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Comissária de bordo amazonense conquista vaga em Dubai

Juliana Bárbara Costa foi aprovada em seletiva da Emirates Airlines, a principal companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos

Publicado em 29/05/2022 às 10h38
Comissária de bordo amazonense conquista vaga em Dubai
Foto: divulgação

De Manaus para Dubai. A paixão pela aviação proporcionou essa mudança radical na vida da comissária de bordo manauara, Juliana Bárbara Costa, de 25 anos. Ela foi aprovada em uma seletiva da Emirates Airlines, considerada a principal companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos, e agora, viaja o mundo como comissária de voo internacional, conhecendo diversos países diariamente. 

Em entrevista exclusiva ao A CRÍTICA, Juliana contou um pouco de sua trajetória até ser recrutada por uma das maiores companhias áreas do mundo. “Eu sempre tive uma forte conexão com a aviação. Meus pais trabalham como agentes de aeroporto, e eu também tive a oportunidade de trabalhar no aeroclube, o que intensificou minha paixão pela área”, relata. 

Mas só a paixão pela aviação não era o suficiente. Juliana precisou dedicar tempo e esforço em uma preparação que a levou a tão sonhada carreira internacional. Na faculdade, ela optou por estudar Letras e Inglês, e se tornou professora de Língua Inglesa em escolas particulares. Mas foi em 2018 que ela decidiu buscar por novos desafios e iniciou um curso para comissários de voo, em Manaus.

“Já na primeira semana de aula eu sabia que havia me encontrado, e desde então passei a sonhar com uma carreira internacional”, relatou. “Devido à pandemia eu precisei esperar, porque as empresas não estavam mais abrindo processos seletivos. Usei esse tempo para aperfeiçoar o inglês e trabalhar nas habilidades que me ajudariam a chegar aqui”, relatou Juliana. 

A comissária de voo relata ainda que, nesse intervalo de espera e preparação, ela se tornou instrutora na mesma escola em que se formou como comissária de bordo. “Isso foi o que me manteve mais próxima da aviação e me manteve firme em busca desse objetivo”, destacou.

O recrutamento

Passado o período mais crítico da pandemia de Covid-19, o intervalo de espera terminou. Juliana conta que, quando soube que as empresas internacionais estavam contratando, ela se candidatou na mesma hora. No Brasil, o recrutamento acontece em São Paulo, e é gratuito, mas o candidato arca com o deslocamento e qualquer gasto adicional.


Juliana Costa precisou dedicar tempo e esforço em uma preparação que a levou a tão sonhada carreira internacional (Foto: divulgação)

 

“Foi difícil pelo fato de precisar comprar passagem, hospedagem, transporte e alimentação. Foi realmente um investimento”, conta Juliana, ao destacar que, naquela seletiva ela era a única candidata amazonense. “Imagino que outros tenham participado, mas não tenho informações se mais alguém foi aprovado. Durante o meu treinamento foi me dito que eu era a primeira pessoa do Amazonas que viam lá”, complementou.

Na seletiva, são várias etapas de avaliação até a aprovação final. A empresa não pede pelo curso de comissário, mas é necessário ter mais de 21 anos, falar inglês, e é desejável ter experiência anterior com atendimento ao público. São realizadas etapas eliminatórias de entrevista, atividade em grupo, testes físicos e testes de inglês. 

A aprovação

“Foi com muita alegria e orgulho que recebi a notícia da aprovação dela. Na verdade, como a seletiva era por fases, a gente vibrava junto a cada aprovação. Foi tudo muito intenso, uma mistura de preocupação, ansiedade e expectativa a cada resultado. E assim ela foi seguindo, até que veio a tão esperada aprovação final”. O relato é da mãe de Juliana, a atendente de voo Márcia da Costa. 

O trabalho de Márcia no aeroporto foi o que aproximou Juliana da carreira de comissária de bordo. Determinada, estudiosa, esforçada, responsável, inteligente e corajosa: são esses os adjetivos dados por ela à filha. “Ser comissária de bordo era realmente o sonho dela, e eu como mãe sonhei junto com ela. E fiz o meu papel: apoiei, incentivei e participei torcendo e orando por ela como eu sempre fiz e farei”, disse. 

Quem também não poupou elogios à Juliana foi o marido dela, o servidor público Gabriel Stone. O casal, que vivia junto há quase três anos, precisou casar as pressas após a notícia da aprovação, para que a união fosse oficial e ele pudesse ir para Dubai também. Eles casaram em um dia, e no dia seguinte Juliana precisou embarcar de mudança.

“Juliana é motivo de orgulho para todo mundo que a conhece, sabe? Ela é esforçada e resistente, e o mais impressionante é que desde que a conheço ela sempre soube o que queria que era trabalhar com o público na área da aviação. Essa conquista me enche de emoção porque sei o quanto foi difícil cada passo, cada noite que teve que virar revisando material e se preparando para entrevista, o estudo do inglês, e agora veio a recompensa”, disse Gabriel. 

Juliana conta que foi difícil se despedir do marido, dos pais e amigos, mas o casal está se organizando para que em breve ele também possa mudar para Dubai. “A companhia aérea oferece acomodação para todos os comissários. Mas para quem é casado também existe um auxílio aluguel muito bom. E isso facilita muito para que os casais possam viver juntos aqui”, relatou. 

“Muitos pensam que comissários não conseguem casar ou ter filhos, mas é totalmente possível. É uma rotina agitada, nem sempre se pode estar perto de quem se ama. Mas nós também temos muitas folgas e saídas anuais nas quais podemos escolher aonde ir, e também podemos levar a família junto, o que é maravilhoso. Data comemorativa é algo que todo comissário aprende a ter que, muitas vezes, abrir mão”, completou Juliana. 

As renúncias feitas em nome da profissão têm suas recompensas, segundo a comissária de bordo, que durante o primeiro mês de trabalho já pode conhecer diversas cidades ao redor do mundo como Londres, no Reino Unido, Seoul, na Coreia do Sul, Nice, na França e Monte Carlo, em Mônaco, e muitas outras virão, segundo ela.

“Está sendo incrível. É claro que é ocupado, trabalhoso e cansativo, como qualquer outro trabalho, mas é realmente gratificante saber que hoje estou em Dubai e amanhã estarei em outro continente” destacou. 

Paixão pelo Boi-Bumbá

A paixão pelo Boi-Bumbá Garantido e pela cultura amazonense também foi um degrau importante para que Juliana pudesse abrir a mente e explorar novos horizontes. Ela foi dançarina de Boi-Bumbá por quase 10 anos e recentemente item substituta. Durante essa fase, Juliana realizou suas primeiras viagens internacionais, viajando por diversos países para dançar e apresentar a cultura amazonense.
 
“Brincar de Boi-Bumbá é uma herança de família. Meu avô era parintinense e minha mãe é uma torcedora assídua do festival. Me parte o coração saber que não estarei presente neste ano, durante o retorno do nosso Festival, mas já estou programando minhas férias pro Festival do ano que vem. E é claro que, mesmo de longe, vou assistir e vibrar muito pelo meu Boi Garantido”,  relata.

“Não há uma só vez que eu diga que sou do Amazonas e as pessoas não se impressionem, pelo fato da distância. E todos demonstram muita empolgação ao perguntar curiosidades da nossa região. Tenho muito orgulho da minha origem e sempre transmito isso quando falo para as pessoas aqui”, finalizou Juliana, que compartilha diariamente sua rotina como comissária de bordo em seu perfil no Instagram, @eujubarbara [https://www.instagram.com/eujubarbara/].

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