Ato de amor: amamentação segue série de recomendações para mães e unidades
Até chegar ao ato de dar o leite ao filho, as mães e unidades de saúde têm uma série de recomendações a seguir. Confira as sugestões:
O aleitamento materno é uma das iniciativas instintivas mais importantes da mãe para com o seu filho, sendo recomendado para as crianças, no mínimo, exclusivamente até os seis meses de idade, visando fortalecer o organismo do pequeno e sendo fundamental para a sua resistência no futuro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) preconizam que mais de 800 mil vidas seriam salvas anualmente se toda criança fosse amamentada até os 2 anos.
Nesta Semana Mundial do Aleitamento Materno, tanto as mães quanto as unidades de saúde reforçam seus cuidados a partir de orientações que são repassadas por especialistas. A OMS e Unicef divulgaram dez passos direcionados às unidades de saúde para o sucesso da amamentação. Tudo para o bem estar das mamães e bebês, e para toda uma vida saudável pela frente.
No País, somente 38,8% das crianças se alimentam exclusivamente do leite materno nos primeiros 5 meses de vida, taxa considerada abaixo do ideal pela OMS. O obstetra o ginecologista e obstetra Corintio Mariani Neto, presidente da Comissão Nacional de Aleitamento Materno da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), diz que ainda há muito o que fazer para que se chegue cada vez mais perto do ideal. “Uma das medidas importantes para estimular o aleitamento é fornecer informação de qualidade às mães, já que o tema costuma trazer muitas dúvidas”, pontua.
Uma das recomendações dos especialistas é que a mãe mantenha uma dieta balanceada, constituída por carnes magras, aves, ovos, peixes, frutos do mar, verduras, cereais e frutas. Outra dica, esta de apoio, desmistifica uma espécie de lenda pós-parto: não existe leite fraco, nem forte: cada mãe produz o ideal para o seu bebê. E outra: a introdução precoce do bico artificial pode levar o bebê a recusar o peito, fazendo a produção de leite diminuir.
OMS e Unicef
Entre os dez passos sugeridos pela OMS e Unicef para o sucesso da amamentação, estão, por exemplo, facilitar o contato pele a pele imediato a ininterrupto entre bebê e mãe e apoie as genitoras para iniciar a amamentação assim que possível após o nascimento.
De acordo com a diretora da Maternidade Balbina Mestrinho, que é uma das unidades de referência no apoio à amamentação no Estado, “desde o momento em que a mulher é admitida nós incentivamos o trabalho da amamentação, e na primeira hora que o bebê nasce há o contato pele e pele, de estímulo, e ainda temos assessoria da amamentação e o Banco de Leite Humano Fesinha Anzoategui, além de vínculos com a Zona Sul e hospitais particulares”.
A especialista conta já ter presenciado mães que “desmamaram com os filhos tendo 7 anos de idade”. Em média, por mês, há 480 partos normais na Balbina Mestrinho, e cesáreas em torno de 350.
A coordenadora Estadual de Saúde da Criança, Katherine Benevides, reforça que o leite materno é considerado “a 1ª vacina do bebê” por conta do colostro (o 1º leite produzido pela mãe nos primeiros dias de amamentação) que tem nutrientes e anticorpos que vão protegê-lo”.
Frase
“A amamentação é uma das formas mais eficazes de garantir a saúde e sobrevivência de recém-nascidos”
Corintio Mariani Neto, ginecologista, obstetra e pres. Comissão Nacional de Aleitamento Materno
Sete dicas para uma alimentação saudável
1- Alimentação é a fonte – Mantenha uma dieta balanceada, constituída por carnes magras, aves, ovos, peixes, frutos do mar, verduras, cereais e frutas. Se hidrate: beba pelo menos dois litros de água por dia. Evite excesso de leite de vaca, amendoim, frutas secas, soja, café, chocolate, refrigerantes, chá preto, mate, feijão, repolho e batata doce, para evitar alergias, gases e cólicas no bebê.
2 – Seu leite não é fraco – Não existe leite fraco, nem forte: cada mãe produz o ideal para o seu bebê. A introdução precoce do bico artificial pode levar o bebê a recusar o peito, fazendo a produção de leite diminuir.
3 – Não interrompa a mamada – Quando a criança começa a sugar, ela recebe o leite inicial da mamada, que é mais “diluído” e serve para hidratar a criança. Depois de certo tempo, chega o leite do final da mamada, rico em gorduras e, por isso, sacia o bebê.
4 – Pega e posição – A mãe deverá estar relaxada e confortável, o abdomen do bebê encostado ao seu, com a cabeça e o tronco alinhados e o queixo tocando o peito materno. A boca dele deve estar bem aberta (cobrindo quase toda a parte inferior da aréola), o lábio inferior para fora e a língua acoplada ao peito. Ele deve sugar a aréola, não o mamilo.
5 – Mamilo machucado, e agora? – A pega incorreta pode ser o motivo de os mamilos estarem machucando. Corrija a posição e fique tranquila, pois a cura das lesões costuma ser rápida. Lembre-se: o próprio leite é um ótimo cicatrizante.
6 – Amamente a livre demanda – Não se apegue a intervalos fixos, isso costuma ser bem variado, dependendo da necessidade e da frequência que seu bebê quer mamar. Respeite as vontades do pequeno, pois ele não procura o seio só para matar a fome, mas também quando tem sede ou precisa de conforto, aconchego e segurança.
7 – Contracepção e Amamentação – Algumas mulheres podem ovular mesmo amamentando. Para prevenir, é necessário que a amamentação seja exclusiva, com mamadas frequentes, nas 24 horas do dia. Para aumentar a segurança, é recomendado que a mãe adote um método contraceptivo a partir da 6ª semana pós-parto.
Dez passos da OMS e da Unicef para o sucesso na amamentação
Procedimentos críticos de gestão
1a. Cumprir plenamente o Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno e as resoluções relevantes da Assembléia Mundial da Saúde.
1b. Tenha uma política de alimentação infantil por escrito que seja rotineiramente comunicada à equipe e aos pais.
1c. Estabelecer sistemas contínuos de monitoramento e gerenciamento de dados.
2. Garantir que o pessoal tenha conhecimento, competência e habilidades suficientes para apoiar amamentação.
Práticas Clínicas Chave
3. Discuta a importância e o manejo da amamentação com mulheres grávidas e suas famílias.
4. Facilite o contato pele a pele imediato e ininterrupto e apoie as mães para iniciar a amamentação assim que possível após o nascimento.
5. Apoiar as mães para iniciar e manter a amamentação e gerenciar dificuldades comuns.
6. Não forneça a recém-nascidos amamentados alimentos ou líquidos que não sejam o leite materno, a menos que indicado clinicamente.
7. Permita que as mães e seus filhos permaneçam juntos e pratiquem o alojamento conjunto 24 horas por dia.
8. Apoiar as mães a reconhecer e responder às sugestões dos filhos para alimentação.
9. Aconselhe as mães sobre o uso e os riscos de mamadeiras, bicos e chupetas.
10. Coordenar a alta para que os pais e seus filhos tenham acesso oportuno a apoio e cuidados contínuos.