COP-30: Empresas querem garantir o real legado
Iniciativa reúne empresas como Natura e Nestlé em projetos de impacto direto para ribeirinhos e indígenas
Com a aproximação da COP30, que será realizada em novembro, em Belém, capital do Pará, grandes empresas privadas brasileiras e multinacionais iniciam um planejamento estratégico inédito de projetos voltados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. A meta entre todas elas é apresentar ações concretas que deixem um legado permanente para as comunidades locais, ribeirinhas e indígenas, e não apenas discursos ou compromissos genéricos sem aplicabilidade real.
A partir da criação da Climate Actions Solutions e Engagement (C.A.S.E), que aconteceu em São Paulo (SP), na última segunda-feira (4), foi dado o primeiro passo para articular, entre o setor privado, iniciativas de impacto direto no bioma e nas populações que vivem na região. A C.A.S.E. é formada pelas seguintes empresas: Bradesco, Itaúsa, Itaú, Natura, Nestlé e Vale.
Exemplos de iniciativas que serão apresentadas até a COP-30 estão a Natura e Nestlé, que têm projetos de impacto direto para ribeirinhos e indígenas.
“Não adianta planejamento e discurso se isso não causar impacto direto na vida de quem realmente vive a Amazônia. Precisamos de uma agenda propositiva, construída com quem está lá e conhece a realidade do território”, afirma a vice-presidente de Sustentabilidade da Natura, Ana Costa.
A executiva destaca que o momento é estratégico para a união de forças entre empresas que já atuam localmente. “Estamos convidando outras organizações para integrarem esse movimento e trazerem ideias e financiamentos. A prioridade é aquelas que já têm presença na Amazônia e não apenas aquelas que querem se aproveitar do evento”, reforça.
Dentro da Case, empresas como a Nestlé vêm delineando propostas que vão além do discurso e já olham para ações contínuas com base no que já está em prática. O vice-presidente Jurídico & Assuntos Públicos da Nestlé Brasil, Gustavo Bastos, defende que o setor privado deve “potencializar o que cada uma faz nos seus setores”, especialmente nas cadeias produtivas locais.
“Tem muita coisa em andamento, e o papel da Nestlé é ajudar para que esses atores continuem sendo importantes – sejam pequenos, médios ou grandes. Atuamos fortemente em cadeias como a do cacau, café e leite, e mais de 40% dos nossos ingredientes vêm de práticas agrícolas sustentáveis”, afirma.
Bastos também reforça que a companhia tem atuação direta com produtores locais na Amazônia, especialmente com o cacau. “Trabalhamos com pequenos produtores e adquirimos insumos da região. Nosso olhar está voltado para as comunidades. Melhorar a qualidade de vida desses produtores gera um ganha-ganha em toda a cadeia, com sustentabilidade para diversos biomas”, completa.
A proposta é reforçar essas parcerias durante a COP30, com compromissos tangíveis e mensuráveis.
COP em Belém
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, destaca a importância de garantir que o Brasil seja exemplo de organização e legado.
“Toda a parte de preparação está sendo conduzida com muito cuidado pela Casa Civil, em um trabalho que já dura mais de um ano. O Brasil tem excelente relação com os países em desenvolvimento, e sabemos que temos um papel de ponte. Nosso coração está ao lado desses países, porque somos um deles, e a crise climática é uma questão global, não permanente”, afirmou o embaixador.
Corrêa do Lago também descartou a possibilidade de dividir a COP entre Belém e Manaus, como chegou a ser sugerido.
“Outros países precisaram construir centros de convenções e preparar suas cidades. Os argumentos de que o Brasil é grande demais para ter a COP em uma única cidade não se sustentam”, garantiu.