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Chef de cozinha indígena, Edith Jhonson diz que comida tem que ser feita com amor

Profissional da gastronomia visita Manaus para um intercâmbio com povos originários do Brasil

Publicado em 14/04/2024 às 09h53
Chef de cozinha indígena, Edith Jhonson diz que comida tem que ser feita com amor
Foto: Larissa Martins

“O antigo chef do meu restaurante costumava dizer que comida é amor. É uma língua internacional que todo mundo entende, porque todo mundo come”. É em defesa da comida feita com amor, mas também pela pluralidade de culturas e troca de experiências que Edith Jhonson, chef de cozinha que representa a herança gastronômica indígena do Alasca visita Manaus pela primeira vez para um intercâmbio gastronômico de povos originários do Brasil – EUA. 

A visita da renomada chef acontece em celebração ao bicentenário de relações diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – Regional Amazonas e a Embaixada Americana no Brasil. Em sua primeira manhã em solo manauara, às vésperas de sua primeira ‘masterclass’ e ainda se recuperando da experiência de provar o primeiro x-caboquinho com suco de cupuaçu, Edith conversou com a equipe de A CRÍTICA sobre sua paixão pela culinária e sua filosofia na cozinha: cultivar raízes e tradições dos seus povos.

 

“Eu amo a frase de Julia Child que diz que qualquer um pode cozinhar. Então, só depende do que você gosta. Todo mundo tem diferentes paladares, sensações. É sobre você gostar do que faz. Se você gosta de um prato e quer fazer cinco vezes na semana, faça. Se você gosta do que faz, isso vai aparecer na sua comida. Quando um chef ama o seu trabalho, você pode ver no prato. O antigo chef do meu restaurante costumava dizer que comida é amor. É uma língua internacional que todo mundo entende, porque todo mundo come. E quando você pode cozinhar para alguém, alimentar alguém, isso é um sentimento indescritível. Você está nutrindo uma pessoa. O que pode ser mais primal que isso? É tão bonito. É o que fazemos”, articula animada.


Edith Jhonson vistou o mercado Adolpho Lisboa, no centro de Manaus, para conhecer a variedade de temperos e ervas da região (Foto: Larissa Martins)

 

Edith se especializou e começou a carreira trabalhando para o time de beisebol Cardinals de St. Louis, ramo esportivo este onde fez carreira e passou por outros times. Depois retornou ao Alasca, onde nasceu e cresceu, na cidade de Sitka. Lá, começou seu negócio de refeições e hoje tem seu restaurante. A paixão por comida e servir vem da infância. Mas foi da soma de experiências, junto à cultura que cultua, que ela fez seu nome e carreira. Hoje, é conhecida por guiar sua culinária pela regionalidade e fidelidade à comunidade da pequena cidade alasquiana.

“A coisa mais importante para mim é a integridade do produto, do prato final. Tenho certeza de que se eu escolho os ingredientes de agricultores e vendedores locais, pelo estado do Alasca, a minha comida sempre vai ser fresca. Meus frutos do mar são frescos, eu sei de onde vem tudo que colocamos no prato. Acrescenta um valor à ele. Você sabe o que e quem está fazendo. Quando você faz esse prato e vê que outras cinco pessoas tiveram mão naquilo e te ajudaram a fazer, o torna ainda mais especial. E quando você serve, dá ainda mais orgulho. E eu não quero servir algo que eu não tenha orgulho. Esse é o meu lema por toda a minha carreira na culinária”, ela conta.

Não à toa, Edith foi convidada para vir à Amazônia se conectar com chefs originários locais para este intercâmbio. Ainda que separados pelos milhares de quilômetros, a sazonalidade dos frutos e a valorização dos sabores e especiarias regionais acabam conectando as filosofias de Edith com a culinária amazonense. Para esta troca, ela celebra a oportunidade de trocar experiências.

“Em apoiar a comunidade local e comprar localmente. Em colocar esses ingredientes no seu prato e mostrar suas raízes indígenas. Na América o movimento indígena é realmente forte. E eu vejo isso acontecendo no Brasil e em outras partes do mundo. E é realmente legal para uma mulher indígena e chef ver isso acontecer em outros países. É bom ver que há uma mudança acontecendo”, pontua.

Dentro da programação da passagem da chefe Edith por Manaus está o encontro com dois chefs indígenas que têm restaurantes amazônicos. Os três vão colaborar na criação de um prato exclusivo que honre as origens dessa parceria alasquiana-amazônida.

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