Manaus qui, 22 out
A Crítica
Geral

Contratar médicos ainda é desafio para prefeituras

No interior do Amazonas, o salário de um médico chega a R$ 35 mil, alta remuneração, no entanto, não mantém serviço.

Publicado em 03/02/2023 às 08h42
Contratar médicos ainda é desafio para prefeituras
Foto: Agência Brasil


Municípios do interior relatam dificuldade para atrair médicos para atender a população local. Problema que se traduz em números indicados pelo Programa Previne Brasil, do governo federal, onde 12 municípios alcançaram desempenho abaixo de 6 no terceiro quadrimestre do ano passado, numa escala que vai de zero a dez .

Na ponta da lista, Novo Airão apresenta a melhor saúde básica do estado, com 9,81 no levantamento que leva em consideração fatores como consulta de pré-natal, atendimentos de saúde bucal, cobertura vacinal, exames laboratoriais e de hipertensão. Na outra ponta, Ipixuna e Japurá ficam com na lanterna pontuando 2,15 e 2,13, respectivamente.    

 

Dificuldades

 

A falta de profissionais médicos, principalmente de especialistas, pode explicar a situação de acordo com o prefeito de Borba, Simão Peixoto. Mesmo com o município alcançando pouco mais de 9 pontos no atendimento primário, ele disse à reportagem que é caro manter profissionais médicos no interior. 
O prefeito se queixa de que não é possível contratar um médico especialista por menos de R$ 35 mil mensais e, segundo ele, atualmente o município banca com recursos próprios a contração dos profissionais.

“A gente tenta negociar. Por exemplo, um clínico médico não vai para o interior por menos de R$ 25 mil. E isso encarece bastante a folha de pagamento do município”, reclamou. 

 

Estratégias

 

O vice-prefeito de Codajás, Cleucivan Reis (Avante), comenta que o mercado cobra valores acima que o município pode pagar por especialistas e clínicos gerais. Conforme Cleucivan, procura oferecer salários acima de vizinhos, estrutura médica mínima, além de pagamentos em dia. 

“Em média pagamos mais de R$ 12 mil para um clínico geral. Atendemos com alguns especialistas, mas são poucos dias no mês. São atendimentos baseados numa escala”, explicou Cleucivan.

Codajás está na 6ª colocação estadual do Previne Brasil, com nota 9,33 e junto com Lábrea, Tefé e Boa Vista do Ramos, o município  permaneceu os três últimos quadrimestres entre as 10 melhores colocações. O atendimento médico especializado, segundo Cleucivan, foi um dos fatores que colaboraram com o resultado. 
 
“Localmente, criamos o mais Médicos Especialistas para oferecer atendimentos especializados. Por causa do programa conseguimos oferecer especialidades como a de pediatra e de outros especialidades para atender a população. É um programa inovador”, declarou Cleuvivan.

 

Manaus: nº 1 entre as capitais

 

Apesar da boa posição de Manaus no Previne Brasil, a melhor dentre as capitais, à frente de capitais como Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília, se for considerado apenas o Amazonas, a capital fica na 23º posição, atrás  de municípios como Iranduba, Tefé, Rio Preto da Eva e Novo Airão. 

Em nota, a prefeitura  enfatiza que os municípios do interior têm populações reduzidas e níveis de dificuldade menores, por isso integram outro grupo de análise. Reforçou que está no topo da avaliação das capitais por quatro avaliações seguidas.

“A Semsa está aprimorando, mês a mês, suas estratégias de controle, monitoramento e aprimoramento dos serviços oferecidos à população, visando superar seus próprios resultados e garantir aos cidadãos manauaras sempre a melhor saúde básica”, ressaltou a secretaria municipal.

O presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Manaus, vereador Daniel Vasconcelos (PSC) disse que o ranking leva em conta apenas as capitais. O parlamentar afirma que na comparação com interior Manaus fica em desvantagem porque a maioria dos municípios consegue atingir quase 100% da população justamente por causa da baixa densidade demográfica.

“Manaus é uma cidade muito grande e tem muitos vazios assistenciais e com isso impossibilita que o médico e a saúde primária consiga chegar em todo mundo. Essa é a diferença. Por outro lado, o interior sofre com a atenção especializada e Manaus acaba absorvendo a população do interior”, defende o vereador.

Ele reforça que a comissão de saúde tem cobrado da Prefeitura de Manaus a ampliação da atenção primária.

Leia também

Voltar para Geral