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Amazonenses ajudam a impulsionar setores e a promover inovações sustentáveis na região

Pautados na sustentabilidade, profissionais se destacam no segmento da moda e da beleza

Publicado em 01/04/2024 às 19h38
Amazonenses ajudam a impulsionar setores e a promover inovações sustentáveis na região
Foto: Divulgação


A Amazônia nunca esteve tão em foco. Seja na telona, com os trabalhos de Adanilo; na casa mais vigiada do Brasil, com a presença de Isabelle Nogueira; ou nas passarelas, com os designs de Maurício Duarte, todos os olhares estão voltados para cá. Porém, quando falamos na nossa região, muito deve ser levado em conta, além das inúmeras belezas naturais e turísticas presentes aqui. Tópicos como representatividade, responsabilidade ambiental e sustentabilidade, entre outros, tornam-se indispensáveis nessa ampla vitrine que a Amazônia se transformou.


Alinhados a esses aspectos, diversos profissionais têm se destacado e ajudado a impulsionar setores e a promover inovações na região. Danniel Pinheiro, CEO da Simbioze Amazônica – marca de dermocosméticos 100% natural e vegana, nativos da Amazônia -, é um deles.


“Trabalhamos com cadeia de matéria prima de castanha, andiroba, açaí, copaíba, patauá, pracaxi, as argilas amazônicas e também manteigas de murumuru e cupuaçu. Todos esses provenientes de comunidades que passam por um processo de boas práticas de fabricação, segurança de trabalho e gerenciamento de resíduos”, explicou o CEO.


A marca existe há 5 anos e surgiu da ideia de levar ativos da biodiversidade amazônica para a área da indústria da beleza, de forma limpa e consciente. Cosméticos naturais, veganos e com alta performance para o mercado, carregando toda a ancestralidade e as histórias dos povos da Amazônia.


O CEO credita esse momento de visibilidade (da Amazônia) ao grande potencial bioeconômico da região, que vem sendo bastante discutido nos últimos anos. “Diversos são os incentivos e projetos que fomentam isso. Acredito que isso abre os olhos de muitos empresários e empresas”, destacou.


“É importante trabalhar com a manutenção da floresta em pé e saber, de fato, se isso está sendo feito de forma correta e assertiva. Não adianta explorar e não promover esse ecossistema, trabalhar com a floresta é, também, cuidar de quem mantém ela de pé”, concluiu Danniel.
Os produtos da Simbioze podem ser encontrados no site oficial da marca (simbiozeamazonica.com) e nas unidades da Bemol Farma e do Pátio Gourmet.


Moda


Eben Santana. (Foto: Divulgação)

 

Foi através de um despertar espiritual que o designer e instrutor de desenho de Moda Eben Santana fundou a AIMI Amazônia, marca de bolsas que utiliza matéria-prima da floresta para a confecção de suas obras de arte. “Sempre gostei muito do trabalho das [marcas] que desenvolvem essas bolsas que são consideradas obras de arte”, contou Eben.


Quando passou a entender a Amazônia como um potencial, decidiu unir a paixão à riqueza e às possibilidades presentes na região. Atualmente, ele não considera, ainda, o seu trabalho como sendo 100% sustentável, em razão do couro que precisa ser importado de outras regiões do Brasil. Mas espera mudar isso, em breve.


“Estamos trabalhando com muitos materiais amazônicos, como palha, principalmente as da Associação Waimiri Atroari, que são incríveis; palhas de buriti; sementes; linhas; e fibras da Amazônia. Estamos abertos a todos os materiais que estão próximos aqui da nossa região. (…) Tenho um olhar atento à sustentabilidade e sempre faço o possível para mudar”, ressaltou.


“A moda de roupas acaba sendo um dos maiores poluentes do planeta terra inteiro. Muita coisa de nylon e plástico, que acaba indo para os nossos oceanos. É importante se atentar aos materiais que estão próximos da gente, em questão de matéria prima. Isso é ser sustentável: usar o que tem aqui próximo, sem precisar ir buscar fora, e conseguir criar peças únicas, duráveis e maravilhosas, com um design incrível”, finalizou.


O ateliê da AIMI Amazônia está localizado na Rua Viena, no bairro Planalto, e está aberto a visitações agendadas.


Soul Hara


Harim Feitosa. (Foto: Divulgação)

 

Outra voz importante no segmento da Moda é Harim Feitosa, fundadora da Soul Hara (Avenida João Valério, nº 708), marca autoral de roupas. “[A Soul Hara] era um sonho antigo. Cresci vendo a minha mãe costurar, dobrando os tecidos dela e folheando revistas de Moda”, contou a empresária.


Responsável por toda a parte de criação das peças, Harim conta que, ao criar a marca, sempre levou em consideração características típicas da região, como, por exemplo, o clima. “Na Soul Hara, usamos preferencialmente tecidos naturais e com respirabilidade, que permitam conforto térmico, pois acredito que elegância vai muito além de vestir. (…) Elegância é, também, sobre respeito às condições do ambiente, então, unimos as duas coisas: elegância e conforto”.


Recentemente, Harim lançou, no Teatro Amazonas, uma coleção toda inspirada na cúpula do maior cartão postal da capital amazonense. “Essa foi uma experiência incrível, um projeto de um ano que se iniciou com a criação da estampa e com os estudos sobre a história da cúpula e como ela foi criada”. Além do Teatro, ela já usou, também, o Encontro das Águas, o calçadão do Largo de São Sebastião e o arquipélago Mariuá, localizado em Barcelos, como inspiração.


“Como amazônidas, devemos ser os primeiros a preservar, os primeiros a conscientizar sobre nossas riquezas. Na Soul Hara, todas as estampas são produzidas em processo e selo eco vero de sustentabilidade, isso implica em um processo de sustentabilidade em toda a cadeia de produção. Além disso, não acompanhamos tendências, isso obriga o mercado de Moda a super produzir e descartar as peças com facilidade, o que produz cada vez mais lixo têxtil. Aqui, as peças danificadas pelas clientes, que geralmente são descartadas, recuperamos. As clientes trazem as peças e devolvemos à fábrica para conserto”, revelou.


Junto a essas características, todos os restos de tecido são aproveitados em peças únicas, para não gerar desperdício. Outra maneira de ser sustentável, de acordo com Harim, é promover a moda circular, através do Instagram secundário da marca. “Lá, comercializamos especialmente para pessoas que não podem comprar as peças novas, peças usadas ou trocadas pelas clientes. Assim, geramos maior aproveitamento em todos os estágios”, encerrou.
 

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