Manaus sex, 16 out
A Crítica
Geral

Deflação artificial

A inflação no Brasil, em queda pelo terceiro mês consecutivo, está entre as menores considerando as grandes economias

Publicado em 12/10/2022 às 10h28
Deflação artificial
Foto: Agência Brasil

O novo recuo da inflação, de acordo com os dados revelados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é uma boa notícia para os brasileiros. De acordo com o instituto, a inflação oficial do País recuou 0,29% em setembro, mantendo o movimento de queda verificado desde julho.

Com isso, o índice de inflação oficial do país acumula alta de 4,09% no ano, e nos últimos 12 meses, de 7,17%. São números ainda muito elevados, e perceptíveis pelo consumidor toda vez que vai ao mercado. O resultado também segue acima da meta estabelecida pelo Banco Central para este ano, 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — ou seja, variando entre 2% e 5%.

Porém, os números precisam ser melhor compreendidos. Novamente, foram os combustíveis que deram a maior contribuição à deflação verificada em setembro. Essa queda se deve ao recuo atual nos preços do petróleo no mercado internacional e também à redução de impostos forçada pelo governo federal em ano eleitoral. A incidência de tributos federais, por exemplo, só vale até dezembro, depois das eleições. A partir de janeiro, a menos que o presidente eleito consiga estender a medida, a volta da tributação federal voltará a pressionar os preços. Logo, pelo menos parte da deflação atual é causada artificialmente, o que é, para a maioria dos especialistas, um risco fiscal para o País. 

É verdade que a inflação no Brasil, em queda pelo terceiro mês consecutivo, está entre as menores considerando as grandes economias. Porém, também é preciso considerar que há anos o Brasil não figura entre as tais grandes economias, além disso, nessas nações – países como Turquia, Alemanha, Espanha e Itália -, o poder aquisitivo da média da população é muito maior que a dos brasileiros, que vêm se equilibrando com dificuldades para manter o orçamento doméstico sob controle. 

O recuo real da inflação, independentemente de medidas populistas de curto prazo, depende sobretudo do cenário internacional, de uma solução pacífica para os conflitos e ameaças de conflitos na Ásia e no Leste Europeu e de como a economia mundial se comportará nesse novo cenário.

Leia também

Voltar para Geral