Ainda vista com preconceito, Hanseníase possui tratamento e cura é realidade
Casos da doença no AM em 2020 caíram 45% em comparação a 2019. ‘Janeiro Roxo’ é o mês dedicado à conscientização e ao combate à hanseníase
O ‘Janeiro Roxo’ é dedicado à conscientização e ao combate à Hanseníase. A doença, ainda estigmatizada pela sociedade, é de fácil tratamento, tem cura e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde.
Para se ter ideia, o Amazonas notificou 220 casos de Hanseníase em 2020, o que representou uma queda de 45% em comparação com o ano anterior, quando foram identificados 403 casos da doença, em todo Estado. A redução de casos foi registrada tanto na capital, quanto nos municípios do interior.
Em números, Manaus registrou 68 casos e 152 nos municípios do interior no ano passado. Já em 2019, foram notificados 125 casos na capital e 278 nos municípios amazonenses. No Estado, atualmente, 398 pacientes estão em tratamento da Hanseníase, sendo 121 em Manaus. O médico dermatologista, Helder Cavalcante, afirma que a enfermidade ainda é vista com preconceito pela população, no entanto, a doença tem tratamento e a cura é realidade.
Helder Cavalcante é médico dermatologista que lida com tratamentos da doença há anos. Foto: Divulgação
“O tratamento é simples e eficaz. É feito com três medicamentos diferentes que são distribuídos nas Unidades Básicas de Saúde. Os três remédios são usados de maneira associada e o tratamento vai de seis meses a um ano. A doença em termos de tratamento médico é muito eficiente, o paciente é totalmente curado. Mas quanto mais cedo é tratado, mais cedo é curado e evita o agravamento”, reforçou.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), a estimativa para o ano de 2021, considerando a população atual da capital e a projeção feita a partir da meta do Plano Anual de Saúde é de 109 casos novos de hanseníase. Caso o paciente apresente os sinais e sintomas mais característicos da doença como manchas na pele com diminuição ou ausência de sensibilidade ou lesões dormentes deve buscar o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde o mais precoce possível.
Para a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), a expectativa para este ano de é recuperar a demanda reprimida, ou seja, retomar o patamar de anos anteriores.
“Sabemos que temos pelo menos 50% de casos ocultos que precisam ser descobertos e a orientação é que as equipes municipais não deixem o diagnóstico precoce de lado, aproveitando atendimentos para avaliar o paciente do ponto de vista da saúde da pele também”, explicou o chefe do departamento de controle de doenças e epidemiologia da Fundação Alfredo da Matta (FUAM), enfermeiro José Yranir do Nascimento.
Fundação Alfredo da Matta também atende casos mais graves da Hanseníase no Amazonas. Foto: Junio Matos
Cobertura em Meio a Pandemia
Ainda segundo a SES-AM, apesar das dificuldades impostas pela pandemia, o tratamento de pacientes foi mantido, com o trabalho já realizado em parceria com as secretarias municipais; garantindo o atendimento dos pacientes nas unidades de saúde, ou seja, em centros de saúde, postos, UBS e pelo Programa Saúde da Família, atendimento na própria Fuam para casos com algum agravamento (recidivas ou reações medicamentosas, por exemplo) e com as visitas domiciliares, estratégia adotada em parceria com as secretarias municipais de saúde.
As visitas domiciliares, de acordo com a SES-AM são realizadas para a busca de pacientes faltosos que deixam de comparecer às consultas, por ser do grupo de risco, por receio da pandemia, por não poder se deslocar até Manaus, por exemplo. “A dispensação de medicamentos também foi mantida para que ninguém interrompesse seu tratamento”, afirmou em nota.
Hanseníase
A hanseníase é uma doença infecciosa transmitida por um bacilo (Mycobacterium leprae), atingindo principalmente pele e nervos de extremidades do corpo, como em braços, pernas e pescoço. A doença passa de uma pessoa sem tratamento para outra, através das vias respiratórias e quando estas mantêm contato direto e frequente.
A maioria da população adulta é resistente à hanseníase. Vale ressaltar que a partir do momento que uma pessoa diagnosticada com hanseníase inicia o tratamento com medicamentos, ela não mais transmite a doença.
Os primeiros sinais da Hanseníase são manchas na pele, perda variável da sensibilidade ao calor, frio, à dor e ao tato. As manchas possuem cor esbranquiçada, avermelhada ou acastanhada, muitas vezes pouco perceptíveis. É comum ainda ocorrer diminuição da transpiração e queda de pelos no local.
“O terceiro sintoma que chama a atenção são as dores nas articulações que as pessoas podem achar que é febre reumática, mas as dores nas juntas pode ser nervos inflamados, por conta disso pode ser hanseníase”, destacou ainda o médico dermatologista, Helder Cavalcante.
Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase
No Brasil, no último domingo de janeiro, comemora-se o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase. A data foi instituída pela lei nº 12.135, de 18 de dezembro de 2009. Nesta data também é comemorado o Dia Mundial contra a Hanseníase.
Desde 2016 o Ministério da Saúde oficializou o mês de janeiro como o período para o combate à hanseníase, e fixou a cor roxa para a campanha educativa. Sendo assim, o mês de janeiro passou a ser intitulado Janeiro Roxo e é dedicado à conscientização da doença.