Manaus qui, 29 out
A Crítica
Geral

A pedido de Denilson Baniwa, obra indígena no MASP é coberta em homenagem a Jaider Esbell

Denilson lamentou a morte de Jaider e fez críticas à apropriação da cultura e arte indígena. Confira o relato da repórter Maria Luiza Dacio

Publicado em 09/11/2021 às 21h22 · Atualizado em 08/03/2022 às 21h41
A pedido de Denilson Baniwa, obra indígena no MASP é coberta em homenagem a Jaider Esbell
Foto: Maria Luiza Dacio

A única obra indígena em exposição no Museu de Arte de São Paulo (MASP) está de luto. Essa e outras obras do artista indígena amazonense Danilo Baniwa espalhadas em museus e em exposições pelo mundo, estão cobertas após a recente e inesperada morte do também artista Jaider Esbell, ocorrida na terça-feira (4).

No MASP, em uma carta emocionante, Denilson lamentou a morte de Jaider e fez críticas à apropriação da cultura e arte indígena .

“Venho por este, de forma carinhosa e com muito respeito a vocês solicitaram um favor. Como devem saber, esta semana fomos surpreendidos pelo encantamento de Jaider Esbell […] Ele foi um amigo a quem eu chamava de maninho, modo carinhoso de chamar irmão na região onde nasci”, inicia.

“[…] em uma coisa éramos incorruptíveis: no desejo de construir uma arte onde pessoas indígenas pudessem ter voz ativa e chances de quem sabe chegar ao topo, lugar onde nunca tivemos antes. Jaider chegou a esse lugar e o que para os brancos é considerado sucesso, para nós dois foi dia dia tornando-se um peso. Infelizmente ficou pesado demais para ele, mas poderia ter sido para qualquer um de nós artistas indígenas “, diz.

Denilson pede que “seja colocado um pano de cor preta, cubra toda obra e que assim seja mantido até terminar meu luto, conforme costume do meu povo”, solicita e segue afirmando que se o sucesso e topo que tanto almejam, tem como resultado a tragédia, sente que precisa pensar mais sobre que tipo de arte indígena tem que construir.

“Se a recepção que o mundo da arte ocidental nos deu, levou um de nós a um grave fim, preciso ainda mais pensar em que tipo de relação quero manter com a arte ocidental”, afirma.

Jaider Esbell foi encontrado morto em seu apartamento, na cidade de São Paulo. O artista era destaque na 34ª Bienal em São Paulo. “Faz escuro mas eu canto”. Seguindo o tema do evento, torcemos para que logo, possamos ver e ouvir a voz de Baniwa cantando através da sua arte.

Leia também

Voltar para Geral