Delegado dono de curso preparatório dá dicas de estudo para concursos
Fábio Silva, delegado e professor, listou as cinco principais dicas para “concurseiros” iniciantes
Em julho deste ano, o governador do Amazonas Wilson Lima assinou portaria que instituiu a criação de comissões de concurso público para 2.525 vagas nos cinco órgãos que compõem o sistema de segurança do estado. O A CRÍTICA conversou com o delegado da Polícia Civil do Amazonas (PCAM) e dono do curso preparatório Sou Concurseiro e Vou Passar, Fábio Silva, que listou cinco dicas essenciais para “concurseiros” iniciantes.
Segundo Silva, o primeiro passo de uma boa estratégia para alcançar a aprovação é definir qual concurso será o alvo. Cada um dos cargos possui requisitos específicos. “Para Polícia Civil, por exemplo, é preciso ter nível superior ou curso de tecnólogo na data da posse”, disse.
Ele estima que o edital para os concursos da segurança pública saia em outubro, o que gerará provas em dezembro ou janeiro. O delegado e professor listou as cinco principais dicas para “concurseiros” iniciantes:
AQUISIÇÃO DE MATERIAL DE QUALIDADE
Segundo Silva, a época das apostilas vendidas em bancas de revistas acabou. Adquirir material ruim é uma porta de entrada para o atraso nos estudos. “Muitas dessas apostilas são duvidosas no quesito atualização. As leis mudam frequentemente. O código penal teve atualização na semana passada”, disse.
LOCAL DE ESTUDOS
Nada de estudar deitado. Para o delegado, é necessário separar um local permanente de estudos, que não exija que o “concurseiro” precise reorganizá-lo sempre que for estudar. O cenário ideal é uma sala voltada especificamente aos estudos.
COMUNICAR À FAMÍLIA
O dia a dia de um “concurseiro” envolve estudar muito, o que pode ser feito por meio de videoaulas, escrita de fichamentos, mapas mentais e revisões. Mesmo que as horas de estudo sejam cansativas, familiares podem não entender a nova rotina. De acordo com Fábio, explicar o novo cotidiano de estudos à família é uma ferramenta importante para evitar mal-entendidos.
“Se for possível, puxar familiares ao seu lado é muito importante. Às vezes, a família não entende quando a pessoa está estudando no sábado, domingo. Por vezes, pensa-se até que o indivíduo não está fazendo nada. Explicar à família o que o ‘concurseiro’ terá que fazer é importante, porque há ocasiões em que família não entende”, declarou.
SEM “PROPAGANDA” DOS ESTUDOS
Para Silva, falar para muita gente que se está estudando para concursos pode gerar conflitos nas relações interpessoais. O melhor é estudar em silêncio. “Falar para muita gente que se está estudando para a polícia gera uma inveja muito grande. O ‘concurseiro’ vai perder algumas amizades. O bom é manter o foco em silêncio”.
EVITAR “LADRÕES DO TEMPO”
Mais importante até do que o local de estudos é se afastar das distrações. O delegado da PCAM considera que o grande mal da sociedade, atualmente, para os “concurseiros”, são as redes sociais. “Nos meus grupos do WhatsApp, vejo pessoas que insistem em passar mais tempo conversando do que estudando”.
URGÊNCIA DE SEGURANÇA
Silva afirmou que os ataques terroristas realizados em Manaus em junho deste ano foram um fator que acelerou o andamento dos trâmites relativos aos concursos voltados à segurança pública.
Os concursos irão reparar a defasagem de efetivo nas forças de segurança do estado, gerando empregos diretos nas polícias Militar e Civil, Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), Corpo de Bombeiros e Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM).
DE “CONCURSEIRO” A CONCURSADO
Fábio Silva cresceu no bairro Japiinlândia situado na Zona Sul de Manaus e decidiu concorrer em concursos públicos para conseguir condições financeiras de ajudar a mãe, que sofre de epilepsia.
“Ela sofria de convulsões todos os dias. Trabalhei como garçom e vendia flores no sinal de trânsito depois de ela abrir uma floricultura. Tinha por volta de 18, 20 anos, quando comecei a estudar para concursos por conta própria. O problema de quem está estudando sem orientação é pensar que o está fazendo de forma correta”, disse.
Silva contou que um professor que ele conheceu em um curso preparatório o ajudou após perceber que o estudante não conseguia a aprovação em nenhum dos concursos nos quais concorria. “Ele me ensinou técnicas de estudo como a da escrita de fichários, do Pomodoro. Depois de aplicar métodos de memorização, prestei concurso para o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas em 2005 e passei. A sensação foi indescritível”.
Segundo ele, o mais importante na preparação para concursos não é a quantidade de horas estudadas, mas o uso de técnicas que permitam a melhor memorização e absorção do conteúdo.
De 2005 a 2009, Fábio estudou para o concurso da PCAM e passou para o cargo de delegado, que exerce até hoje.