Dano em prédio do Viver Melhor assusta moradores, que precisaram evacuar o edifício
Segundo a Defesa Civil municipal, o dano foi de revestimento e não comprometeu a estrutura do prédio
A madrugada da última terça-feira (4) não foi nada comum para os moradores do conjunto Viver Melhor 1, segunda etapa, localizado no bairro Lago Azul, Zona Norte de Manaus. Assustados, eles foram acordados com o revestimento de seus apartamentos destruídos.
De acordo com o aposentado Daniel Sena, de 57 anos, alguns moradores relataram que ouviram estalos nas paredes do prédio ainda pela noite, por volta das 23h. Mas, foi pela madrugada, por volta da 3h, que os revestimentos estruturais das paredes começaram a cair, assustando os moradores.
Francisca Ciabra, 57 anos, uma das moradoras do conjunto, relatou que ouviu um barulho bem forte às 3h da madrugada, quando acordou. “Um barulho como se estivesse espocando pedra. Fiquei assustada mesmo. Eu cheguei na sala e entendi que era pra cozinha [o barulho], depois vi que era dentro da parede do prédio, eu abri as duas portas e fiquei daqui, aí foi “PRAA” e “PRAA” de novo, e eu saí para hall”, relatou Francisca.
“Quando eu saí estalou no hall daquele corredor pra chegar às portas, aí eu fui e chamei a vizinha da frente e saí batendo nas portas de todo mundo, e fomos saindo e todo mundo foi ouvindo o barulho, porque continuou quebrando e estalando”, completou Francisca, ao destacar que os moradores logo acionaram os Bombeiros, que chegaram às 7h, e orientaram que eles não voltassem ao prédio até que a Defesa Civil chegasse.
Já a aposentada Emília Nunes, de 61 anos, contou que desde a madrugada sentiu o prédio balançar. Ela relatou o receio ao seu marido, que não deu importância para a situação, ao acreditar que não seria nada sério. “Aí eu comecei a orar, que eu sou evangélica, esperando lá se ia bambear de novo. Falei: pai, que seja feita a sua vontade, se for de acontecer alguma coisa, não vai acontecer, não”, contou dona Emília.
A aposentada relatou ainda que por volta das 7h, muitos moradores já haviam deixado seus apartamentos e esperavam pela Defesa Civil na parte de fora do prédio, mas seu marido continuava incrédulo e não queria deixar o local.
“Ele foi tomar banho e quando estava se enxugando aí começou a rachar, aquele baralho bem forte duas vezes. Aí ele disse: O que foi isso, Emília!!? Eu disse assim: o que é isso? É o prédio que está rachando! Vamos embora daqui! Vai acordar meu neto! E foi tudo muito rápido, abrimos a porta e corremos pra cá”, contou a moradora.
Segundo Daniel Sena, a Defesa Civil chegou ao local por volta de 13h para vistoriar os apartamentos, que foram liberados para que os moradores pudessem voltar às suas residências. O morador relatou ainda que vários blocos se mexeram, em quadras distantes. “Nós já temos Ação Civil Pública contra a Caixa e a Construtora, são ações individuais e coletivas. Esses problemas não são de hoje”, relatou.
“Os moradores têm medo, é a moradia deles, são seres humanos, todo mundo tem medo, dorme com um olho fechado e outro aberto, porque o medo de tudo desabar em cima deles é muito grande. Já pensou você está dormindo 3h da manhã e começa a estalar, cai cerâmica, cai tudo?”, desabafou o morador.
Em nota, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), informou que recebeu pela manhã, por meio do 199 da Defesa Civil, uma ocorrência de abalo estrutural.
“A equipe técnica da Defesa Civil foi até o local e não identificou risco iminente, uma vez que de acordo com a avaliação da engenharia, o abalo foi de revestimento e não estrutural”, diz trecho da nota.
Segundo a prefeitura, a pedido dos moradores, a equipe técnica avaliou também outros blocos, onde não foi identificado nenhum abalo estrutural a princípio. A Semseg informou ainda que seguirá acompanhando o caso ao longo da semana.