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A Crítica
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Apoio institucional muda a vida de venezuelanas no Amazonas

Mariangel e Ineceth integram turma de migrantes formados pelo Instituto Hermanitos, com apoio de  outras entidades

Publicado em 03/08/2025 às 10h04 · Atualizado em 03/08/2025 às 10h18
Apoio institucional muda a vida de venezuelanas no Amazonas
Foto: Daniel Brandão

Mariangel Martinez, de 21 anos, natural de Macaray, e Ineceth Carolina Carmona, de 22 anos, nascida na Ciudad Guayana, ambas na Venezuela. O que essas duas jovens venezuelanas têm em comum? Elas carregaram na mochila sonhos que atravessaram fronteiras e construíram, no Brasil, trajetórias em que a coragem e a oportunidade finalmente caminham juntas.

Ambas chegaram ao Brasil em 2018. Mariangel detalha que chegou ao Brasil de carona, em um caminhão, junto com sua mãe e o irmão, que é autista. Ela conta que ninguém da família conhecia alguém no país, não falavam português e nem sabiam onde iriam dormir assim que chegassem.


Projeto Jovens em Ação formou 45 migrantes e refugiados, a maioria venezuelanos (Foto: Daniel Brandão)

 

“A minha mãe foi uma mulher muito corajosa. Não tínhamos muito dinheiro. Viemos com apenas vinte dólares, eu acho, uma quantia muito baixa. Dormimos uma noite na rua em Boa Vista (RR), mas minha mãe foi muito corajosa. Foi uma decisão muito desafiadora. Ela pensou: ou eu fico na Venezuela e meus filhos vão passar fome, ou a gente tenta algo melhor no Brasil”, relatou Mariangel.

A Ineceth conta, sorrindo, que acreditou em sua mãe, que disse que viriam ao Brasil para passar “férias”. Mas essas férias, segundo ela, duram cerca de sete anos. A jovem afirma que o maior desafio ao chegar em terras brasileiras foi o idioma, que ela não dominava. Ela morou até o ano passado em Roraima e, em 2025, decidiu vir para o Amazonas em busca de estudo e carreira.

“Minha mãe disse que seriam ‘férias’, mas já se passaram sete anos. Hoje, trabalho na área administrativa e quero ser administradora financeira, trabalhar em um banco ou administrar minha própria empresa, auxiliando outras pessoas com a administração de negócios”, disse Ineceth.

Da incerteza à esperança

As jovens que vieram   ao Brasil para fugir da instabilidade econômica do seu país e cheias de incertezas, hoje vislumbram um futuro com mais esperança. Elas fazem parte da 9ª turma do projeto “Jovens em Ação”, que, em julho, formou 45 jovens migrantes e refugiados – a maioria venezuelanos.


Presidente do Instituto Hermanitos, Túlio Duarte, enfatiza a importância da formação escolar e profissional como apoio aos imigrantes (Foto: Daniel Brandão)

 

Os participantes da ação receberam certificados após uma jornada de três meses, que combina oficinas técnicas, orientação comportamental e acolhimento psicossocial. Executado pelo Instituto Hermanitos, o projeto conta com parceiros como o Ministério Público do Trabalho no Amazonas e em Roraima (MPT-AM/RR), a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) e a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).

O presidente do Instituto Hermanitos, Túlio Duarte, afirma que, desde 2022, nove turmas já passaram pela metodologia. Segundo ele, mais de 260 jovens foram capacitados e mais de 200 conquistaram o primeiro emprego em companhias como Bemol, Solar, Coca-Cola, Direcional, entre outras.

“Observamos três problemas recorrentes entre jovens refugiados: evasão escolar, subemprego e todas as inseguranças típicas da transição para a vida adulta. Criamos, então, uma jornada formativa de três a quatro meses, com orientação vocacional, aulas de português, finanças, IA, mídias digitais e muito mais. Depois dessa imersão, eles saem prontos para ocupar vagas de jovem aprendiz que hoje muitas empresas não conseguem preencher”, disse Túlio.

MPT financia

A procuradora   do Trabalho Érika Emediato explica porque o MPT financia iniciativas como essa e afirma que o órgão destina ao projeto recursos vindos de multas e indenizações pagas por empresas condenadas em ações trabalhistas.


Procuradora do Trabalho, Érika Emediato, ressalta que os imigrantes chegam no Brasil muito vulneráveis e precisam de auxílio institucional (Foto: Daniel Brandão)

 

“Refugiados e migrantes chegam em grande vulnerabilidade. Sem apoio, acabam em subempregos ou até em trabalho escravo. Projetos de capacitação e inserção segura rompem esse ciclo. É uma reparação de danos coletivos que se transforma em oportunidade real para quem mais precisa”, disse Érika.

O TRT-11 e a SIT completam a rede, fiscalizando empresas que ainda não cumprem a cota de aprendizes, divulgando vagas e acompanhando resultados. Resultados como os de Mariangel e Ineceth, que, por meio do projeto, conseguiram seu primeiro emprego e começam a construir um futuro promissor.

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