É o amor: o desafio de ser mãe de muitos
Elas enfrentam uma jornada única e relatam como é a rotina de uma família numerosa e recompensas diárias
Nos últimos anos, a taxa de fecundidade no Brasil tem declinado; no entanto, um grupo de mulheres tem desafiado essa tendência, optando por ter um número significativo de filhos. Chamadas de “Mães de Muitos”, essas mulheres enfrentam uma jornada única e relatam como é a rotina de uma família numerosa, com seus desafios e recompensas diárias.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a média de filhos por mulher no país tem caído de forma constante desde a década de 1970, quando era de 5,76. O dado mais recente aponta que o número médio de filhos por mulher em idade fértil (entre 15 e 49 anos) no Brasil é de 1,76.
No entanto, algumas mulheres estão escolhendo um caminho diferente e optando por ter famílias numerosas mesmo em uma época em que isso é cada vez mais raro.
Para elas, a decisão vai além de questões econômicas e culturais, sendo uma escolha pessoal motivada por diversos fatores.
‘Sete filho, cada um único’
A dona de casa Ana Paula Salazar Costa, de 51 anos, é mãe de sete filhos, com idades entre 31 e 11 anos. Engenheira Florestal por formação, ela optou por se dedicar exclusivamente à maternidade e compartilha uma crença inabalável no valor da família, afirmando que é preciso respeitar a diversidade de escolhas e experiências das mulheres com a maternidade.
Ana Paula e seu esposo se casaram jovens, ela com 18 anos e ele com 21, e ambos vieram de famílias numerosas. Juntos há mais de 30 anos, eles decidiram priorizar a família e dividir responsabilidades após um episódio desagradável com a babá de um dos filhos. Com o passar dos anos, dois dos filhos já saíram de casa, mas ela afirma que faria tudo de novo.
“O mais gratificante é poder conviver com eles, poder servir e se doar. Se eu não tivesse filhos, estaria cuidando só de mim, mas como é bom ter eles para cuidar, para compartilhar a vida. Eu acho isso maravilhoso, ter com quem partilhar. Eu vejo que há um compartilhamento; acaba que um ajuda a cuidar do outro. Meu esposo tem um papel crucial em tudo isso também… Eu ensino, mas aprendi muito com meus filhos também”, disse.
Em tempo integral
A parteira Isabela Persilva, de 41 anos, afirma que é mãe de seis filhos com muito orgulho. Quatro foram gerados por ela e dois vieram após seu casamento com seu atual marido, que também já tinha dois filhos. Parteira há 10 anos, ela conta como concilia a profissão e o cuidado com os filhos, que têm idades entre 21 e 11 anos, em uma rotina que pode ser interrompida a qualquer momento para uma missão especial e inadiável: auxiliar mulheres no parto.

Isabela Persilva, de 41 anos, garante que é mãe de seis filhos com muito orgulho e diz ser gratificante vê-los crescer. (Foto: Arquivo pessoal)
“A rotina é uma correria e, por diversas vezes, um tanto quanto cansativa. O dia começa às 5h, com eles se organizando para ir à escola, depois vem o almoço, atividades escolares ou faculdade, ida ao trabalho para alguns, e só termina quando todos dormem. Hoje, eles já me ajudam com as tarefas diárias. Um se preocupa com o outro, especialmente por conta da minha rotina como parteira, sem hora para sair ou chegar para atender uma gestante”, relatou.
Isabela afirma que também já teve que lidar com julgamentos ou comentários negativos de pessoas que questionavam sua escolha de ter uma família grande. No entanto, ela destaca que usou tudo isso como impulso para seguir em frente, criar os filhos da melhor forma e alcançar a vida que tem hoje.
“Sem contar o quanto é gratificante vê-los crescer como pessoas íntegras e imaginar o tanto de netos que vou ter, é uma alegria e tanto”, relatou.