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El Niño: Especialista descarta risco de seca recorde

Estudos climáticos indicam que Bacia Amazônica desce conforme o esperado e descartam risco de uma vazante histórica

Publicado em 12/07/2026 às 09h31
El Niño: Especialista descarta risco de seca recorde
Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA

O rio Negro, em Manaus, entrou em processo de vazante  há mais de duas semanas e, segundo especialistas, o cenário atual é considerado normal. Dados do Porto de Manaus mostram que o rio Negro deixou de subir no dia 22 de junho, permanecendo sem variação até o início deste mês. Desde o dia 3 de julho, o nível do rio passou a registrar uma média de queda diária de cerca de dois centímetros. Até esta sexta-feira (10), o movimento de descida já completava oito dias consecutivos.

De acordo com o meteorologista do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim-UEA), Leonardo Vergasta, esse comportamento mostrado pelos dados do Porto de Manaus confirma, de fato, o início da vazante na capital amazonense. Mas, até o momento, esse é o cenário esperado para o período.

“A vazante já começou praticamente em toda a Bacia Amazônica. O Rio Negro, assim como os rios Solimões, Juruá, Purus, Madeira e Amazonas, já está em processo de descida, tudo dentro da normalidade, tudo descendo conforme tem que descer”, afirmou Vergasta.


Monitoramento hidrológico acompanha o impacto do aquecimento global na Região Metropolitana (Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)

 

O meteorologista destaca que, até o momento, não há sinais de uma aceleração anormal da vazante que possa causar impactos às comunidades ribeirinhas, à navegação ou ao abastecimento. Segundo ele, as variações observadas nos níveis dos rios fazem parte do ciclo hidrológico e estão dentro do esperado para esta época do ano.

“Todas as estações monitoradas se encontram dentro da normalidade e com variações diárias que estão dentro do padrão esperado para o período. Por enquanto, não há nenhuma anomalia hidrológica que venha, de fato, causar uma aceleração no processo de vazante, algo que venha a trazer transtornos às comunidades ribeirinhas, à navegação, com implicações para a saúde, o transporte, entre outros”, explicou.

El Niño ainda não influencia o nível dos rios

Embora o fenômeno El Niño tenha sido oficialmente declarado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) no dia 11 de junho, Vergasta ressalta que seus efeitos ainda não são percebidos na região amazônica. Segundo ele, apesar de o fenômeno já estar ativo no Oceano Pacífico, ainda não ocorreram mudanças significativas na circulação atmosférica capazes de alterar o regime de chuvas, as temperaturas ou os níveis dos rios da região.

“O El Niño já começou com uma intensidade de fraca a moderada. A previsão é de que, a partir do fim de setembro para o início de outubro, ele venha a entrar em uma intensidade maior, um El Niño de forte a muito forte”, disse Vergasta.

Segundo Vergasta, os prognósticos do LabClim-UEA apontam que a tendência é de que os primeiros impactos comecem a ser sentidos entre o fim de agosto e o início de setembro, inicialmente com aumento das temperaturas e redução das chuvas. Já em relação aos níveis dos rios, a expectativa é de que os reflexos apareçam principalmente entre setembro e outubro, segundo ele.

Seca histórica não é o cenário esperado

Apesar da preocupação gerada pelo retorno do El Niño e de sua intensidade, o meteorologista afirma que ainda é cedo para dizer se o fenômeno deve influenciar uma seca extrema como as registradas nos últimos anos no Amazonas.


Dados técnicos das réguas indicam descida contínua do leito na primeira quinzena de julho (Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA) ()

 

Segundo ele, análises recentes realizadas pelo laboratório indicam que as condições atuais são mais favoráveis do que as observadas em 2023 e 2024. O meteorologista contou que alguns cenários foram elaborados pelo laboratório e apontam que Manaus deve registrar uma vazante importante neste ano, mas é possível que não repita os recordes históricos.

“De acordo com o que a gente conseguiu elaborar aqui no laboratório, tentando criar cenários, não são previsões, são cenários, tá? De que a gente não venha a ter uma seca recorde como em 2023 e 2024, quando a gente ficou com valores ali abaixo dos 15 metros em Manaus”, destacou.

Enquanto no Amazonas os níveis dos rios permanecem dentro da normalidade, o monitoramento hidrológico do LabClim-UEA chama atenção para o estado vizinho, o Acre. Segundo Vergasta, a estação de Brasiléia já enfrenta uma estiagem considerada crítica e é, atualmente, o ponto de maior preocupação entre as áreas monitoradas da região amazônica.

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