Cresce número de ocupações em prédios da Universidade do Estado do Amazonas
A iniciativa dos acadêmicos conta com apoio do Diretório Central dos Estudantes da UEA (DCE-UEA) e do Sindicato dos Docentes da Universidade do Estado do Amazonas (Sind-UEA)
Sob os argumentos de que a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) passa por um momento de precarização da estrutura física e da qualidade de ensino, e contra a PEC 55/2016, estudantes dessa instituição de nível superior estão ocupando um número cada vez maior de unidades da faculdade.
Até a última sexta-feira (11), a sede da Escola Superior de Artes e Turismo (Esat), localizada na rua Leonardo Malcher, e a de Parintins (Município a 325 quilômetros de Manaus) estavam ocupadas por com cerca de 200 alunos em protesto, e até o fechamento desta edição a expectativa era de que a Escola Normal de Ensino Superior, localizada na avenida Djalma Batista, também fosse controlada pelos estudantes, com a unidade de Tefé (distante 525 km da capital) estando em vias de ocupação.
A iniciativa dos acadêmicos conta com apoio do Diretório Central dos Estudantes da UEA (DCE-UEA) e do Sindicato dos Docentes da Universidade do Estado do Amazonas (Sind-UEA). Na sede da Escola Superior de Artes e Turismo, os alunos tomaram da fechada à sala da recepção, mas de forma pacífica, como eles mesmo fizeram questão de falar. Todos os estudantes que foram entrevistados por A CRÍTICA frisaram que o ato também é um repúdio contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 55/2016) que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos à correção da inflação do ano anterior.
“Essa mobilização representa o nosso repúdio contra a PEC 55, que congela os gastos na educação e saúde, e onde toda a população vai ter que pagar o preço por uma falta de organização que não foi nossa, e sim de representantes que muitos de nós colocamos lá e que não estão sabendo administrar de uma forma correta”. Disse Diego Leonardo, aluno do 6º ano de teatro, enfatizando que a iniciativa não tem uma liderança específica. Ele é um dos que estão no local desde a última quinta-feira. “Nós começamos com uma manifestação às 10h e durante o dia fomos agregando as pessoas para começar a ocupação mesmo”, disse Raquel Rodrigues, aluna do 2º período de Artes.
Estado de greve
Na sexta,o Sind-UEA convocou uma coletiva de imprensa para denunciar a precarização da estrutura física e da qualidade de ensino na Universidade. Professores e alunos da UEA também aderiram ontem ao “Dia Nacional de Luta e Paralisação”, data estabelecida Pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) dentro da frente de lutas “Fora Temer”, que ocupou Centro da cidade (ver matéria abaixo).
O Sindicato dos Docentes da UEA reuniu ontem à tarde em Assembleia Geral para deliberar, entre outros assuntos, sobre uma possível paralisação geral da categoria. A decisão foi pela deflagração do estado de greve. Uma nova assembleia está marcada para o dia próximo dia 25. “Caminharemos para a construção da greve se não se concretizarem as negociações com o Governo do Estado”, informou o vice-presidente do Sind-UEA, Otávio Rios.
Em números
200
É o número de acadêmicos que ocupam a sede da Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas. Na última quinta-feira, data da ocupação, eram cerca de 80.
Frase
“Estamos espalhados pelo hall e sem colchão nem nada, mas nos sacrificando. Cada um traz um pouco de comida” – Raquel Rodrigues, aluna ocupante da UEA.
Blog
Diego Leonardo, aluno ocupante da UEA
“Nós pretendemos ficar aqui na sede da Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (Esat) até a votação da PEC 55 ou quando tivermos um parecer mais definitivo dessa Proposta de Emenda Constitucional. O queremos é uma resposta. Não queremos que isso aqui (apontando para a sede ocupada) se perca com o vento. Nós queremos ser ouvidos. Já ocorreram incêndios aqui no segundo andar do Esat no início deste ano. Sorte que nós, alunos, não estávamos aqui pois era período de férias. Mas imagine se fosse período letivo. Há também problemas nos cabos dos elevadores. E fora isso tem uma reforma da sobreloja, onde fica a secretaria e o protocolo, que foi prevista ser entregue em 20 dias e estamos há mais de 6 meses sem conclusão”.