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Campanha de vacinação contra o sarampo é retomada no Amazonas

Dois anos após um surto no Amazonas, órgãos de Saúde retomam as ações de apelo para a imunização

Publicado em 11/02/2020 às 13h03 · Atualizado em 10/03/2022 às 16h14
Campanha de vacinação contra o sarampo é retomada no Amazonas
Foto: Jair Araújo

Crianças e jovens de 5 a 19 anos precisam atualizar suas cadernetas de vacinação, agora com a imunização contra o sarampo. A Campanha Nacional de Vacinação de Tríplice Viral iniciou ontem no Amazonas e todas as 183 salas de imunização de Manaus estão abastecidas com a dose, que também protege contra caxumba e rubéola.

Natural da Venezuela (país de onde do surto de 2018 foi “importado”), a esteticista Ana Miglet, 26, atualizou ontem o cartão de vacina do filho de 6 anos na Policlínica Castelo Branco, localizada no bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul da capital. Ela afirma da necessidade de manter a vacinação do filho sempre em dia para assim, evitar doenças. “Eu não quero que ele fique doente. Então, é muito importante que os pais se atentem e leve seus filhos a qualquer posto de saúde mais próximo”, destacou.

A mesma preocupação teve a bacharel em direito Acácia Silva de Souza, 31, que aproveitou o dia para, além de imunizar o filho, de um ano, tirar as dúvidas e verificar quais vacinas sua sobrinha de 9 anos precisa tomar. “Não trouxe a caderneta dela, então, não teremos como atualizar. Acredito que é de suma importância tomar as doses da vacina e voltaremos o mais rápido possível para imunizá-la”, ressaltou.

De acordo com a chefe da Divisão de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), enfermeira Isabel Hernandes, a campanha acontece para combater os possíveis surtos de sarampo na faixa etária. Ela relembrou que, desde o ano passado, Manaus não notifica casos da doença. “É uma vacina que não precisa de campanha. Ela está durante todo o ano nas salas de vacinação. Mas, a gente intensifica nesse público alvo durante o período e quem vai tomar? Quem não está com o cartão atualizado ou quem nunca tomou a dose”.

O surto de sarampo que ocorreu em Manaus (alguns casos foram registrados no interior, mas em menor número) entre fevereiro de 2018 e janeiro de 2019 registrou 7.227 casos confirmados da doença, sendo que 1.804 (24,96%) foram notificados entre pessoas de 20 a 29 anos, 1.536 (21,25%) na faixa etária de 15 a 19 anos e 1.246 (17,24%) em crianças menores de um ano.

O dia “D” da campanha está marcado para um sábado, o próximo dia 15, nas unidades de saúde da rede municipal, que irão funcionar das 8h às 17h para atender a população na faixa etária indicada pelo Ministério da Saúde. No ano passado, também houve campanha, porém para públicos específicos: adultos jovens na faixa etária de 20 a 29 anos e de crianças de seis meses a menores de cinco anos.

“A única prevenção contra o sarampo é a vacinação, então a gente alerta aos pais da necessidade em ir até uma unidade de saúde com o cartão de vacinação, cartão do SUS e identidade para que possamos avaliar se ele tomará ou não”, disse Isabel.

O sarampo é uma doença extremamente contagiosa causada por um vírus do gênero Morbillivirus, da família Paramyxoviridae. A transmissão pode ocorrer por meio da fala, tosse e/ou espirro. O quadro de infecção pode ser grave, com complicações principalmente em crianças desnutridas ou com sistema imunológico debilitado.

Só 4 casos registrados em 2019

Conforme a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), o último caso confirmado de sarampo no Estado foi registrado em janeiro de 2019, sendo que ao todo no ano passado foram confirmados três casos em Manaus e um em Coari. Em 2018, foram 9.809 casos confirmados da doença, distribuídos em cinquenta cidades.

O órgão de vigilância em saúde informou também que todas as secretarias municipais de saúde do Estado estão abastecidas para realização da campanha, que terá o dia “D” de mobilização nacional também no sábado 15 de fevereiro.

A segunda etapa da campanha Nacional da Tríplice viral será no período de 3 a 31 de agosto, para o público- alvo pessoas com 30 a 59 anos de idade. O dia “D” de mobilização nacional para essa faixa será dia 22 de agosto.

Plano de resposta ao corona

O documento que consolida as estratégias adotadas pelo Comitê Interinstitucional de Gestão de Emergência em Saúde Pública para Resposta Rápida aos Vírus Respiratórios frente ao surto do novo coronavírus foi finalizado e encaminhado ontem ao Ministério da Saúde.

O Plano de Plano de Contingência Estadual para Infecção Humana pelo novo Coronavírus (2019-nCoV) apresenta medidas de respostas em vigilância, suporte laboratorial, controle de infecção, assistência, assistência farmacêutica, comunicação de risco e gestão, além de apoio às medidas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária em pontos de entrada seja portos, aeroportos e passagens de fronteiras.

De acordo com a coordenadora do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Amazonas da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Liane Souza, o documento seguirá o padrão definido pelo próprio Ministério da Saúde e é similar ao de contenção para os casos de Influenza.

“É um plano que vai nortear todas as ações que deverão ser realizadas frente a um surto de coronavírus. Todos esses eixos são importantes salientar para que em caso de uma demanda urgente, justamente teremos um norte de como conter o surto. A única diferenciação que nós colocamos em nosso plano é que no Amazonas, nós temos a nossa área de tríplice fronteira, portanto, nós temos que estar mais vigilantes ainda”, informou.

Na prática, Liane Souza explicou que o plano consta toda a necessidade em urgência para que caso haja casos suspeitos, o Amazonas possa responder de forma rápida à doença. “Por exemplo, os laboratórios precisam garantir insumos para a realização de exames, precisamos garantir a capacitação de profissionais, garantir a existência de leitos para os pacientes, dentre outras necessidades”, destacou ainda.

“Esse plano está dentro da estrutura do Ministério da Saúde, porque nós já havíamos desenvolvido o plano para a Influenza. Então praticamente faremos apenas a atualização, todo o plano é possível de atualização”, acrescentou. Dessa forma, o Comitê atuará na preparação de respostas rápidas a uma possível ocorrência de casos do novo noronavírus, aplicando orientações do MS definidas por protocolos da Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Na rede, os nossos profissionais já receberam bastantes informações e agora é a gente cada vez se preparar mais, fortalecer mais, tanto a nossa vigilância como os nossos hospitais, os nossos profissionais de saúde e se por ventura, estivermos diante de um caso suspeito de coronavírus, a gente vai atuar para tentar minimizar e fazer a contenção da propagação desse vírus”, finalizou.

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