Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Geral

Amazonense transforma vida na Alemanha e conquista espaço na agricultura europeia

Deiziane Hedtke deixou Manaus há mais de uma década, superou desafios culturais e linguísticos, teve o diploma reconhecido e hoje atua na Câmara de Agricultura do Estado de Niedersachsen

Publicado em 05/07/2025 às 13h04
Amazonense transforma vida na Alemanha e conquista espaço na agricultura europeia
Foto: Arquivo Pessoal

AURICH, ALEMANHA – Natural de Manaus, Amazonas, Deiziane Hedtke é uma agrônoma formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) que, como imigrante, teve sua trajetória marcada por coragem, determinação e um profundo amor por sua família, tanto a que deixou em Manaus quanto a que construiu no país europeu que escolheu como novo lar.

Em 2013, ela decidiu dar uma guinada em sua vida ao se mudar para a Alemanha. Como muitos imigrantes, essa decisão não foi fácil, mas as sementes de sua jornada foram plantadas anos antes, quando em 2011 visitou a Alemanha pela primeira vez a convite de sua irmã, Andreia, que já residia no país.
“Tive a oportunidade de viajar bastante e me apaixonei pela Alemanha”, relembra Deiziane, que encontrou na cultura rica e na qualidade de vida do país europeu o início de um novo capítulo em sua existência.

O amor pela Alemanha floresceu durante um período de seis meses em 2012, quando Deiziane se dedicou intensamente a aprender o idioma. “Fiz meu primeiro curso de alemão e, apesar das dificuldades, estava determinada a ficar”, conta. Contudo, a frustração diante da obrigatoriedade de retornar ao Brasil, em razão da não renovação de seu visto, não a desanimou.
“Foi uma experiência difícil, mas eu tinha um desejo firme de voltar.”

Esse desejo se concretizou em setembro de 2013, quando Deiziane retornou à Alemanha com a firme intenção de recomeçar sua vida. “Estava em Manaus e ainda trabalhei como professora no CETAM. Em setembro, retornei à Alemanha, decidida a ficar. Na época, estava com 27 anos”, recorda.

Logo em pouco tempo, Deiziane encontrou o amor. Em novembro do mesmo ano, conheceu seu esposo, André, através de um site de relacionamentos, e o casal se casou em abril de 2014. Juntos, deram as boas-vindas à filha Emily, que trouxe ainda mais alegria e propósito à sua nova vida em Aurich.
“Conheci meu esposo em novembro de 2013, por meio de um site de relacionamentos (Brazil Cupid), e nos casamos no ano seguinte”, conta.


VIDA EM AURICH

Falar sobre a vida em Aurich é sempre especial para Deiziane, que agora trabalha na Câmara de Agricultura do Estado Niedersachsen, onde, em 2024, finalmente teve seu diploma reconhecido.

“Isso é fascinante! Poder atuar na minha área de formação é uma realização”, exalta. Em seu novo emprego, Deiziane exerce um papel importante na divisão de financiamento da Câmara, supervisionando programas relacionados à agricultura e às políticas agroambientais da União Europeia.

“Sinto-me feliz por fazer parte da Câmara de Agricultura do Estado Niedersachsen. O escritório onde trabalho faz parte da divisão de financiamento, e somos responsáveis por todos os programas de financiamento relacionados a pagamentos diretos da UE e medidas agroambientais”, comenta com orgulho.

No entanto, a vida na nova terra também trouxe seus desafios. Deiziane compartilha que a adaptação à cultura e ao idioma tornou-se parte fundamental de sua rotina.
“O idioma não é fácil, e continuo aprendendo. As diferenças culturais às vezes são gritantes, mas gosto de conhecer o novo”, diz. Ela destaca que a frase de Charles Darwin, “Não é o mais forte ou o inteligente que sobrevive, mas sim o que melhor se adapta”, foi uma fonte de inspiração em sua jornada, ressaltando que a gastronomia foi um dos aspectos que mais a impactou.
“A comida aqui é boa, mas nada se compara ao Tambaqui assado, e a gente vai tentando se adaptar”, brinca.


Nos primeiros dias em solo alemão, ela enfrentou os desafios do recomeço ()

 


DIFERENÇA NA QUALIDADE DE VIDA

A qualidade de vida que Deiziane encontrou na Alemanha foi um dos aspectos mais impressionantes dessa nova fase.
“Sair de férias, ajudar a família no Brasil, ter um carro e um bom sistema educacional para minha filha são pontos que me fazem sentir realizada”, destaca com orgulho.

Contudo, a saudade de Manaus e de suas comidas típicas também pesa em seu coração.
“Sinto falta de estar com minha família e amigos, de saborear comidas gostosas e de ouvir nosso idioma”, confessa.

Como parte de seu desejo de proporcionar oportunidades à sua família, Deiziane trouxe sua sobrinha Dafne, de 19 anos, para estudar em Aurich e buscar novos caminhos.
“Dafne é como uma filha para mim. Aqui na Alemanha, vejo um futuro mais promissor para ela. Durante esses cinco meses que ela está aqui, percebo que está se esforçando e tentando se integrar”, explica, destacando as oportunidades que a Alemanha oferece, como programas de voluntariado e cursos técnico-profissionalizantes que ajudam os jovens a se inserirem no mercado de trabalho.


O FUTURO E DICAS PARA NOVOS IMIGRANTES

Deiziane mantém um olhar esperançoso para o futuro e afirma ter muito a agradecer e poucos desejos.
“Meu sonho é envelhecer aqui, especialmente sem guerras, e poder ver minha família e amigos com mais frequência. Profissionalmente, meu objetivo agora é me tornar analista ainda este ano”, finaliza.

Para novos imigrantes e pessoas que sonham em morar no exterior, especialmente na Alemanha, Deiziane deixa um conselho valioso:
“Recomendaria a todos que desejam imigrar que aprendam o idioma antes de vir, que tenham disciplina e persistência”, conclui, transmitindo uma mensagem de esperança e determinação para aqueles que, como ela, buscam um novo lar, novos sonhos e um anseio por oportunidades.


Em visita ao estado natal, ela leva a filha para conhecer uma aldeia indígena ()

 


SUPERANDO AS DIFICULDADES

Para Deiziane, a superação não teria sido a mesma sem o apoio incondicional de sua irmã, que sempre esteve disponível para ajudar com questões burocráticas.

“Felizmente, tive apoio total da minha irmã. Ela sempre esteve ao meu lado quando precisei ir ao escritório de imigração”, afirma, reconhecendo a importância dessa rede de apoio na adaptação, algo essencial para qualquer brasileiro que deseje mudar de país.

Ela destaca que a frase de Charles Darwin, “Não é o mais forte ou o inteligente que sobrevive, mas sim o que melhor se adapta”, foi uma fonte de inspiração em sua jornada.

Leia também

Voltar para Geral