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A mística do 7: A CRÍTICA celebra  77 anos  de história e compromisso com o Amazonas

Do simbolismo sagrado à realidade das redações, o número sete marca o aniversário do jornal neste 19 de abril; sete reportagens premiadas simbolizam décadas de dedicação ao ‘Amazonas profundo’

Publicado em 19/04/2026 às 11h16
A mística do 7: A CRÍTICA celebra  77 anos  de história e compromisso com o Amazonas
Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA

Você sabia que há pessoas que podem ler a mente das outras? Não acredita? Vamos fazer uma pequena demonstração: pense em qualquer número de 0 a 40 mil; o segundo passo agora adicionar mais 7. Agora que já fez a soma subtraia apenas o número que pensou… o resultado é 7! Essa, na verdade, uma antiga brincadeira de “adivinhação” para crianças, mas há quem acredite que o número sete possui mesmo uma aura mística em sua essência.

Historicamente este número primo, ou seja, divisível apenas ou 1 ou ele mesmo, é associado ao sagrado; povos babilônicos baseavam a divisão da semana através deles por causa dos corpos celestes que eram vistos a olho nu: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. Já os egípcios o associavam aos rituais funerários, onde ele marcava a passagem até o outro plano.

Na bíblia, o texto sacro descreve que Deus precisou de sete dias para a criação do mundo; além de registrar outras aparições como as sete trombetas do livro de Apocalipse ou então as sete igrejas citadas no Novo Testamento. Há também a manifestação prática do número, como visto nas sete cores do arco-íris.

Misticismo, superstição ou realidade, não podemos negar que ele está presente em várias das manifestações culturais da humanidade e neste domingo, dia 19 de abril, A CRÍTICA completa 77 anos de existência e atividades! Para quem respeita e crê nas vibrações do universo, a celebração de aniversário em dose dupla está associada ao despertar espiritual, introspecção, sabedoria e alinhamento com o propósito de vida.

Ao longo desta história o número 7 também deixou sua marca por aqui. Entre os exemplos, vamos focar naquele que é um dos que melhor representam a nossa missão de estar de mãos dadas com você, leitor: as reportagens. Em quase oito décadas de dedicação ao jornalismo, muitas matérias foram publicadas, boa parte delas, premiada. Desse recorte, 7 nomes foram escolhidos para marcar esse aniversário:

Cheia do Século (Elaize Farias / Leandro Prazeres – Prêmio Embratel 2013); Violência e Destruição em Terras Amazonenses (Gerson Severo – Prêmio Esso 2004); Martírio no Presídio (Clóvis Miranda – Prêmio Esso 2009); Soldados Temem a Guerra na Fronteira (Rodrigo Araújo – Prêmio Esso 2001); Índios fazem Revolução Silenciosa (Ana Célia Ossame e Lúcia Carla Gama – Prêmio Ayrton Senna 2000) e Rei do Bodó Transforma Banca de Peixe em Império (Jeiza Russo – Prêmio Sebrae 2025).

Ouvimos alguns desses jornalistas que receberam os prêmios e a premiação maior, na visão deles mesmos: atuar com responsabilidade e compromisso jornalístico. Desenvolver uma reportagem apurar as informações e ouvir com atenção fazem parte dos “bastidores” para quem não atua nas redações, mas é nesse cotidiano para repórteres, editores e fotógrafos que vivem as melhores memórias.

Rei do Bodó transforma banca de peixe em império – Prêmio Sebrae 2025, por Jeiza Russo

Jeiza Russo é fotojornalista desde 2020, começou com um hobby, algo que apenas chamava atenção e despertava a curiosidade dela. Pouco tempo depois de envolver as técnicas fotográficas ao cotidiano da redação, se apaixonou pela arte de contar histórias sob um lead. A semente plantada foi um freelance em A Crítica como fotógrafa, em 2022. Era por apenas um mês e faz parte do time de jornalismo até hoje.

“Aproveitei esse período para aprender, praticar e construir minha própria identidade fotográfica. Este ano, completo quatro anos de A CRÍTIA”, disse.


