Crescimento de 2,21% na venda de carros em julho
Mesmo com leves incrementos mensais na comercialização de carros e demais veículos, os números de vendas acumuladas no ano continuam em negativo se comparados com os registros do ano passado
Mesmo com leves incrementos mensais na comercialização de carros e demais veículos, os números de vendas acumuladas no ano continuam em negativo se comparados com os registros do ano passado. O Governo procura aquecer o mercado com medidas fiscais.
De acordo com os últimos dados de emplacamentos mensais publicados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a venda de veículos novos registrada em julho cresceu 2,21% em comparação com o mês anterior. Esse reporte considera a comercialização de carros, veículos comerciais leves, caminhões e ônibus, dando um resultado de 181.982 unidades.
Quando a comparação é feita em relação com julho do ano passado, o crescimento é ainda maior: 3,74% a mais. Porém, os analistas do setor aclaram que há muito para fazer para atingir valores verdadeiramente positivos. Acontece que, quando comparadas as vendas acumuladas nos primeiros 7 meses de 2022 com as registradas no mesmo período de 2021, não há crescimento, se não uma queda de quase 12 pontos percentuais.
No período analisado foram emplacadas 1.099.895 veículos, ou seja, 149.468 a menos do que nos primeiros sete meses do ano passado.
As medidas fiscais do Governo Federal
Segundo as autoridades da Fenabrave, esse ano ainda pode registrar melhores resultados gerados pelas medidas dispostas pelo Governo Federal.
Esse comentário faz referência ao decreto publicado faz poucas semanas que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cerca de 4 mil categorias de itens de consumo nacional oferecidos no mercado.
Segundo o decreto, a diminuição do Imposto aplicável aos carros novos passou de 18% para 24,75%. É importante destacar que nem todos os modelos irão receber a mesma baixa (as picapes, por exemplo, continuam com uma taxa de imposto de 35%).
Como foi anunciado pelo secretário especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Alexandre Ywata, este tipo de políticas visam estimular o consumo perante um cenário de alta na inflação e incremento na Taxa Selic, que costuma limitar o acesso ao crédito e, portanto, desacelerar o gasto na população.
O argumento é o seguinte: se os impostos fazem parte dos aspectos que as companhias analisam na hora de estabelecer os preços de venda dos carros, então, uma diminuição deles iria se refletir nos valores finais em benefício para os consumidores.
A política também poderia beneficiar os consumidores em outros aspectos, pois os valores dos carros são utilizados como parâmetros, por exemplo, para determinar os valores das apólices. De fato, na hora de fazer a simulação do seguro do carro, o elemento fundamental a considerar é a colocação do preço de mercado do bem.
Contudo, especialistas consideram que as mudanças estabelecidas pelo decreto só devem gerar um impacto leve nos preços de venda dos carros e utilitários no país. Cassio Pagliarini por exemplo, sócio da Bright Consulting, fez o cálculo do percentual de desconto nos 10 modelos 0km mais vendidos concluindo que a queda média seria de apenas 0,6 a 0,7%, produzindo um eventual crescimento de 2% no total de vendas