Descaso com o Mercosul
O Mercosul, assim como a complexa rede de relações internacionais na qual está inserido, precisa ser levado a sério, o que traria benefícios de relevo, inclusive, para a Zona Franca de Manaus
A associação de nações em blocos econômicos é um movimento que ganhou força na segunda metade do século XX, com a ascensão da antiga Comunidade Econômica Europeia, convertida anos depois na União Europeia. O então sucesso da empreitada motivou outras iniciativas parecidas pelo mundo e também teve impactos na América do Sul. Foi sob essa influência que Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai fundaram, em 1991, o Mercado Comum do Sul (Mercosul).
Duas décadas depois, não se pode dizer que foi um fracasso, afinal, a corrente de comércio entre os países membros já cresceu mais de dez vezes desde então, e novos membros foram adicionados. Porém, o objetivo principal do bloco se perdeu com o tempo: criar uma zona de livre comércio entre os países envolvidos. Isso ainda é possível, mas depende de uma complexa série de fatores que dificilmente será superada em um futuro próximo.
O mais fundamental desses obstáculos é o próprio desinteresse dos participantes em fazer a engrenagem funcionar. Ontem, no dia da 60ª cúpula de líderes do Mercosul, o presidente Jair Bolsonaro não compareceu à reunião. Em vez disso, preferiu ir a um jogo de futebol. O mandatário brasileiro enviou um vídeo à cúpula no qual defendeu a redução da Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco. O Brasil esteve ausente em um dos raros momentos em que o Mercosul faz valer as razões de sua criação. A redução da TEC é um passo relevante para a economia do bloco.
Ainda que jamais haja uma completa integração econômica entre os países do cone sul, o fato de haver esforços visando benefícios econômicos comuns já é de grande significado, sobretudo considerando as alianças de peso que beneficiam as grandes potências mundiais. O Mercosul é uma iniciativa valiosa que, se levada a sério pelos países, pode significar importantes pontos positivos nas respectivas balanças comerciais. O Brasil, sua administração central e diplomacia, precisam rever a importância relegada ao bloco econômico, sob pena de ver o esforço de décadas se esfacelando até a insignificância.
O Mercosul, assim como a complexa rede de relações internacionais na qual está inserido, precisa ser levado a sério, o que traria benefícios de relevo, inclusive, para a Zona Franca de Manaus.