Jeiza Russo conquistou o Prêmio Sebrae 2025 e marcou a nova fase de premiações do jornal (Paulo Bindá/A CRÍTICA)

 

Do “passatempo” à profissão, diversas histórias. Elas vão desde a primeira oportunidade de estampar uma capa de livro (SBPC, em homenagem à trajetória do Professor Ennio Candotti, fundador do Musa) até a inscrição em prêmios jornalísticos.

Em um click, chegou o ano de 2025 e uma externa na zona Leste de Manaus, em uma feira popular. Lar de vários trabalhadores, entre eles o Ricardo Queiroz; ou melhor… Rei do Bodó. Enfermeiro que largou os cuidados médicos para criar um império com a venda do peixe e derivados.

A reportagem e a fotografia foram inscritas na 12ª edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo, na categoria Foto, etapa estadual. Levou o primeiro lugar.

“Foi um momento de muita alegria e gratidão a Deus. Todo profissional deseja ter seu trabalho reconhecido, e isso só foi possível porque lá no início o Jornal A CRÍTICA me deu uma oportunidade e me tornou quem sou hoje, e esse prêmio não é um mérito apenas meu, mas também dos profissionais que contribuem para a construção do nosso jornal impresso”, comentou.​

Violência e destruição em terras amazonenses – Prêmio Esso 2004, por Gerson Severo

Gerson Severo Dantas, formado em licenciatura em Filosofia e bacharel em Comunicação Social, mestre em Sociedade e Cultura do Amazonas, entrou no jornalismo no dia 15 de novembro de 1995, através do caderno de cidades do A CRÍTICA. O jornal foi a casa de Severo por três períodos, entre 1995 e 2018; atuou como repórter, editor, redator do Sim&Não.

“No jornalismo, eu fiz quase todas as funções. Das mais simples até as mais complexas. Botando o pé na lama à direção de cargos executivos”, explicou.

Em cerca de 20 anos no jornalismo de A CRÍTICA, Gerson guarda com carinho as reportagens especiais como as coberturas de eleição, de carnaval e o Festival Folclórico de Parintins. E até mesmo entre essas especiais há destaque, é a editoria de meio ambiente, especialidade do jornalista. Também há boas lembranças dos colegas de equipe, responsáveis pela construção dos materiais com responsabilidade e zelo, como o fotojornalista Antônio Menezes.

Naquele ano de 2004, Severo concorreu com duas reportagens no prêmio Esso de Jornalismo, Regional Norte. A vencedora foi a obra “A Ameaça Fantasma; uma investigação sobre os impactos ambientais na região Sul do amazonas”; mas havia também a “Por Que Os Rios Choram?”, feita em parceria com o fotojornalista Márcio Silva. Esta mostrava o contraste entre o nascimento limpo das águas e a “morte” nos igarapés poluídos.


Gerson Severo teve três passagens por A CRÍTICA entre os anos de 1995 e 2018 (Reprodução)

 

“Dei uma pequena contribuição para a história do jornalismo amazonense. Não só como repórter, mas também me orgulho muito da minha carreira acadêmica enquanto professor do curso de jornalismo. Destacaria que ao longo desses 30 anos de jornalismo, vi a reportagem feita “no seco” em máquinas de escrever. Vi a chegada da internet, a força das redes sociais influenciando o jornalismo. E hoje, vivencio no exercício do jornalismo a revolução da inteligência artificial. Tive muito orgulho de passar pela Rede Calderaro de Comunicação”, comentou.

Cheia do Século – Prêmio Embratel 2013, por Elaize Farias

Elaize Farias começou em A CRÍTICA na década de 1990. Ela contou que teve uma das maiores experiências da vida profissional durante a atuação no extinto caderno de Criação, pioneiro na cobertura cultural na capital do Amazonas. Anos depois, ela se tornou ainda mais atuante nas reportagens que relatavam os temas socioambientais e a violação de direitos humanos e territoriais.


