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Declaração de ministro da Educação é repudiada por entidades de ensino superior do Amazonas

Em entrevista na terça-feira (10), Milton Ribeiro declarou que entende a universidade como um bem para poucos e não útil à sociedade

Publicado em 11/08/2021 às 18h12 · Atualizado em 09/03/2022 às 00h53
Declaração de ministro da Educação é repudiada por entidades de ensino superior do Amazonas
Foto: Naiara Demarco

A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA) considera lamentável a declaração do Ministro da Educação, Milton Ribeiro, que em entrevista à TV Brasil, afirmou que ensino superior deveria ser para poucos. Além disso, ele também salientou que as grandes vertentes do futuro da educação serão os institutos federais, que promovem a formação de técnicos. Já as universidades, segundo ele, não são úteis à sociedade.

Para o vice-presidente da Adua, Aldair Oliveira de Andrade, professor de filosofia e doutor em ciências sociais, o discurso do ministro da educação é irresponsável e faz um desserviço ao país.

“A Adua tem a certeza de que a universidade deve ser pública, gratuita, socialmente referenciada e universal. O ministro, mais uma vez escorrega na linguagem e demonstra que ele está alinhado numa concepção de universidade exclusivista, de não incorporação da minoria em defesa de uma transformação de uma realidade social e educacional. Infelizmente, mais uma vez, temos um ministro que tem um pé na universidade privada. A gente lamenta que um ministro tão fundamental, em um país de tamanha desigualdade social, em todos os sentidos, inclusive educação, dê uma entrevista dessa. A gente se sente completamente ‘enojado’ com essa declaração, que é um desserviço ao país”, disse o vice-presidente.

Para Aldair Oliveira, por detrás do discurso, existe o desejo do atual governo em privatizar as universidades federais. “A intenção, com absoluta certeza, é a privatização da universidade, tanto que a argumentação que ele faz que de que existem muitos engenheiros sendo Ubers, na verdade, encobre o que de fato é o problema. A questão não é que tem muitos engenheiros sendo uber, o problema é que não existe vaga de emprego. O país não tem fomentado vagas de trabalho, porque o estado não tem investido em seu quadro e quando investe é de forma apequenada e atabalhoada. E não tem investido na inserção desses trabalhadores, que estão com qualificação e que saíram da universidade, não tendo espaço no mercado de trabalho”, disse.

Aldair disse que a educação pública brasileira vem sofrendo um desmonte desde 2018. “Existe um problema de desfaçatez. Deve-se reconhecer que o estado brasileiro, principalmente, a partir de 2018, tem partilhado com o desmonte da educação pública, com a emenda constitucional 95, que congelou os gastos em todos os sentidos. A Ufam mesmo teve um congelamento de 37% dos seus orçamentos, a maior perda orçamentária tanto em custeio quanto em capital. Aí o ministro vem com esse tipo de argumentação. De fato, é privatizar a universidade pública, investir o menos possível no ensino superior e passar parte desse capital para a iniciativa privada, tirando a responsabilidade do estado quanto a educação brasileira. Não fazem critica nenhuma ao fato de que 54% do PIB é pagamento de uma dívida pública que não conseguimos auditar. Então, consideramos isso uma desfaçatez e puro cinismo político”, concluiu o representante da ADUA.

SINTESAM

Para o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sintesam) a declaração do Ministro da Educação já era de se esperar. “É um total retrocesso. Mas não dá para esperar opinião nem atitude diferente desse governo, infelizmente. Já tivemos crescimento de cursos de nível superior e maior acesso da população com programas de incentivo, mas hoje ouvimos esse tipo de opinião, de beneficiar somente poucas pessoas. O Brasil precisa crescer e a educação deve ser um dos principais pilares de sustento desse crescimento”, disse a presidente do Sinteam, Ana Cristina Rodrigues.

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