoje em dia, ela fica feliz por ver que a comunidade está caminhando para, cada vez mais, abrir espaços para que outras mulheres, diferentes e diversas, consigam estar nesse ambiente da comunicação, da publicidade e da influência.


“Tem uma fala do Emicida que sempre fica na minha cabeça: ‘Você é o único representante do seu sonho na face da terra. Se isso não fizer você correr, chapa. Eu não sei o que vai’. Acho que precisamos sempre ficar olhando para dentro para conseguir seguir em frente”, concluiu Amanda.


Gastronomia


Selma Reis é referência na cena gastronômica de Manaus, onde tem 30 anos de atuação (Foto: Divulgação)

 

Referência em Manaus, a chef Selma Reis mudou completamente de vida, ao sair do Distrito Industrial e se aventurar no mundo da gastronomia, há 30 anos. “Sempre gostei de cozinhar e fazer pratos diferentes, mas não fazia a menor ideia de que trabalharia com isso algum dia na minha vida”, contou a chef.

Para ela, em se tratando de Brasil, é muito difícil a mulher conquistar o respeito das pessoas – sentimento que ela vivenciou bastante, antes de migrar para a culinária. “Todas nós sabemos que sofremos discriminação. Quando eu atuava no Distrito, sentia muito isso. Tinha dez diretores homens para uma diretora mulher”, recorda-se Selma.


Apesar de tudo, ela é muito grata por todo o respeito e admiração que conquistou ao longo dos anos de carreira. “Fico muito feliz, pois, de alguma forma, eu conquistei isso. Para mim, uma das coisas que mais me dá orgulho é quando falam que sou referência da nossa comida, pois carrego essa bandeira. Nasci no interior e tenho muito orgulho de ser amazonense”, frisou Selma.


Além do trabalho, outro pilar da vida pessoal da chef que a enche de orgulho são os filhos: Raphaela, Renate e Daniel. “Tenho muito orgulho de todos os meus filhos, pelos seres humanos que são. Não os criei para serem os mais ricos ou os melhores, eu os criei para eles serem pessoas boas e eles são. Para mim, isso não tem preço”, elogiou.


Neste Mês da Mulher, Selma espera que todas as homenageadas saibam que não há absolutamente nada que elas não possam fazer. “A gente é capaz de tudo e eu espero que as mulheres sigam conquistando, cada vez mais, o mundo corporativo, a política, as artes e todas as outras profissões do mundo”, finalizou a chef.


Sonora


Em breve, a empreendedora Raquel Omena lançara o primeiro streaming interativo do Brasil (Foto: Divulgação)

 

Empreendedora, musicista e CEO Muviplay, Raquel Omena e um grupo de amigas abriram, em 2016, o estúdio Sonora Music, voltado para ensaio e gravação de bandas, venda de instrumentos musicais e locação de som para eventos. Com a pandemia, porém, o local, que já era consolidado na cena musical de Manaus, precisou se ajustar à nova realidade.
Foi então que Raquel e a equipe passaram a gravar shows ao vivo de artistas locais – somente no início, foram cerca de 21 apresentações.

“Colocamos, então, esses artistas em uma plataforma de streaming, que demos o nome de Sonoraplay, para que a gente começasse a testar o interesse da população com o conteúdo local”, completou.


Em 2022, percebendo uma aceitação muito forte, também, do Cinema, Raquel tratou de repaginar ainda mais a plataforma e, um ano mais tarde, selou outra conquista: o Sonoraplay fez uma fusão com a empresa Viditok, uma plataforma de vídeos onde o usuário pode criar diversas interações em tempo real na tela de exibição.


“Ou seja, se um cantor gravou seu videoclipe em parceria com uma loja de roupas, por exemplo, ao assistir esse vídeo o usuário da plataforma pode clicar na blusa do cantor e ser levado para o checkout da blusa”, detalhou Raquel.


Com esse feeling para as plataformas digitais e sua expertise empreendedora, Raquel adianta ainda mais novidades para este ano: o primeiro streaming interativo do Brasil.


“Acho importante que a gente, como mulher, se coloque também no papel de ajudar outras mulheres, de indicar outras mulheres, consumir outras mulheres, comprar de outras mulheres, ouvir mais as mulheres à nossa volta. Nós merecemos ocupar todos os espaços que desejamos, seja no mundo dos negócios, na política, na ciência ou em qualquer outra área. A gente sabe que, juntas, somos muito mais fortes e, se a gente der mais oportunidades para que mulheres cresçam junto com a gente, vai ser muito mais fácil continuar quebrando barreiras e construindo um futuro mais igualitário e justo para todas nós”, finalizou.

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