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Asprom e Uesa defendem que o Novo Ensino Médio seja revogado

Portaria emitida pelo MEC, na semana passada, suspendeu a implantação do Novo Ensino Médio por 60 dias para consulta pública

Publicado em 13/04/2023 às 10h23
Asprom e Uesa defendem que o  Novo Ensino Médio seja revogado
Foto: Agência Brasil

Representantes da classe estudantil e de profissionais da educação ouvidos por A CRÍTICA aprovam a  suspensão, por 60 dias, da implantação do Novo Ensino Médio (NEM), contudo pleiteiam mais, querem a revogação do modelo.  Portaria publicada na semana passada pelo Ministério da Educação (MEC) suspende a implantação do NEM, medida que não terá efeito prático no Amazonas. A suspensão foi motivada pela pressão do movimento estudantil e críticas de professores ao modelo educacional aprovado ainda no governo Michael Temer (MDB) e posto em prática no ano passado. 

O Ministério da Educação (MEC) abriu consulta pública para definir se haverá ou não revogação do programa. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já adiantou, na quinta-feira, que o novo modelo de ensino não será revogado, e sim aperfeiçoado. “Não vamos revogar. Suspendemos e vamos discutir com todas as entidades interessadas em discutir como aperfeiçoar o Ensino Médio desse país”, disse Lula, que ressaltou: “Foi suspensa para que a gente rediscuta com a sociedade brasileira ligada a educação o que a agente quer para o novo ensino médio”.

Professora da rede estadual de ensino, Larissa Polari, explicou que desde que passou a ser válido o NEM, houve o aumento de horas-aula para os alunos com o acréscimo do sexto e do sétimo tempos. De acordo com  a lei que institui o modelo, a carga horária passa de 2,4 mil horas-aula, em 3 anos do ensino médio, para 3 mil horas-aula, a serem divididos em 1,8 mil para matérias obrigatórias e 1,2 mil para um currículo mais flexível em que o aluno pode escolher um itinerário formativo no qual pretende seguir. 

 

Entraves

 

No entanto, segundo a professora, em uma escola de tempo regular, se a escola coloca o acréscimo das aulas em funcionamento, o último horário irá ocupar a grade do que seria o primeiro tempo do turno vespertino. Os professores, no entanto, possuem uma carga de 20h por cadeira, por isso, as atividades que deveriam ser feitas em sala de aula são executadas em uma plataforma virtual onde os docentes programam as atividades.  

O problema, segundo Larissa, é que os alunos não têm aproveitamento nas aulas online e os professores têm menos tempo para ministrar as disciplinas para as quais possuem competência. Ela cita como exemplo o próprio marido que é professor de física e em algumas turmas tem somente um tempo semanal para passar o conteúdo da disciplina, o restante da carga é preenchida com matérias propostas pelo itinerário formativo. “Como o menino aprende física com uma aula por semana dependendo da turma?”, questionou.

A docente conta, por exemplo, que uma colega de trabalho formada em sociologia passou a ministrar aulas de educação financeira, o que na avaliação da professora deveria ser proposto a alguém com formação em administração. Ela tem na grade a disciplina de empreendedorismo, o que para Larissa, não faz sentido, uma vez que ela escolheu ser estatutária.

“Eles [projetos] deveriam funcionar de uma tal maneira que com o tempo que a gente tem não dá. Eles dizem que agora com o NEM você pode se concentrar no ensino que realmente importa. O que realmente importa para um aluno do ensino médio é passar num vestibular. O que realmente importa para um pai de um aluno de rede pública é que o filho dele consiga entrar na Ufam, na UEA e poder dizer que o filho dele conseguiu dar aquele passo. Como ele faz isso com redução de carga horária?”, disse a professora. 

As matérias que seriam “preparatórias para uma nova realidade”, segundo Larissa, são abstratas e são ministradas por profissionais que são habilitados para o desenvolvimento de outras competências. 

 

Sem formação

 

“Eu me preparo para a minha aula, eu estudo, eu sou muito dedicada ao meu trabalho, mas não muda o fato de que eu não fiz um ensino superior para isso. Eu sou formada por uma universidade e estou cursando mestrado dentro daquilo que eu escolhi me formar que foi língua portuguesa. Por mais dedicada que eu seja com os projetos integradores eles não são aquilo para que eu me formei”, completa.

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