Brilho da vida começa com o aleitamento materno
Mães relatam superação, apoio familiar e consciência social no mês dedicado ao aleitamento materno
“Saber que eu sou fonte de sustento do meu filho faz eu me sentir gigante”. A declaração de Emily Paola, 29 anos, mãe de primeira viagem e moradora do bairro São José, zona Leste de Manaus, carrega a força de quem venceu os desafios da amamentação e descobriu, no próprio corpo, a potência de nutrir e proteger. Após enfrentar dias de dor, rachaduras e insegurança, ela encontrou apoio, superou as dificuldades e hoje vive com plenitude o vínculo que se constrói a cada mamada.
“Hoje em dia, eu não me vejo não amamentando. Eu amo amamentar meu filho. É incrível saber que a partir de mim sai o sustento dele. Sempre que eu ordenho e deixo pra ele mamar quando eu vou trabalhar, eu olho pra mamadeira e vejo que aquilo veio de mim. Eu me sinto gigante.”
Agosto é mais do que um mês no calendário. É um chamado à consciência, à empatia e à ação. Celebrado como o Agosto Dourado, ele simboliza o compromisso com o aleitamento materno, considerado o padrão ouro da alimentação infantil. A cor dourada representa justamente esse valor inestimável do leite materno, que nutre, protege e transforma vidas desde o primeiro dia.
A fala emocionada de Adriana Gomes, 34 anos, moradora do bairro Tancredo Neves, resume o sentimento de milhares de mulheres que sonham com o primeiro contato com seus filhos, um gesto de amor, nutrição e conexão profunda. Em poucos meses, ela dará à luz o pequeno Enzo, e já carrega no peito a esperança de um futuro melhor. “Eu esperei muito por esse momento. Estou muito ansiosa e não vejo a hora de pegar meu bebê no colo e amamentá-lo.”
IMPORTÂNCIA DE SEGUIR O PRÉ-NATAL
Muitas vezes, o processo de amamentação não começa da forma ideal. Por isso, o trabalho de orientação já no pré-natal é essencial. Como destaca Francisca Girão, diretora de atenção primária da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa/Manaus).
“Quando a gente trabalha esse processo dentro do pré-natal, é justamente orientando para que a mãe possa amamentar, para que essa mãe entenda qual é a necessidade, e com ela o seu parceiro. Esse trabalho de conscientização não começa quando o bebê nasce, é lá no início de tudo.”
A inclusão do parceiro é fundamental. O chamado pré-natal do parceiro fortalece o vínculo familiar e prepara todos para os desafios e conquistas da amamentação. Afinal, como ela reforça, todo início é difícil. “Amamentar pode ter dificuldades no início, mas esse processo precisa ser conjunto, ele precisa ser com a família, o apoio de todos.”
ANGÚSTIA
Maria Cristina de Sá, 18 anos, viveu momentos de angústia ao ver seu bebê não conseguir mamar: “Fiquei muito nervosa, cheguei a chorar porque ele não conseguia mamar. Me falaram que eu não tinha bico e foi um processo dolorido, mas no final deu tudo certo. Hoje ele mama muito bem e eu me sinto melhor em poder alimentar meu filho.”

Maria Cristina, 18, passou por um processo dolorido por não conseguir fazer seu filho mamar, mas deu certo (Foto: Jeysy Xavier)
Além dos benefícios para a saúde da criança, como imunidade fortalecida, prevenção de doenças e desenvolvimento cognitivo, o aleitamento materno é um ato profundamente sustentável.
Quando você amamenta, você também cuida do meio ambiente:
Zero resíduos: Não há embalagens, transporte ou descarte. O leite materno é produzido e consumido naturalmente.
Menor pegada de carbono: Evita o uso de fórmulas infantis industrializadas, que demandam recursos naturais, energia e logística.
Proteção ambiental: Reduz a necessidade de produção de plásticos, latas e outros materiais que impactam o meio ambiente.