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Atalhos irregulares e imprudência aumentam risco de acidentes nas ruas da capital

Motoristas e motocicletas ignoram sinalizações para fugir do congestionamento, colocando vidas em risco; número de mortes no trânsito cresceu 21% em 2024, com destaque para as zonas Norte e Oeste

Publicado em 06/06/2025 às 18h06
Atalhos irregulares e imprudência aumentam risco de acidentes nas ruas da capital
Foto: Paulo Bindá/ A Crítica

Em ruas e avenidas cada vez mais congestionadas, motoristas e motociclistas têm optado por atalhos perigosos e desvios irregulares para driblar o trânsito manauara, ignorando a sinalização e colocando em risco a própria segurança e a de outros. A prática, frequente em horários de pico, preocupa autoridades de trânsito em decorrência do aumento do número de acidentes e do dano ao patrimônio público.

A reportagem de acritica.com percorreu avenidas de Manaus e se deparou com diversos desvios e retornos irregulares nas vias. Tentando fugir do trânsito, motoristas e motociclistas foram flagrados, na avenida Constantino Nery e avenida André Araújo, em atalhos clandestinos, subindo pelo meio fio, canteiros centrais ou faixas de pedestres, e mudando de sentido de via metros antes dos retornos regulares.

Segundo o levantamento do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), a imprudência no trânsito é um dos principais fatores das fatalidades. Grande parte dos acidentes acontecem em decorrência de condutas arriscadas, como excesso de velocidade, avanço de sinal e uso irregular das vias – isto é, desvios e retornos irregulares e atalhos perigosos. As avenidas Autaz Mirim, Gov. José Lindoso, Torquato Tapajós e Rapidão, lideram com maior número de acidentes com vítimas fatais.


(Foto: Paulo Bindá/ A Crítica)

De acordo com Manuel Paiva, engenheiro civil e especialista em mobilidade urbana, a prática de desvios e retornos irregulares, bem como a de outras imprudências no trânsito, se deve a fiscalização ineficiente e a falta de agentes de trânsito para fiscalizar os pontos com maior índice de irregularidades nos principais corredores.

“Só existe uma maneira de atuar na irregularidade de trânsito: Fiscalização. Mas porque acontece? Primeiro ponto, a fiscalização se torna ineficiente. Não existe um número de agentes de trânsito suficiente para fiscalizarem os principais corredores. Segundo ponto, não existe uma rede de fiscalização eletrônica que venha coibir, inibir, punir e monitorar esse tipo de irregularidade”, destacou o especialista em mobilidade urbana.

Paiva reconhece que embora cada poder da União possua seu órgão executivo de trânsito, cabe ao executivo municipal a fiscalização do comportamento dos motoristas, manutenção das vias e a regulamentação de políticas públicas que garantam a segurança viária dos condutores e pedestres.

“O município deve fornecer a trafegabilidade com segurança e com fluidez. É responsabilidade tratar e cuidar do pedestre, do usuário de ônibus, das pessoas com deficiência, melhorando a mobilidade urbana. Cabe então implementar políticas que melhorem essas condições de infraestrutura, fiscalizem os maus condutores e adotem medidas previstas no Código de Trânsito Brasileiro”, salientou Paiva.

Com base em dados estatísticos, em 2024 a capital amazonense registrou um aumento de 21% no número de mortes no trânsito, em comparação ao ano anterior, totalizando 309 vítimas fatais. As zonas Norte e Oeste de Manaus concentram a maior quantidade de casos, somando juntas 135 mortes.

“A campanha educativa é importante, seja ela direta ou transversal, de médio ou de longo prazo. Temos que virar a chave, porque somos uma das cidades com o trânsito mais violento no país, com um alto número de vítimas fatais. As maiores vítimas são motociclistas. Segundo, são pedestres, atropelados por falta de faixa ou andando nas ruas, porque não se tem infraestrutura de caminhabilidade segura e acessível. Temos que combater isso por meio de infraestrutura e fiscalização”, concluiu Manoel Paiva.

A reportagem de acritica.com entrou em contato com o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), para compreender as ações do órgão em coibir essa prática de imprudência e de depredação do patrimônio público, no entanto, até o fechamento desta reportagem não obteve nenhum resposta.


(Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

 Maio Amarelo 

Encerrada em maio, a campanha do ‘Maio Amarelo’, promovida pelo IMMU, teve como tema “Desacelere. Seu bem maior é a vida!”, e pautou uma ação de conscientização para a importância da segurança no trânsito, tendo em vista um ambiente humanizado, empático e respeitoso nas vias urbanas.

“Encerramos o ‘Maio Amarelo’ com a certeza de que plantamos mudanças. E com a responsabilidade de continuar fazendo do trânsito um espaço de cuidado e respeito […]. O mês nos traz a certeza de que esse é o caminho da conscientização, para termos um trânsito mais humano, com menos acidentes, que preserve e ajude a preservar vidas.”, concluiu Arnaldo Flores, diretor-presidente do IMMU, durante o encerramento da campanha Maio Amarelo.

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