Manaus sex, 6 nov
A Crítica
Geral

Conheça os CACs, grupo de atiradores esportivos que cresce no Amazonas

Categoria ficou em evidência no país após número de credenciados ter crescido exponencialmente

Publicado em 07/03/2022 às 14h39 · Atualizado em 12/03/2022 às 13h38
Conheça os CACs, grupo de atiradores esportivos que cresce no Amazonas

A vontade de manusear uma arma de fogo, ou melhor, o sonho de atuar em alguma profissão que demandasse muita adrenalina veio desde cedo para o instrutor de tiro e policial civil João Paulo Elvas, 38 anos. Aos 25, ele passou em um concurso público e ficou mais perto da prática, que hoje virou um estilo de vida.

Atualmente, Elvas comanda um clube de tiro na Zona Oeste de Manaus e atende pelo menos 1.200 pessoas por ano, interessadas em aprender como se atira com uma arma de fogo.

“Depois que entrei para a polícia, eu fui diretamente para o Grupo Fera (Grupo Força Especial de Resgate e Assalto). Como eu sempre gostei de arma de fogo, quando comecei na polícia, eu fui fazendo meus cursos operacionais. Com um ano de polícia, eu fui fazer SWAT em Miami, depois fiz curso no Cigs (Centro de Instrução de Guerra na Selva)”, relembra.

O vasto conhecimento na prática fez com que ele montasse uma metodologia e hoje ensina pessoas que nunca seguraram um armamento a dar o primeiro tiro.

“Eu tinha vontade de passar conhecimento e depois vi que tinha muito civil interessado em saber manusear o armamento. Foi quando eu e o meu amigo montamos uma metodologia, divulgamos no grupo de amigos que fazia cursinho para delegado e o boca a boca foi se espalhando, hoje nós somos pioneiros na instrução de manuseio de arma de fogo para civis em Manaus”, conta.

Quem são os CACs?

A vontade de praticar o tiro esportivo cresceu nos últimos anos. Para se ter ideia, de acordo com o Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a quantidade de registros de armas de fogo de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CAC) ativos no SIGMA/Exército Brasileiro chegou a 561.331 em 2020. No ano de 2019, foram registradas 225.276 novas armas pela categoria. Um aumento de quase 150% no número de registros.

De acordo com o diretor administrativo da Federação de Tiro Prático do Amazonas, Mario Batista, para se tornar um CAC é simples, basta ser um cidadão de boa índole.

“É necessário que a pessoa esteja filiada a um clube de tiro e emite todas as certidões negativas: da Justiça Estadual, Justiça Federal, Polícia Civil, Justiça Militar, Justiça Eleitoral e Polícia Federal. Se ele tem todas as certidões, passa no teste psicológico e passa no teste de tiro feito dentro de um clube de tiro, ele pode se credenciar como colecionador e atirador esportivo. Aqui na Amazônia não existe a caça”.

Circulação de armas X aumento de violência

Na visão do sociólogo, especialista em sociologia da violência, Israel Pinheiro, a análise sobre o uso de armamentos e registro passa por alguns dilemas entre eles de que quanto maior a circulação de armas, maior a taxa de letalidade.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em junho de 2021, o número de homicídios teve um aumento em 2020. Ao todo, foram notificados 50.033 assassinatos no País durante a pandemia de Covid-19.

“Outro ponto importante é que o nível de armas caseiras são muito pequenas, isso quer dizer que maioria das armas que circulam são armas que vem de uma grande indústria e essas armas adquiridas ilegalmente vem desse fluxo de ‘legilismos’ que a gente vive na sociedade. E acontece de colecionadores perderem ou até mesmo terem seus bens roubados”.

De acordo com ele, a falta de segurança pública não justifica o porte de armamento. Para o sociólogo, é preciso discutir a melhoria da segurança pública com as autoridades públicas.

“A sensação que o bandido tem arma e o cidadão de bem não tem, essa noção é construída por que você não reconhece que a segurança pública é um direito e não uma mercadoria. Quando você debate a segurança pública como bem a ser adquirido e não como direito ser reivindicado, você tem um outro quadro nessa relação, um quadro em que o estado deveria ser o prestador de serviço e se ele não está dando certo, tenho que recorrer a uma segurança privada e essa privatização da segurança, não faz bem a ninguém”.

Leia também

Voltar para Geral