Dos estudos ao casamento Nova York
No estilo de comédia romântica, amazonense acabou conhecendo seu marido durante uma viagem
Nova York, EUA – Casada há 15 anos com o americano Douglas Dobriner e morando há 25 anos em Nova York, Estados Unidos, a amazonense Rachel Hakimi Dobriner, 49 anos, se mudou em 2001 para a “Cidade que Nunca Dorme” quando tinha apenas 23 anos para estudar Tecnologia da Comunicação na Universidade de Nova York. O desejo de morar em outro país já rondava os pensamentos e sonhos da amazonense ainda na adolescência, período em que estudou inglês e alemão ao mesmo tempo, com o objetivo de se preparar e seguir os desejos do seu coração.
Comedia romântica americana
Só que a história de Rachel, a exemplo de tantos outros imigrantes, foi repleta de aprendizados, desafios, alegrias e particularidades. Durante sua jornada enquanto estudante, ela conheceu o esposo de uma forma no mínimo inusitada, bem ao estilo de comédia romântica americana.
O casamento fez com que Rachel definitivamente se mudasse para os EUA.
“Eu estava em um voo vindo de Miami para Nova York. Ainda era estudante e havia terminado um relacionamento. E a última coisa que eu queria era saber de um novo namorado. E o Douglas começou a me paquerar, segundo ele conta, ainda no aeroporto, quando eu comprava uma água e um sanduíche. Não lembro nada disso”, brinca.
No desembarque no aeroporto de Nova York, Rachel recorda que um rapaz estava sempre tentando passar na frente dela na esteira da retirada de bagagens, ao ponto de incomodá-la. O que ela não sabia é que isso era uma forma de aproximação do agora marido Douglas, que tentava se aproximar na tentativa de conhecer seu futuro amor.
“Era um domingo, dia da cerimônia de entrega do Oscar, e eu havia combinado de assistir com uma amiga e estava com pressa, ansiosa para chegar em casa. E nessa correria foi na esteira que eu observei o Douglas pela primeira vez”, recorda.
E, na fila do ponto de táxi já em Nova York, outra surpresa: não havia táxis suficientes para todos. E novamente Douglas apareceu e propôs que os dois dividissem o táxi, já que ela iria para a Rua 36 (36th Street) com a Primeira Avenida (1st Avenue), no centro de Manhattan, e ele para a Rua 48 (48th Street) com a Primeira Avenida (1st Avenue), no edifício Trump Tower.
“Estava muito frio e eu queria chegar logo em casa. Foi quando uma pessoa me abordou e era o Douglas perguntando se podíamos dividir o táxi. Vi que estávamos indo para o mesmo lugar e aceitei”, lembra, destacando que, a partir daquele encontro inesperado, começaria seu relacionamento e, posteriormente, a oficialização do casamento. “Eu não acredito em coincidências, mas em destino. No caminho no táxi, fomos conversando e, de cara, eu contei que era judia e que meu pai era de Israel, assim como o dele. O que nos aproximou muito. Depois de algumas tentativas dele para sair comigo após o episódio do táxi, eu acabei aceitando. Ficamos, começamos a namorar, casamos e estamos juntos até hoje”, disse orgulhosa.

Rachel Hakimi Dobriner e Douglas Dobriner construíram a vida juntos nos Estados Unidos após um encontro (Arquivo Pessoal)
Rotina de trabalho e dificuldades nos EUA
Hoje, Rachel administra e gerencia os imóveis em Manhattan e Weehawken e não trabalha mais. Mas conta que, como todos os imigrantes, as dificuldades apareceram. E, mesmo tendo imigrado já falando inglês, ela logo no início não dominava o idioma americano de forma fluente e a insegurança, principalmente no trabalho e nos estudos, aparecia.
“Tive que me adaptar não apenas à língua, mas à cidade e aos costumes que existem aqui, dessa cidade que eu amo, além da saudade dos amigos e da família e da culinária amazonense”, cita. Além disso, ela destaca a falta do calor humano dos brasileiros, em especial dos amazonenses.
“Quem me conhece sabe que eu preservo minhas amizades de longa data. E muitos ficaram no Brasil. Já aqui, o que eu mais gosto dos Estados Unidos é a organização. As coisas andam e dão certo; é um país que dá oportunidades para todos sem exceção”, enfatiza, ressaltando que a única lembrança negativa que tem do país americano foram os atentados terroristas do dia 11 de setembro. “Acredito que o mundo todo tenha ficado impactado. Mas eu estava aqui e senti e vivi de perto”, disse.
O que alguém que deseja imigrar precisa saber
Sobre o futuro e dicas de imigração, a imigrante, formada em Tecnologia da Comunicação e hoje administradora dos seus imóveis, diz que pretende dividir o tempo entre a Flórida, Miami e Nova York.
“Quero continuar viajando, colecionando bons momentos com meu marido, família e amigos. É o que levamos da vida, eu acredito”, analisa.
Já para quem quer imigrar, ela adverte: “Tenha muita força de vontade e saiba que não será nada fácil nos primeiros anos. Você terá que abdicar de datas comemorativas ao lado de sua família e amigos. Além disso, trace um plano, se organize antes de tudo e saiba que será um novo começo. Você tem que querer muito e ter um motivo grande e especial para sair da sua cidade e país. Com muita fé, acreditando e se valorizando sempre”, recomenda.