Elaíze Farias foi pioneira no extinto caderno de Criação de A CRÍTICA, mas se encontrou mesmo foi nos temas socioambientais e a violação de direitos humanos e territoriais (Arquivo Pessoal)

 

“Um dos assuntos que me intrigava e eu me sentia compelida a entrar era sobre a degradação ambiental, o desmatamento em espaços urbanos, impactos das alterações climáticas em grupos vulneráveis (assunto ainda pouco debatido na época), desigualdade social e ambiental e os efeitos na fauna e na floresta urbana, em Manaus”, disse.

Foi com essa inquietação diante de problemas tão preocupantes que reportagens icônicas surgiram. Um dos trabalhos investigativos que podemos tomar de exemplo é a matéria sobre o sauim-de-coleira (primata endêmico de Manaus) e a ausência de políticas de proteção para a espécie. O resultado foi um trabalho reconhecido por pesquisadores, população local e protetores da fauna silvestre.


Matéria sobre o sauim-de-coleira e a ausência de políticas de proteção para a espécie foi reconhecido por pesquisadores, população local e protetores da fauna silvestre (Arquivo)

 

Com esse faro e compromisso, surgiu a (também) reportagem premiada com o jornalista Leandro Prazeres, que abordou a grande cheia de 2012. A proposta foi fugir de assuntos já comentados e se aprofundar no debate sobre a crise climática; algo fora das discussões populares no período.

“Fico feliz e agradecida pelo apoio que recebi de meus editores e das minhas editoras com os quais trabalhei e aprendi nas minhas duas passagens pelo jornal. A maioria deles foi corajosa, valente. Não era fácil. É sempre importante resgatar as memórias da resistência do jornalismo”.

Índios fazem revolução silenciosa – Prêmio Ayrton Senna 2000, por Ana Célia Ossame

Ana Célia Ossame atuou por 21 anos em A CRÍTICA. Entre tantas lembranças, uma ainda permanece muito viva para ela, a de quanto ela esperava o relógio marcar 17h de sábado para que pudesse pegar uma impressão ainda “quente” do jornal e ver o resultado final da reportagem que escreveu. Como ela mesmo descreve: “era uma experiência deliciosa.”

Lembra ainda que o nível da ansiedade chagava ao extremo quando o assunto da reportagem rendia um material especial, uma apuração com mais espaço nas páginas do jornal impresso. Foi assim que ela e a colega Lúcia Carla Gama se debruçaram sobre a educação escolar indígena, mostrando a retomada das línguas nativas nas aldeias saterés-maués e waimiris-atroaris, nos municípios de Barreirinha e Presidente Figueiredo, respectivamente. A vencedora do Prêmio Ayrton Senna de 2000.


Ana Célia Ossame (à dir.) relembra bastidores de reportagens históricas premiadas nacionalmente (Acervo pessoal)

 

“A CRÍTICA tinha como diretor de redação o professor Frânio Lima, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que deu asas às pautas como essas do prêmio, que buscavam mostrar o Amazonas profundo, em todas as dimensões e renovou o jornal. O editor da redação era o Wilson Nogueira, que com suas pautas buscava refletir a diversidade da sociedade e cultura amazonense”, disse.

O prêmio abriu as portas para uma página exclusiva para Educação que era publicada todas às sextas, no caderno de Cidades. Essa mesma “chancela” também a fez transitar por outras editorias. No fim, outras premiações também foram conquistadas como o prêmio Embratel, em 2004, o Prêmio Governo do Estado do Amazonas, em 1997, e da Sociedade Brasileira de Cardiologia.


Educação escolar indígena nos municípios de Barreirinha e Presidente Figueiredo, respectivamente rendeu o Prêmio Ayrton Senna de 2000 a Ana Célia e Lúcia Carla Gama. (Arquivo)

 

Naquele mesmo ano de 97, se tornou a primeira jornalista do Amazonas a receber o título “Jornalista Amiga da Criança”, criada pela Agência de Notícias dos Direitos da Criança (Andi). Ossame relembra a pluralidade dos trabalhos, falava com autoridades como o Presidente da República até àquela pessoa mais simples, moradora do interior do Estado, que com sua sabedoria “deu lições de vida que viraram matérias deliciosas” e ajudaram a “promover a veiculação de informação de caráter público para que o cidadão, com essas informações, possa exercer os direitos essenciais garantidos pela democracia”.

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