Escritores amazonenses destacam obras que marcaram infância
Autores falam sobre como os livros incentivam o desenvolvimento em diversas áreas.
De ‘Turma da Mônica’ a ‘Sitio do Picapau Amarelo’, os livros infantis têm lugar certo na estante e também na história de muita gente, inclusive, de nomes da literatura amazonense.
Um bom escritor ou uma boa escritora precisa, antes de mais nada, ter familiaridade com a leitura. E este é o caso de autores amazonenses, como Márcio Souza e Miltom Hatoum, já consagrados na cena literária nacional, e também das escritoras Bete Desana e Paloma Silva, da nova geração.
Em entrevista ao Bem-Viver, eles relatam uma infância literária marcada por descobertas e curiosidades.
Imaginação
O contato com a leitura desde os primeiros anos de vida é essencial, já que é uma fase de aprendizado e de explorar o universo da imaginação. Autor do conto infantil ‘Nas asas do Condor’ e outras obras, o escritor Milton Hatoum afirma que a leitura na infância é essencial para o desenvolvimento.
“Estimular a imaginação das crianças é fundamental. A pessoa que lê histórias ou que conta histórias para as crianças estão incentivando essa imaginação. A criança tem a liberdade total de fantasiar, imaginar. E isso deve ser mantido”.
‘O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado’, ‘A vida íntima de Laura’ e ‘O coelho Pensante’, de Clarice Lispector ‘Histórias de Preta’, de Heloisa Pires e ‘Coisas de índio: versão infantil’, de Daniel Munduruku são obras que marcaram a infância de Milton.
Para o escritor Márcio Souza, autor de obras como ‘Lealdade’ e ‘A paixão de Ajuricaba’, o incentivo pela leitura começou ainda na infância, motivado pelo pai.
Quando o assunto é Literatura Infantil, Márcio sugere clássicos de autores brasileiros e internacionais.
“É fundamental que os jovens e as crianças, visitem Monteiro Lobato e outros escritores brasileiros que escreveram para crianças. São clássicos que dizem coisas muito próximas da sensibilidade brasileira. Mas, hoje a oferta literária Internacional tem coisas enormes, curiosas e interessantes, como a série do Harry Potter, uma história que tem fantasia, magia, inusitadas bruxarias, tudo que é típico da literatura infanto-juvenil e criativa”, comenta.
Universo particular
A leitura é capaz de dar asas à imaginação, e por meio dela, as crianças podem construir seus próprios universos.
É o que explica a escritora Bete Desana, autora do livro ‘Yandé Anga’. A obra literária reúne memórias de infância vividas pela indígena com seus avós.
“A literatura tem o poder de apresentar outros mundos para as pessoas, sejam elas imaginárias ou não. Alimenta sonhos, constrói pontes e abre janelas e portas para novos mundos. As crianças precisam disso”, destaca.
Desana recomenda autores indígenas, como Daniel Munduruku, Eliane Potiguara, Márcia Kambeba, Elias Yaguakãg, Lia Minapoty.
Era contemporânea
A professora e autora do e-book ‘Grito Poético’, Paloma Silva, conta como incentiva seus alunos a criarem o hábito e o amor pela leitura, inclusive com clássicos infantis.
“As crianças precisam conhecer a literatura desde cedo. O foco principal é fazer com que elas tenham esse primeiro contato com a leitura. Elas levam os livros para casa, leem, conhecem e depois contam o que aprenderam. Esses hábitos, iniciados na infância são aperfeiçoados ao longo da vida e ajudam no desenvolvimento”, explica.