Alerta vira munição contra obra na BR-319
A notícia se baseia em nota técnica enviada ao MPF e ao Ministério do Meio Ambiente, a partir de estudo financiado por CNPq, Fapesp e Fapeam.
“O asfaltamento da BR-319, rodovia que liga Porto Velho a Manaus, pode botar a população brasileira em contato com linhagens isoladas de vírus e bactérias que possuem potencial patogênico relevante, dizem cientistas”. Publicado pela Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (15), esse é o mais novo alarde a respeito da reforma da rodovia que existe há 50 anos. A notícia se baseia em nota técnica enviada ao MPF e ao Ministério do Meio Ambiente, a partir de estudo financiado por CNPq, Fapesp e Fapeam.
Consórcio – O estudo reúne 18 pesquisadores de 13 instituições, entre elas, a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Descoberta – O documento classifica a área da BR-319 a ser asfaltada como um reservatório de “matéria escura microbiana”, termo usado para microrganismos ainda não descritos pela ciência, que estariam protegidos pelo isolamento da floresta.
Epidemias – Conforme a pesquisa, a região abrigaria genes associados à alta virulência. Segundo os especialistas, a reforma da estrada romperia o isolamento evolutivo desses microrganismos, criando um risco de segurança biológica que poderia escalar do nível regional para o global, funcionando como um possível gatilho para novas epidemias.
Urgência – Em um movimento “estratégico”, os cientistas decidiram emitir o alerta antes mesmo da publicação em periódicos acadêmicos. Lucas Ferrante, pesquisador da USP, justificou à Folha de S. Paulo a urgência devido ao avanço dos planos de asfaltamento.
Dúvida – O alerta sobre a BR-319 fala em risco biológico, mas não responde a uma questão: se a rodovia existe há meio século, com trechos asfaltados e circulação contínua, por que isso não teria gerado epidemias até agora, e o que exatamente mudaria com a obra do trecho do meio em relação aos 400km já asfaltados? Na reportagem, essa explicação não aparece.
Polêmica – Uma fala de Solange Couto no BBB26, sobre uma “pessoa de poder” que teria sugerido a uma adolescente “ter filhos” para obter “benefício”, em vez de estudar, virou munição política. Embora a atriz não cite o Bolsa Família, o Planalto reagiu. Em seu perfil oficial no X, o governo afirmou que o programa exige frequência escolar mínima de 75% para menores de 18 anos.
Disparo – O PT também decidiu carimbar o assunto: “Bolsa Família não é brinquedo não”, postou o partido, usando bordão que a personagem “Dona Jura”, de Solange Couto, usava em uma novela global.
React – No Amazonas, um membro da bancada federal decidiu entrar na polêmica. O deputado Sidney Leite (PSD) gravou vídeo para reagir à fala da participante do BBB26. “Parte da elite deste país quer que, quem esteja na pobreza, continue. Esse pensamento não é inocente”, disse ele.
Destaque – O AM se posicionou em destaque mundial no enfrentamento às doenças tropicais. O pesquisador da Fundação de Medicina Tropical (FMT-HVD), médico infectologista Marcus Lacerda, assumiu a diretoria do Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais da OMS.