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A Crítica
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Candidaturas indígenas do Amazonas ficam de fora do Legislativo

Israel Tuyuka (Psol), candidato ao Goverdo, obteve 21.229 votos.

Publicado em 05/10/2022 às 12h11 · Atualizado em 05/10/2022 às 12h25
Candidaturas indígenas do Amazonas ficam de fora do Legislativo
Foto: Divulgação

Estado com a maior população indígena do Brasil, o Amazonas não elegeu candidatos representantes dos povos originários para o Legislativo nas eleições do último domingo (2). Segundo dados da Justiça Eleitoral, neste ano, 14 indígenas concorreram a vagas de deputados estaduais e federais, porém, nenhum obteve o número mínimo de votos para alcançar o cargo. 

A falta de representatividade no Legislativo estadual e no Congresso Nacional, em Brasília (DF), acontece mesmo com o movimento ‘bancada do cocar’, mobilização inédita protagonizada pela Articulação das Populações Indígenas do Brasil (Apib) para lançar candidaturas indígenas nas eleições deste ano. 

No Amazonas, a técnica em enfermagem e candidata a deputada federal, Vanda Witoto (Rede), foi a escolhida para representar o movimento. Estreante na política, a amazonense obteve 25.545 votos, se tornando a indígena mais votada neste pleito, inclusive, acima do médico e candidato ao Governo do Amazonas, Israel Tuyuka (Psol), que obteve 21.229 votos.

“Nós conseguimos que através dessa caminhada politica acendesse uma chama na nossa juventude indígena, nas nossas mulheres, nas nossas lideranças indígenas que são as vezes levadas por esse sistema da política que é perverso, que atua junto aos nossos territórios com compra de votos”, disse Vanda, em vídeo de agradecimento pelos votos publicado no Instagram.

Além dela, os candidatos declarados indígenas Erivelto Silva (Agir), com 45 votos; Cacique Munduruku (PDT), 569 votos; e Aldamir Sateré (PSB), com 209 votos, também não foram eleitos. 

Em nível nacional, pela primeira vez, foram eleitas quatro mulheres indígenas para a Câmara dos Deputados. São elas: Sônia Guajajara (Psol-SP), Célia Xakriabá (Psol-MG), Silvia Waiãpi (PL-AP) e Juliana Cardoso (PT-SP). O primeiro indígena eleito para o Congresso foi Mário Juruna (PDT-RJ), em 1983. A primeira mulher, Joenia Wapichana (Rede-RR), em 2019. 

 

Aleam

 

Para a Assembleia Legislativa do Amazonas, havia dez candidaturas declaradas indígenas à Justiça Eleitoral. A maior votação foi a do ativista Marcos Apurinã (PSC), que obteve 7.556 votos, o que lhe garantiu uma vaga de suplente. Depois dele, os mais votados foram Maria Bonita (PSC), com 6.124 votos, e Jaci (PV), com 2.816 votos. Outras candidaturas não ultrapassaram 600 votos.  

 

Governo

 

Um dos destaques de candidaturas indígenas neste ano foi o médico Israel Tuyuka, que participou dos debates e chegou a viralizar nas redes sociais quando sugeriu invadir Portugal, França e Holanda para “buscar recursos”. Apesar da visibilidade durante a campanha, ele ficou em sexto lugar na disputa, com 21.229 votos.

 

Suplência

 

Mesmo com a não eleição de nenhum indígena para o Legislativo, cinco candidatos alcançaram a posição de suplência, uma espécie de ‘lista de espera’ que permite chegar ao cargo principal caso o candidato a sua frente saia por algum motivo. Se tornaram suplentes os declarados indígenas Marcos Apurinã; Bia Kokama; Maria Bonita; Chico Bento; e Jaci.

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