Eduardo Braga tenta atrair o PT, que se divide
De todos os apoios desejados pelo senador Eduardo Braga (PMDB) para disputar o 2º turno da eleição contra Amazonino Mendes (PDT), ter a militância petista do lado é, atualmente, o seu “sonho de consumo”. A tarefa, no entanto, não será das mais simples. Especialmente diante do discurso adotado pelo então candidato José Ricardo, que o atacou frontalmente na propaganda eleitoral. Ontem, uma reunião do PT para discutir o tema foi marcada por discussão e bate-boca.
Embaraço O próprio José Ricardo demonstra desconforto com a ideia de apoiar Braga. Um dos argumentos usados por quem defende a união é o fato do peemedebista “ser contra” as reformas do governo Temer, o mesmo utilizado pelo PCdoB para abraçar o PMDB local.
Indefinição O PT considera tão delicada a decisão sobre o apoio a Braga (seguir com Amazonino Mendes está praticamente descartado) que transferiu a definição para o próximo sábado. Há uma expectativa de que o ex-presidente Lula vai influenciar. No domingo que passou, o partido havia dito que a decisão sairia hoje.
Trauma A um grupo de amigos em uma rede social, o ex-deputado federal Francisco Praciano (PT), que em 2014 disputou uma vaga no Senado com o apoio e a estrutura montada por Braga, se posicionou contra a aliança do PT com o PMDB. “Não vão fazer com o Zé Ricardo o que fizeram comigo”, disse, conforme apurou a coluna.
Com quem será? O governador David Almeida (PSD) anuncia na tarde de hoje o posicionamento que tomará no segundo turno da eleição. A informação foi confirmada por ele próprio que, ao ser questionado se “ficar neutro” está entre as opções, respondeu: “Tudo em aberto”.
#ficadica Um dia antes desse anúncio, os aliados fiéis de David, que formaram com ele um grupo político durante a campanha, embarcaram na candidatura de Eduardo Braga, um sinal de como o governador poderá caminhar.
Conselho Na noite de domingo, logo após o anúncio do resultado da eleição, David Almeida declarou à coluna que antes de definir seu apoio, precisava ouvir seu grupo.
Etapa 2 O presidente da Câmara Municipal de Manaus, Wilker Barreto (PHS), sexto colocado na disputa para o governo do Amazonas, disse que até amanhã define com quem vai seguir na próxima etapa da campanha. A decisão do partido, segundo ele, “vai ser soberana”.
Matemática Pelo menos até agora, a aliança selada entre PMDB e PR não se traduziu em números expressivos para a campanha de Eduardo Braga e Marcelo Ramos. Juntos, eles computaram no primeiro turno desta eleição 377 mil votos.
Subtração Em 2014, quando Marcelo concorria contra Eduardo Braga, ele obteve 179.758 votos e Braga recebeu 709.058 votos. No atual pleito, a votação do candidato do PMDB caiu praticamente pela metade.
Histórico Um fenômeno parecido aconteceu com Alfredo Nascimento (PR) e Serafim Correa (PSB), que, em 2010, despontavam nas pesquisas e resolveram “somar” votos. Formaram uma chapa e seguiram juntos acreditando que bateriam o então governador Omar Aziz (PSD). Perderam no 1º turno.