Ato pede mobilização da população para defesa da ZFM e da UEA
"Que a sociedade se conscientize da importância da ZFM"
A necessidade de conscientização dos amazonenses para a relevância do modelo econômico Zona Franca de Manaus e da Universidade do Estado do Amazonas foi o norte do Ato em defesa da ZFM e da UEA que aconteceu nesta terça-feira, (3), em frente à Sede do Governo, bairro Compensa, zona oeste de Manaus.
As entidades que organizaram o evento como Sind-UEA, ASSUEA, SINTEAM e DCE-UEA pediram uma maior mobilização e colaboração da população na luta em favor da Zona Franca.
Para Márcia Medina, presidente do Sindicato dos Docentes da UEA (Sind-UEA), a participação mais ativa da sociedade é de extrema importância. “Que a sociedade se conscientize da importância da Zona Franca. Nós temos uma questão ambiental emergente. O mundo fala tanto das mudanças climáticas e a perda de um modelo como esse que protege a área da nossa floresta, terá um impacto ainda maior”, afirmou.
Medina defende também que a ameaça à ZFM vai gerar uma cadeia de prejuízos aos amazonenses. Ainda segundo a professora, essa união acontece em prol da defesa do modelo que tem sido atacado por meio dos decretos do governo federal.
“Todo o estado ficará sem os recursos com saída do polo industrial e obviamente não só os trabalhadores da universidade mas como toda essa sociedade será atingida. E essa é a nossa luta, nós precisamos conscientizar. Estamos lutando pela nossa sobrevivência”, afirmou Márcia.
A docente destacou a preservação da floresta e a sobrevivência da sociedade amazonense para realizar o ato. “Nós vamos perder empregos e várias famílias ficarão sem seus sustentos. E nós não estamos falando sobre os empregos diretos, mas principalmente do que pólo industrial traz indiretamente para cidade e para os municípios”, defendeu.
“Nós sabemos que as empresas só estão aqui por esses benefícios e não se importarão de ir embora e deixar várias famílias sem a sua sobrevivência. Não é só a universidade a universidade está lutando para permanecer”, completou.
Outro ponto defendido por Medina é a ausência de uma força política que deve acometer a região com a saída do modelo. “Na medida que nós perdemos importância econômica nós deixamos de ser relevantes para a união. E a partir daí, a tendência não é melhorar. É piorar”, afirmou.
“Fizemos o ato aqui na frente da sede do governo porque a Suframa não é um órgão político e por si só ela não tem um interesse jurídico. Ela existe em razão do pólo. Se o pólo não existe, ela deixa de existir. O governo é o responsável direto pela defesa dos interesses do estado do Amazonas”, finalizou a professora.
Educação
O ato também foi em prol da educação superior. “A partir da educação superior e da pesquisa a sociedade obtém os melhores resultados. A prova disso são as vacinas que foram desenvolvidas nas universidades”, lembrou a professora.
Para o presidente do DCE, João Paulo Queiroz, a Zona Franca atinge diretamente na Universidade do Estado do Amazonas. “É como um efeito dominó que interfere no fomento da UEA. Universidade essa que atende a mais de 14 mil estudantes e mais de 48 municípios”, disse o estudante.
“Temos que defender esses estudantes. Não podemos nos calar diante desse decreto que está tentando esvaziar a Zona Franca. Não vamos nos calar. Esse foi apenas um dos atos que vamos realizar”, defendeu o presidente do Diretório.
Ana Cristina, presidente do SINTEAM – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas afirmou que os decretos de redução do IPI que atingem a ZFM atacam diretamente os trabalhadores da educação.
“Tudo isso resulta em um povo desse estado sem trabalho. Seremos os mais prejudicados com essa redução. Somos contra. Queremos que o STF tenha sensibilidade ao julgar. Isso fará com que o Amazonas tenha esperança de novo”, acredita Ana Cristina.
A presidente lembrou que quando o modelo foi criado em 1977, surgiu para o povo desta região ter como sobreviver e mais. “O modelo foi criado para que nós sobrevivamos e façamos isso com dignidade”, afirmou.
A estudante Jady Castro foi uma das que esteve no ato. A aluna de licenciatura em dança da UEA conta que foi ao ato por conhecer o que os decretos podem causar na sua vida. “Nós como estudantes da Universidade temos consciência de que isso afeta a todos nós da comunidade acadêmica”, disse.
“Nos afeta diretamente. A ZFM é o principal meio de financiamento da UEA e esses ataques são um risco. Temos que defender, ir nos atos e participar ativamente de todas as defesas. O modelo é simbólico e pertinente para o estado”, defendeu.