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Com salários atrasados, servidores do Careiro Castanho ameaçam cruzar os braços

A informação foi confirmada pela enfermeira e delegada do SindSaúde no Careiro, Aldineia Pascoal. Sem problema solucionado, os moradores de comunidades mais distantes são os que mais sofrem com ausência de atendimento

Publicado em 03/12/2016 às 13h19 · Atualizado em 12/03/2022 às 19h02
Com salários atrasados, servidores do Careiro Castanho ameaçam cruzar os braços

Profissionais da saúde do Município de Careiro Castanho (distante 102 quilômetros de Manaus) prometem cruzar os braços a partir da próxima semana caso a prefeitura não efetue o pagamento dos servidores. A informação foi confirmada pela enfermeira e delegada do Sindicato dos Profissionais de Saúde (SindSaúde) no Careiro, Aldineia Pascoal.

Além de pagamentos atrasados, a delegada do SindSaúde também denuncia a falta de medicamentos, combustível e até de materiais como luva de manipulação, usada para atender os pacientes. Segundo a enfermeira, o problema se agravou após as eleições municipais de 2016.

“A situação está fora de controle, insuportável e a cada dia se agrava mais. Estamos trabalhando sem qualquer condição. As unidades estão sem remédios e nem luva tem para os profissionais. O problema vem se arrastando desde o início do ano, mas piorou de outubro para cá”, informou.

A falta de medicamentos de uso contínuo, como os usados no tratamento de diabetes e hipertensão, e a falta de combustível para as ambulâncias, também causou a morte de pelo menos três pacientes nos últimos seis meses, segundo Aldineia Pascoal.

“Um dos pacientes morreu porque ele deveria ser transportado da comunidade do Samaúma para o hospital do Careiro, mas isso não ocorreu em por falta de gasolina na ambulância. Foi preciso que familiares e vizinhos fizessem uma cota para transportar o paciente. Infelizmente, com a demora, ele veio a óbito antes de chegar na cidade”, denunciou.

O município possui 10 unidades de atendimento, entre Unidade Básica de Saúde (UBS) e Pronto Socorro para atender uma população de 32 mil habitantes.

Preocupação

O SindSaúde denunciou ainda a demissão em massa, ocorrida logo após as eleições, quando mais de 60 profissionais, entre médicos, psicólogos, terapeutas e agentes de saúde foram desligados da Secretaria Municipal de Saúde, mesmo muito deles tendo sido contratos por programas federais e cujos contratos só vencem em março de 2017.

“Acionamos a Delegacia Regional do Trabalho e o prefeito, Hamilton Villar, mas não obtivemos respostas. Nossos salários estão sendo pagos com atraso todos os meses e, se até o dia 7 não recebermos, vamos paralisar as atividades por tempo indeterminado”, afirmou.

Prejudicados

Enquanto o problema não é solucionado, os moradores das comunidades mais distantes são os que mais sofrem com a ausência de atendimento médico. Na comunidade do Puru-Puru, não tem médicos e enfermeiros. Na comunidade do Araça, a 50 quilômetros da sede do município, a UBS está em reforma há sete meses e a ambulância foi recolhida por falta de combustível. Outro problema é a falta de remédios. “Há seis meses que não chega nenhum tipo de medicação”, denunciou a enfermeira Liliane Oliveira, 37.

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