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De madeira e cipó: no Mocambo, as alegorias vêm da mata e narram história de amor ao que é da terra

Um dos maiores festivais do Baixo Amazonas acontece logo depois do tradicional Festival de Parintins

Publicado em 10/08/2024 às 20h56 · Atualizado em 10/08/2024 às 21h07
De madeira e cipó: no Mocambo, as alegorias vêm da mata e narram história de amor ao que é da terra
Foto: Junio Matos

Tem boi que é feito de pano e espuma, tem boi que é de veludo. No Festival Folclórico do Mocambo do Arari, ele é de bambu, cipó e folhas secas. Anda com a física debaixo do braço e muita engenhosidade para fazer de um tronco de árvore, um guindaste. Conhecido como uma das mais sustentáveis e ecológicas manifestações culturais, surge na união e esforço de artistas – ora alegoristas, ora carpinteiros, pescadores.

A Festa começa logo depois do tradicional Festival de Parintins. Com um mês para levantar o festival, os moradores do distrito vão à caça. Sem dor de cabeça com fornecedor. É pra dentro da mata que eles buscam não só inspiração, mas fundação. O processo de extração dos materiais é o primeiro passo rumo às apresentações do Boi Espalha Emoção e Touro Branco, que entram no Mocambódromo na noite deste sábado em busca do título da 19ª edição do Festival.

“Nós temos aqui capiteiros, nós temos professores, tem pescadores, tem pessoas que trabalham com produção agrícola e também com extração de material nativo. São comunitários, pessoas que vivem, que têm suas famílias e fazem a festa”, conta Zandonaid Bastos, que faz parte do conselho de artes do Caprichoso e no Mocambo é a mente por trás de toda a apresentação do Touro Branco.


(Foto: Junio Matos)

Lendas, fábulas, itens. Todo o resto do Festival do Mocambo segue a proposta do nosso tradicional Boi Bumbá. Outros materiais “artificiais” também vêm de Parintins, repassados por Garantido e Caprichoso com o que seria reciclado após o festival. Mais uma vez, mantendo a proposta sustentável da festa no Mocambódromo.

“O nosso diferencial é esse. A gente faz lança, faz guindaste com tudo da mata. Eu sou pintor, mas as coisas se misturam aqui na época do festival. A gente começa aqui no Mocambdo desde criança. Eu comecei com 8 anos. As crianças de hoje vão ter o mesmo dom que a gente. Quando chega o festival, a gente vai buscar madeira na mata. Todo mundo participa”, diz Albert Melo, alegorista nascido e criado no Mocambo.


(Foto: Junio Matos)

Folclore e devoção

É da mata e para a mata. Neste ano, por exemplo, os temas dos bois se misturam à mística da região. ‘Folclore do Povo’ é o tema do Touro Branco. ‘Fé e devoção: raízes mocambenses’ é o tema do Espalha Emoção.

Quem abre a 1ª noite, neste sábado (10), é o Touro Branco, que vai desmistificar a tradição e as lendas da região que são passadas de pai para filho, o folclore e sua pluralidade. Já o Espalha Emoção embarca numa viagem de devoção e ode às suas tradições.

O Portal A Crítica transmite a disputa dos bois nesta noite pelo Youtube.com/PortalAcriticaAM.

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