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Artista visual UÝRA inaugura exposição sobre diásporas indígenas no Brasil

A mostra acontece no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro MAM-Rio e segue até abril de 2023

Publicado em 15/12/2022 às 11h13
Artista visual UÝRA inaugura exposição sobre diásporas indígenas no Brasil
Foto: Fabio Souza/MAM Rio

UÝRA e o programa Supernova apresentam a exposição “AQUI ESTAMOS”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro MAM-Rio. A artista visual, pesquisadora e mestra em Ecologia nascida em Santarém (PA) exibe seis obras que abordam histórias da diáspora indígena, durante a mostra que segue até o dia 02 de abril de 2023, com visitações às quintas, sextas, sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. O acesso pode ser feito por meio de uma contribuição sugerida (adultos: R$ 20 e crianças, estudantes e +60: R$ 10), com opção de entrada gratuita. Os ingressos on-line estão disponíveis no site www.mam.rio/ingressos.

A artista visual explica que “AQUI ESTAMOS” compõe o programa Supernova, do MAM-Rio, que visa apresentar a arte contemporânea desenvolvida em muitas regiões do Brasil, sob uma abordagem da inovação. 

“O convite foi feito por uma das curadoras, a Beatriz Lemos – que já conhecia minha produção em fotoperformance, constatando diferentes perspectivas de natureza – e que aceitou a minha resposta ao convite: que seria desenvolver algo totalmente novo em tema e linguagens artísticas. Foi um desafio incrível para todes nós e estamos muito felizes pela coragem”, destaca UÝRA. 

Diáspora indígena 

A exposição aborda histórias da diáspora indígena que, de acordo com UÝRA, se trata de um “fenômeno que significa dispersões forçadas de gente a partir de um núcleo onde vivam juntas, por exemplo: uma aldeia”. 

“A história do Brasil, embora pouco contada, ela é de uma profunda diáspora, milhões de pessoas que foram para longe de suas origens, aldeias e culturas, em razão do apagamento histórico e violências dirigidas praticados pelo Brasil contra indígenas, desde a colônia ao Estado. Nestes cinco séculos, de formação do Brasil e constante busca para extermínio também das identidades indígenas, o que temos é um país com milhões de pessoas perdidas de si mesmo, morando em cidades, vivendo também o racismo, mas sem saber do próprio povo de origem ou sequer se reconhecer como indígena”, enfatiza UÝRA. 

Para ela, falar de diásporas em “AQUI ESTAMOS” é um convite para este tempo do agora. “[Para] olharmos com franqueza e dignidade para a história do Brasil e dos povos indígenas, e também expandir o debate urgente sobre as retomadas de identidade, que já estão em curso: pessoas indígenas, autodeclaradas, reconhecendo-se de volta. Movimento, que segundo Ailton Krenak é um dos temas centrais nas lutas deste século”, ressalta a pesquisadora.

Obras

UÝRA apresenta seis obras e uma performance de abertura durante a exposição. A primeira e a segunda obra são chamadas respectivamente de “Nossas Caras e Nossas Histórias”. “A primeira, um paredão de lambes feitos de 44 fotografias que fiz em encontros com 44 parentes indígenas em Manaus e outras regiões do Brasil. Já ‘Nossas Histórias’ é uma instalação no chão, feita de terra, lâmpadas e autofalantes, de onde são ecoadas as histórias de vida, as rotas familiares e noções de pertencimento indígena, contadas por cada uma das 44 pessoas. É documental, convite a escuta, uma tecnologia indígena da oralidade”, revela a artista.

A jornalista amazonense Malu Dácio participa da exposição como convidada: ela é parte de uma das histórias que UÝRA conta e expõe. “A UÝRA me ligou, me explicou a ideia do que ela queria propor na exposição e eu aceitei, porque eu venho nesse processo de reconhecimento, nesse processo de (re) descobrimento, de voltar do que foi imposto pra gente, dessa colonização que foi feita e esse apagamento da nossa história. Então eu tô nesse processo de descobrimento meu, da minha história, das minhas origens”, destaca Malu, que é filha de ribeirinhos, de origem em Benjamin Constant (AM) e Manacapuru (AM). 

A exposição traz ainda as obras “Nossos Territórios”, uma videoperformance chamada “Manaus Cidade na Aldeia”; “Nossos Tempos”, um vídeo de viagem que UÝRA fez descendo o Rio Amazonas, para registrar memórias de sua família no Pará; “Nossas Raízes”, uma instalação de terra na parede, de raízes que revelam 190 nomes não indígenas, que também nomeiam indígenas; “Nossos Rastros”, uma cronologia da diáspora, que reúne 130 fatos históricos que não estão nos livros de história; e “Nossas Letras”, um conjunto de 12 faixas de ráfia, com frases de ativistas indígenas para intervenção urbana em locais de ampla movimentação de pessoas no Rio de Janeiro.

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