Brazil Conference tem presença de ativistas, indígenas e empresários amazonenses
Evento é realizado todos os anos pela comunidade brasileira de estudantes nas universidades de Harvard e Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)
Sete amazonenses marcaram presença em painéis e apresentações na Brazil Conference que aconteceu no último fim de semana em Boston, capital do estado norte-americano de Massachusetts. O evento é realizado todos os anos pela comunidade brasileira de estudantes na região e tem o intuito de promover encontros com líderes e representantes da diversidade brasileira nas universidades de Harvard e Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Neste ano, o Amazonas contou com representantes de peso como a ativista indígena Samela Sateré, o CEO da Bemol, Denis Minev, o fundador do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (IDESAM), Mariano Cenamo, Luciana Minev, CEO da Singulari, além da equipe da startup Navegam que alcançou o segundo lugar no HackBrazil. A iniciativa também é do Brazil Conference que premia startups que resolvem grandes problemas.
A Chief Growth Officer (CGO) da Navegam, Michelle Guimarães, explica que a empresa amazonense busca trazer tecnologia e inovação para o transporte fluvial. Durante o evento, a equipe apresentou um novo produto que é uma plataforma de desenvolvimento bioeconômico que pretende conectar, impulsionar e monitorar os três agente de uma cadeia produtiva: o produtor, transportador e a indústria. A estratégia propociona comodidade ao pequeno produtor que não precisará deixar sua comunidade.

(Foto: Divulgação)
“Vamos fazer uma conexão entre o pequeno produtor e o transportador, que é o barco regional, que terá inclusive um aumento de faturamento, tendo em vista que ele já vai ter conhecimento do dia em que a carga vai estar disponível em uma determinada comunidade, por meio da plataforma. Todo o agenciamento dessa logística será feito por nós”, explicou ela, sobre o novo produto que desenvolvem.
“A indústria, que é quem vai comprar a matéria prima, também estará conectada na plataforma. Ou seja, essa indústria terá um rastreio de como a matéria-prima foi cultivada, para que quando ela receba esse material, também seja possível realizar uma análise por meio de controle de qualidade. O resultado dessa análise será de conhecimento do produtor, que poderá então, a partir dessas informações, melhorar cada vez mais a sua produção”, concluiu.
A inovação da startup foi destaque na HackBrazil e com isso, a equipe da Navegam ficou em segundo lugar entre 270 empresas de tecnologia que disputavam premiação.
“Ficar em segundo lugar e sendo da Amazônia, é uma alegria maior ainda. Mostra que a gente sabe sim desenvover tecnologia e principalemnte, a gente precisa mostrar para o mundo que nós temos esse tipo de desenvolvimento”, ressaltou Michelle Guimarães.
Participação em Painés
Líderes amazonenses também marcaram presença no evento internacional para os estudantes brasileiros das Universidades Harvard e Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O amazonense CEO da Bemol, Denis Minev, o fundador do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (IDESAM), Mariano Cenamo e a ativista indígena Samela Sateré participaram do painel ‘Amazônia: transformando a floresta em um ativo’ junto de outras personalidades como a jornalista Eliane Brum e o ambientalista Jorge Caldas. A CEO da Singulari, Luciana Minev, colaborou com o tema: carreira.
De acordo com o fundador do Idesam, Mariano Cenamo, um dos pontos que mais o chamou a atenção foi a quantidade de alunos amazonenses estudando na Universidade de Harvard, que podem, no futuro, contribuir para o desenvolvimento da Amazônia.
“Havia alunos amazonenses nas principais universidades dos Estados Unidos como de Stanfort, Harvard e MIT, o que chama atenção no nível de profissionais que podem estar voltando dos Estados Unidos, espero eu, e trabalhando pelo Amazonas. Quanto ao painel, que contou com dezenas de espectadores, mostrou como a Amazônia pode ser uma potência econômica mundial, mas pautada na sustentabilidade.
“Um consenso em todos os participantes é que está claro que temos uma oportunidade incrível atualmente para atrair investimentos para uso sustentável da floresta já que é do desmatamento da Amazônia que vem a maior parte das emissões de carbono no Brasil e isso é um problema ambiental não só para o país, mas para o mundo”, destacou ele, sobre o tema central do painel.
A nona edição da Brazil Conference aconteceu nos dias 31 de março, no Massachussetts Institute of Technology, e 1 de abril, na Harvard University (Cambridge/MA). O evento anual no mês de abril é organizado pela comunidade brasileira de estudantes na região de Boston desde 2015. Na ocasião, vários intelectuais brasileiros discutem temas como política, economia, cultura e sociedade, desafios e caminhos possíveis para o país.