Casos de tuberculose no Amazonas diminuíram, mas mortes aumentaram
Os dados são do Sistema de Informação de Mortalidade e colocam o Estado no topo do ranking das regiões com a maior taxa de incidência da patologia no Brasil
Os casos de tuberculose (TB) no Amazonas diminuíram em torno de 3% no ano passado, em relação ao ano anterior. Porém, as mortes em decorrência da doença aumentaram 16,5% no mesmo período. Foram 148 óbitos em 2016, contra 127 em 2015. Os dados são do Sistema de Informação de Mortalidade e colocam o Estado no topo do ranking das regiões com a maior taxa de incidência da patologia no Brasil.
Para entender esse elevado número de mortes está sendo realizada, desde a última segunda-feira, uma oficina para Implantação de Protocolo de Investigação de Óbitos por Tuberculose. O evento é promovido pelo Ministério da Saúde (MS) em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) e segue até amanhã. Ao todo, 50 profissionais de saúde que atuam na rede de diagnóstico e vigilância epidemiológica participam da capacitação.
De acordo com a coordenadora estadual do Programa de Controle da Tuberculose da FVS-AM, Marlucia Garrido, a oficina conta com uma extensa programação teórica e prática, cujo objetivo é verificar se os óbitos registrados por tuberculose em 2016 foram realmente em razão da doença para então poder traçar estratégias mais eficazes no combate a essas mortes. “Não se deve aceitar como normal tantos óbitos por uma doença que é previsível e curável, como a tuberculose”, frisou.
Marlucia ressaltou que a tuberculose tem cura, o tratamento é gratuito e o diagnóstico pode ser feito em qualquer unidade de saúde. O principal sintoma da doença é a tosse. “Quando a pessoa tem uma tosse que passa de três semanas e não melhora é importante ir ao médico. Infelizmente ainda ocorrem muitos óbitos porque as pessoas chegam tardiamente ao hospital. Outra complicação é quando há outra doença relacionada, como HIV/Aids, não sendo tratada conjuntamente”, explicou.
Em 2016, foram registrados 2.781 casos de tuberculose no Amazonas, e em 2015 foram detectados 2.869 casos da doença. A maioria ocorreu em Manaus e, no interior, as maiores incidências aparecem em Manacapuru, Parintins, Itacoatiara, Tabatinga e Tefé, conforme a coordenadora estadual do Programa de Controle da Tuberculose. Ela destacou que a TB é uma doença infecciosa e transmissível que afeta prioritariamente os pulmões. Também é um sério problema de saúde pública não só no Amazonas, mas em todo o Brasil.
Oficina em cinco Estados com os maiores índices
A oficina para Implantação de Protocolo de Investigação de Óbitos por Tuberculose está sendo ministrada por duas representantes do Ministério da Saúde. Além do Amazonas, o evento também acontece em Pernambuco, Goiás, Paraná e Rio de Janeiro. Os cinco Estados são responsáveis pelo maior número de casos da doença em todas as regiões do Brasil. A intenção é que seja permanente a preocupação com o aumento de mortes pela doença e com as ações de prevenção.