Manaus sex, 30 out
A Crítica
Geral

Aleam pode gastar R$ 33 mil com mesa de reunião; confira lista da ‘Black Friday’

Futuros gastos da Assembleia Legislativa podem custar aos cofres públicos mais R$ 10,3 milhões. Lista de compras inclui lixeira de R$ 3,7 mil

Publicado em 23/11/2021 às 22h56 · Atualizado em 08/03/2022 às 21h10
Aleam pode gastar R$ 33 mil com mesa de reunião; confira lista da ‘Black Friday’
Foto: Divulgação

A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) participa de ‘Black Friday’ às avessas e garante o carrinho cheio de futuras compras com itens que vão da lixeira de R$ 3,7 mil, a mesa de reunião de R$ 33 mil. A “promoção” pode custar aos cofres públicos mais R$ 10,3 milhões. O registro de preços foi publicado na edição do Diário Eletrônico da última sexta-feira (19).

As empresas Ricardo Takashi Yamashita – Epp (Techlini) e Mobile Comércio de Móveis Eireli venceram o pregão presencial pelo menor preço por lote. O objetivo do processo licitatório foi constituir um registro de preços para eventual aquisição e instalação de material permanente mobiliário convencional, mobiliário modulado, divisórias, assentos, persianas e cortinas.

A Ricardo Rakashi Yamashita arrematou o fornecimento de 33 itens. A lista de produtos tem por exemplo uma lixeira de alto padrão produzida com ferro de aço minimizado. Até 4 lixeiras podem ser adquiridas pelo legislativo no valor de R$ 3,7 mil, que totalizam R$ 14,8 mil. Outro objeto curioso são as floreiras, uma espécie de suporte para plantas. São pelo menos 4 tipos que custam de R$ 4,1 mil a R$ 7,3 mil.

A ALE-AM também indicou o desejo de comprar módulos de sofá dos mais diversos tipos e tamanhos. Um deles com dois lugares e uma conexão elétrica foi ofertada pela empresa por R$ 10,3 mil, a Casa do Povo poderá adquirir até 42 destes módulos, mas para isso teria de desembolsar R$ 435,5 mil.

Na lista de produtos foram inclusos também um item essencial: as cadeiras. Em uma esvaziada ALE-AM, onde na sessão de terça-feira (23) cerca de 5 deputados permaneceram no Plenário presencialmente, mais de 1 mil cadeiras poderão ser trocadas. São seis tipos de cadeiras cujos valores variam de R$ 1,3 mil a R$ 3 mil. Número inferior as longarinas – várias cadeiras unidas em uma só – que serão 123 unidades, e podem custar aos cofres públicos entre R$ 3,2 mil a R$ 4,4 mil.

Somados os valores das possíveis compras, a Ricardo Rakashi Yamashita pode faturar R$ 3,6 milhões de reais. Valor bem distante ao registrado no RedeSim da Receita Federal, onde a empresa de serviços de montagem de qualquer material, indicou ter capital social de R$ 300 mil.

Já para a empresa Mobile Comércio de Móveis Eireli, os produtos mais requisitados pelo legislativo estadual são os armários. São 12 categorias como armários baixos, altos, extra altos, para a copa, arquivos com gaveta, dentre outros. Somente com uma futura venda desse artigo a Mobile pode faturar mais de R$ 1,3 milhão.

Um valor que também chama a atenção é os das estações de trabalho para os servidores – popularmente conhecida como bancada . Elas têm preços que variam de R$ 5,9 para uma pessoa, até R$ 19,8 mil para 6 pessoas. Um dos modelos de estação para 4 pessoas poderá ser comprado até 48 vezes pela ALE-AM, somando R$ 535,8 mil.

Para fechar a compra, os deputados podem ainda adquirir o item mais caro da lista: uma mesa de reunião executiva ovalizada que custa sozinha R$ 33 mil. Segundo consulta a RedeSim Mobile Comércio de Móveis Eireli, que pode faturar mais de R$ 6 milhões caso as compras da Assembleia sejam concretizadas, tem capital social de R$ 400 mil.

Tentamos contato com as duas empresas pelos números de telefone registrados no RedeSim, mas não obtivemos sucesso, até o fechamento desta reportagem.

Saiba mais: O registro de preço é um instrumento que visa colaborar com a celeridade dos processos de compra na administração pública. Nele ficam registrados possíveis fornecedores de determinados produtos. Dessa forma, no futuro, a partir dessa lista o órgão pode escolher dentre aquelas empresas qual irá oferecer os itens.

Durante visita da Assembleia Legislativa do Amazonas, a reportagem conversa com alguns, dos poucos, deputados que compareceram presencialmente à sessão. Adjunto Afonso (PDT) e Serafim Correa (PSB) não comentaram sobre o assunto por desconhecer o processo de registro de preços que foi publicado DOE.

Dermilson Chagas (Podemos) disse que apesar de não achar correto a compra de produtos a elevados preços durante o período de crise econômica em decorrência da Covid-19, segundo ele, há um sucateamento na mobília de determinados setores da ALE-AM, como os gabinetes dos parlamentares, inclusive no dele.

“Por essa ótica aí, tudo bem, eu acho que tem que avaliar e renovar o que tem que ser renovado. Se você entrar no gabinete vai ver que tem muita estrutura velha. Agora em relação ao preço tem que ser analisado”, disse Dermilson.

Do outro lado da história, alguns servidores efetivos demonstraram descontentamento com o valor que poderá ser direcionado para móveis. De acordo com o desabafo de uma funcionária, os deputados aumentam o ticket de alimentação, mas há anos não reestruturam o salário dos efetivos.

Foi citada ainda a necessidade de realização de um concurso público que não ocorre desde 2011.

“Com essa compra por exemplo, não tem [dinheiro] para dar ao servidor? Nós servidores efetivos não chegamos hoje a 20%, porque os que passaram no último concurso, que é praticamente o único que teve, a maioria já foram embora”, declarou. Na tribuna, Cidade afirmou que os estudos para aumento de salário dos servidores da casa estão acontecendo. Cidade garantiu que deverá realizar o reajuste.

O diretor-geral da Assembleia Legislativa, Wander Araújo, que assina junto com o presidente da Casa, Roberto Cidade (PV) a homologação do certame, estava em atividades externas e não respondeu aos questionamentos da reportagem. O espaço continua aberto para posição do diretor. Já Cidade, mesmo em plenário, não compareceu à sala de imprensa para conversar com as equipes de reportagem que solicitaram a presença dele, por e-mail. A Crítica continua aguardando o posicionamento do presidente da casa.

Leia também

Voltar para Geral