Deputado do AM ameaça tomar medidas para retirada de filme da Netflix
João Luiz (Republicanos) quer a retirada do filme ‘Lindinhas’ da plataforma de streaming. Segundo ele, o filme “sexualiza as crianças e adolescentes” e “é um verdadeiro absurdo”
Em discurso na manhã desta terça-feira (22), em sessão híbrida da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), o deputado estadual João Luiz (Republicanos) ameaçou apresentar uma documentação para a retirada do filme ‘Lindinhas’ da plataforma de streaming digital Netflix. João Luiz chamou o filme de “verdadeiro absurdo” que “sexualiza as crianças e adolescentes”.
O deputado conclamou ainda à Mesa Diretora para também apresentar um ofício “para mostrar a nossa insatisfação” em relação ao filme. A vice-presidente da ALE-AM, deputada Alessandra Campelo não se manifestou sobre o pedido de Luiz.
“Quero repudiar a exposição das crianças no filme da plataforma Netflix que é um verdadeiro absurdo. Pediria até mesmo a comissão dessa Casa, que defende o adolescente, a criança, pudesse enviar uma documentação para mostrar a insatisfação nossa em relação ao filme que eles lançaram no mês passado na plataforma. Colocando as crianças ali, sexualizando danças, crianças e os adolescentes nos seus lares”, repudiou o parlamentar.
João Luiz aponta que atualmente a plataforma da juventude é a “Netflix”. Para o deputado, ao levar “esse conteúdo horrível”, a empresa “só está contribuindo com a destruição dos nossos adolescentes e também da família, principalmente”.
“Nós, como presidente da Frente Parlamentar Cristã, repudiamos em todo o contexto desse filme e vamos enviar uma documentação solicitando para que se retire da plataforma esse filme horrível, ridículo que só colabora para destruição das famílias”, prometeu.
Direitos Humanos
O filme da Netflix Lindinhas se tornou alvo de um pedido de suspensão pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH). Acusado de sexualizar meninas de 11 anos de idade, o longa vem sofrendo diversas críticas e boicotes pela maneira com mostra as crianças.
O pedido foi encaminhado à Coordenação da Comissão Permanente da Infância e Juventude e assinado pela Secretaria Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA). No texto, o secretário Maurício Cunha justificou que o filme sexualiza as crianças de maneira pornográfica.
Damares Alves, ministra do MDH, vem se manifestando sobre o filme há algum tempo. Ela afirmou que pretende atuar na defesa das crianças e impedir que o conteúdo de cunho sexual envolvendo menores seja apresentado desta maneira.
Polêmica
João Luiz, que é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e presidente da Frente Parlamentar Cristã na Assembleia Legislativa do Amazonas, apresentou em maio o projeto de lei 215/2020 que pretendia proibir a gravação de vídeos, áudios e fotos dentro de templos religiosos sem a autorização das entidades religiosas.
Na redação do projeto, o deputado argumenta que ao usar o celular no culto para fazer registros, o indivíduo está violando o direito de imagem de quem sequer tem conhecimento que está sendo fotografado. Com isso, não estaria resguardada a liberdade religiosa e o fiel teria a atenção desviada do culto.
O projeto previa em caso de descumprimento da legislação multa de 1 a 10 salários mínimos. O inciso 2°estabelecia que líderes religiosos poderão retirar eventuais fiéis que descumprirem a lei, empregando inclusive o uso de força policial.
Por causa da repercussão negativa, João Luiz retirou de tramitação a propositura. Desde então o projeto não foi mais movimentado, o projeto ainda estava nos primeiros passos de tramitação.