Documentário ressalta luta de ribeirinhos e do povo Deni do rio Juruá, no Amazonas
Filme de produtora manauara foi lançado na COP com a presença do cacique Raoni
Belém – A luta de ribeirinhos e do povo indígena Deni estão no centro de um novo documentário intitulado ‘Juruá – Memórias de um Rio’, lançado na última sexta-feira (14) durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém. O trailer está disponível no YouTube. Agora o filme passará por um circuito de festivais antes de ser lançado oficialmente ao público geral, em 2026.
A obra retrata como, após anos de luta e organização, as comunidades locais conseguiram garantir a proteção de 2,4 milhões de hectares, e como hoje vivem do manejo sustentável da floresta e dos recursos naturais. Alguns deles são a mandioca, andiroba, murumuru e o pirarucu.
O documentário é uma realização do Greenpeace em conjunto com a produtora manauara Banksia Filmes e organizações parceiras. O filme foi gravado durante uma viagem ao Médio Juruá, 25 anos após o Greenpeace apoiar a luta dos povos da região contra a extração ilegal de madeira e pela demarcação do território.
“O filme celebra as forças comunidades que transformaram uma região marcada pela exploração da borracha em um território de esperança e sustentabilidade”, afirma a diretora e roteirista do filme, Carolina Fernandes.
Ela reforça que a obra, lançada durante a COP 30, é uma prova viva de que as soluções para a crise climática existem e estão na floresta, “onde o conhecimento tradicional e o senso de interdependência continuam a guiar o cotidiano”.
Hoje a região do Médio Juruá é um mosaico de áreas protegidas: a reserva extrativista Médio Juruá, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari e a terra indígena Deni.
O líder local e diretor de produção do Conselho Nacional dos Povos Extrativistas (CNS), Francisco do Carmo, celebra a proteção das áreas a partir dessas delimitações, mas chama a atenção para a importância de avançar com o apoio à região.
“Ainda é necessário termos apoio através de acesso direto a financiamento para que possamos destinar esses recursos às associações para que elas possam, então, fazer seus trabalhos e a gestão dentro dos territórios”, comenta.