A prevenção pede passagem neste Carnaval
Com aumento de casos de arboviroses, a orientação é que sejam reforçados os cuidados como álcool em gel, máscaras e evitar os locais de aglomeração a fim de que o dia seguinte do carnaval não seja de tristeza e de sofrimento
O tempo do carnaval chegou. As prévias carnavalescas emendaram com os dias da grande festa popular em todo o Brasil. Em meio a animação, beleza e criatividade presentes nesse multiespetáculo, algumas questões geram preocupação, a primeira delas é a tendência de explosão de casos de doenças como a Covid-19, as Infecções Transmissíveis (ITs) e, em estados como o Amazonas, as arboviroses (dengue, Zika, Chikingunya), a febre Oropouche entre outras.
Um grande número de pessoas costuma se deslocar para passar os dias de carnaval em sítios e chácaras que podem, dependendo do nível de cuidado desses ambientes, abrigarem berçários de transmissores. O quadro de pessoas doentes aumentou em escala acelerada, de acordo com dados da Fundação de Vigilância Sanitária “Rosemary Costa Pinto”, (FVS-AM), são 424 confirmados de Oropouche nas duas últimas semanas e, de Covid-19, 475 em igual período. No total, 1.135 em isolamento familiar.
Na sexta-feira (9), laboratórios para exames médicos estavam, nas primeiras horas da manhã, com todas as suas cadeiras ocupadas e as pessoas, nesses locais, mencionam a virose como razão para a busca, por orientação médica, a realização de exames. Não diferente os centros públicos de atendimento à saúde.
A orientação médica e o reforço de alerta de epidemiologistas é que sejam reforçados os cuidados e, no caso de pessoas que estão no grupo de risco, evitar participar das festas carnavalescas mesmo aquelas de caráter mais familiar, porém com aglomeração.
O apelo do carnaval é grande e a vontade de ser parte da folia se unem numa força mobilizadora impressionante onde normalmente a prevenção perde espaço e é mesmo ignorada. Nas cidades, as campanhas pelo cuidado com a saúde diante do cenário de epidemias enfrentam um tipo de rolo compressor que se caracteriza por ignorar os riscos reais do adoecimento em larga escala facilitado por esse tipo de festa.
Insistir na prevenção e disponibilizar recursos que ajudem no reforço aos cuidados – álcool em gel, máscaras e na recomendação/alerta de que pessoas do grupo de risco devem evitar os locais de aglomeração – é dever dos órgãos de saúde pública em todas as instâncias, e da própria sociedade, a fim de que o dia seguinte do carnaval não seja de tristeza e de sofrimento.